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Em 24/05/2021 04h00 , atualizado em 21/05/2021 20h12

Dia do Vestibulando: estudantes contam como é estudar durante a pandemia

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Rotina de estudos não é a mesma para todos os estudantes e desafios vão além da dedicação às atividades escolares. Por Giullya Franco
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Nesta segunda-feira, 24 de maio, é celebrado o Dia do Vestibulando, data criada para homenagear os estudantes que estão se preparando para vestibulares. Em meio às preocupações da adolescência, a escolha profissional é uma das principais e, por isso, esta fase costuma ser desgastante para alguns estudantes.

Os anos de 2020 e 2021 estão sendo atípicos na vida dos vestibulandos. A pandemia atingiu a todos e, além das medidas de prevenção ao coronavírus, os estudantes tiveram que se adaptar às novas formas de estudo impostas pela pandemia. Estudar em casa se tornou uma necessidade.

Mais: Dia Internacional da Educação e reflexões sobre ensino durante a pandemia do coronavírus

Durante esse período, alguns estudantes conseguiram se adaptar às novas opções impostas pela pandemia, mas essa não foi uma realidade para todos.

Sem computador e internet

Estudar em casa pode ser algo tranquilo para muitos estudantes, mas não é a realidade de vestibulandos de baixa renda. Millene Coutinho, de 17 anos, teve dificuldade para adaptar com as aulas em plataformas on-line. Sem possuir computador, o único meio que tinha para estudar em casa era pelo celular. Quando conseguiu adquirir um notebook, Millene, que estuda em um colégio da rede pública do Rio de Janeiro, também teve que lidar com a instabilidade do fornecimento de internet para a região onde mora, o que já a deixou sem estudar algumas vezes.

Millene teve dificuldades para realizar estudos on-line
(Arquivo Pessoal)

Com essas dificuldades, ela conta que também passou a enxergar a educação no país de forma diferente e vê que nem todos os estudantes disputam com igualdade uma vaga na universidade.

“Se algum dia já achei o Enem uma prova democrática, hoje não acho mais. Um aluno de colégio ou cursinho particular consegue estudar todas as matérias da escola, enquanto nós de baixa renda temos dificuldade para assistir aulas a distância”, comentou a jovem.

Atualmente, Millene está estudando por conta própria e seguindo um cronograma de estudos com simulados e videoaulas no YouTube. Ela também realiza as atividades enviadas pelos professores, embora reclame que alguns não conseguiram se adaptar às plataformas on-line. "Às vezes temos que perguntar para eles se publicaram as atividades e onde publicaram".

Veja mais: Efeitos da pandemia: número de crianças e jovens que ficaram sem aulas em 2020 passa de 5 milhões

Recuperando 2020

Ana Carolina Bontempo, 17 anos, de São Paulo, também no último ano do ensino médio, sonha em cursar Medicina e vai buscar uma oportunidade nos principais vestibulares do país. Além do Enem 2021, Fuvest e Unifesp, vestibulares do Einstein, São Camilo e Santa Casa estão nas pretensões da estudante.

Mesmo estudando em colégio particular, Ana diz que, por conta da pandemia, não conseguiu assimilar todo o conteúdo do ano passado. Por isso, tem participado de um programa do colégio Lourenço Castanho que retoma as disciplinas do segundo ano do ensino médio.

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Ana Carolina teve ajuda do colégio para revisar o conteúdo de 2020
(Arquivo Pessoal)

Entre os diferenciais para o aprendizado, ela também destacou que os professores estão oferecendo um apoio psicológico que ajuda muito neste período. Em sua rotina, também estuda aos finais de semana na plataforma virtual do colégio e realiza simulados.

Veja: 10 dicas para passar no vestibular de Medicina

Conciliando estudo e trabalho

Com o objetivo de conseguir uma vaga nos cursos de Publicidade ou Jornalismo, Renata Menechini, de 17 anos, está estudando para o Enem e o vestibular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Renata é estudante de escola pública e passou a trabalhar meio período para ajudar nas despesas da casa. No pouco tempo que sobra para estudar, precisa dividir o computador da casa com a mãe, que faz faculdade por ensino a distância (EaD).

Renata divide rotina de estudos e trabalho
(Arquivo Pessoal)

Moradora de uma casa com poucos cômodos, Renata conta que o computador fica na sala onde os familiares assistem TV. "É complicado manter a concentração com o barulho da televisão".

“Não considero a prova do Enem democrática, devido ao fato de nem todos terem os instrumentos necessário para se preparar sozinho, assim como eu. Acredito que tenha muitas pessoas que não possuem quarto próprio ou um ambiente calmo e silencioso para estudar, isso faz com que algumas pessoas que não possuem a mesma condição de outras desistam ou tirem notas ruins.”

Outro desafio para Renata foi a falta de auxílio dos professores da escola que estuda, na rede pública do Rio de Janeiro. Com isso, ela buscou uma vaga no cursinho comunitário Razão 1.

Com as condições, a jovem também se preocupa com o futuro nos processos seletivos e acredita que poderiam ser adiados até a volta das aulas.

A importância da saúde mental

Estudante também se preocupa com saúde mental na pandemia
(Arquivo Pessoal)

Nem todos os estudantes conseguem manter a saúde mental durante a pandemia, ainda mais em ano de vestibular e Enem. Sabendo da importância de cuidar da mente e do corpo para um bom desempenho nas provas, Enrico Musto, de 17 anos, pratica exercícios físicos, meditação, relaxamento e ioga.

Também estudante do colégio Lourenço Castanho e com o sonho de ingressar em uma faculdade de Medicina, Enrico conta que durante a pandemia encontrou no estudo em grupo uma forma de assimilar o conteúdo. “Tenho reunido com amigos em plataformas como o Zoom. Isso tem me ajudado muito, meu desempenho melhorou e me senti mais confiante”, afirma Enrico.

Veja: Como montar um grupo de estudos

Na rotina de estudos, ele também aproveita as ferramentas digitais disponibilizadas pelo colégio e sempre pesquisa novos meios de estudo para sair daquela repetição de decorar a matéria.

Saiba mais: A internet como parceira do estudante na quarentena

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