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Em 16/05/2018 08h00, atualizado em 16/05/2018 12h14

Professores consideram vestibulares das Forças Armadas os mais difíceis do Brasil

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ITA e IME cobram conhecimentos na área de exatas que nem sempre são vistos nas escolas Por Lorraine Vilela Campos
Disciplinas de Química, Física e Matemática são o foco dos Vestibulares do ITA e do IME / Crédito: Elisa Schneider/Curso Positivo 
Disciplinas de Química, Física e Matemática são o foco dos Vestibulares do ITA e do IME / Crédito: Elisa Schneider/Curso Positivo 
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Os vestibulares brasileiros têm cursos que são mais procurados em relação a outros, como é o caso das diferentes áreas da Engenharia. As Forças Armadas possuem os institutos de Aeronáutica (ITA), no estado de São Paulo, assim como o Militar de Engenharia (IME), no Rio de Janeiro, escolas especializadas nas áreas de exatas e que contam com as seleções mais difíceis do país, de acordo com professores.

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Referências nas Engenharias, o ITA e o IME chamam a atenção dos jovens que sonham em ser futuros engenheiros, independente da área de atuação. Seus vestibulares focam nos conteúdos de Matemática, Física e Química, além de exigir dos candidatos um bom conhecimento em Português e Inglês. 

Os candidatos que se inscrevem para o ITA e o IME podem escolher entre seguir a carreira militar, atuando dentro das Forças Armadas, ou somente se formar no curso superior escolhido. 

Diferenças de outros vestibulares

Os vestibulares das Forças Armadas são seleções peculiares, já que focam nas disciplinas de exatas. De acordo com o professor de Química do curso específico do Poliedro para tais seleções, Thiago Cardoso da Costa, ITA e IME possuem um grau de dificuldade muito alto, mas o IME ainda exige mais do candidato na prova de Matemática, já que esta tem um peso maior em relação às demais.

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O conteúdo cobrado pelos institutos das Forças Armadas é mais complexo do que é ensinado nas escolas convencionais. Segundo Thiago, o estudante que sai direto do 3º ano e participa dos vestibulares do ITA e do IME encontra dificuldade por conta da abordagem diferente do que está habituado. 

“Se o aluno veio de um ensino médio tradicional dificilmente teve contato com as técnicas específicas destas provas a não ser que já tivesse feito uma '‘carreira’' como em olimpíadas científicas” (Thiago da Costa, professor do curso Poliedro)

Preparação

Quem deseja uma vaga nos cursos oferecidos pelas Forças Armadas precisa se dedicar bastante e ir além do que é visto em sala de aula. De acordo com o professor de Química do curso Positivo, Eduardo Canto, o candidato tem que ter foco e praticar bastante o que lê. “Não basta ter conhecimentos fundamentais das disciplinas, é necessário conhecê-las a fundo e ter desenvoltura para conseguir um bom resultado na prova, dentro do tempo que o candidato dispõe”, ressalta. 

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O professor Thiago Cardoso diz que duas coisas são muito importantes na preparação dos estudantes: autoconfiança e montar um plano de estudos bem feito. “É preciso ter ideia de como o estudo será dividido ao longo do ano”, afirma.

A administração do tempo é algo que Eduardo Canto procura reforçar. O professor aconselha que o estudante divida as disciplinas que serão estudadas ao longo do dia. Além disso, anotar o que já foi estudado e o que ainda será visto é importante. O educador diz que o candidato deve tirar as dúvidas com seus professores sempre que possível, para que os questionamentos não se acumulem e atrapalhem a evolução do vestibulando. 

Mesmo havendo exceções, a maior parte dos aprovados no ITA ou no IME tiveram alguma preparação específica para tais vestibulares. De acordo com Thiago Cardoso, esse grau elevado das seleções que leva o vestibulando a procurar um cursinho voltado para as provas das Forças Armadas acaba deixando as listas de aprovados “polarizadas”. Isso dificulta a entrada de quem não tem condições de estudar com profissionais especializados nestas instituições.

Rotina de estudos

Lucio Enzo Horie, 17 anos, conhece bem a rotina de estudos para o ITA e o IME. Estudante do curso específico para os institutos, o adolescente estuda cerca de 12 horas diárias. Sua preparação possui cinco horas em sala de aula e outras sete na biblioteca e no esclarecimento de dúvidas com os professores-assistentes. 

O estudante Lucio estuda aproximadamente 12 horas por dia para os vestibulares das Forças Armadas
Crédito: Elisa Schneider/Curso Positivo 

Lucio busca, ainda, fontes teóricas estrangeiras (o que também ajuda nos estudos para a parte de inglês do vestibular). Procurar conhecer diferentes trabalhos acadêmicos e livros, assim como as resoluções dos problemas, estimula o raciocínio do vestibulando. 

Conheça o perfil das provas

Para fixar o conhecimento, Lucio faz simulados periodicamente, baseados nas provas passadas, além dos testes que simulam 20 questões do ITA, aos quais são aplicados a cada duas semanas. De acordo com o estudante, colocar na prática o que foi lido ajuda a avaliar o próprio progresso nos estudos. 

Este ano, o ITA requer mais atenção dos estudantes nas questões objetivas. A novidade da seleção para 2019 é a divisão em duas fases, a primeira composta pelas perguntas de múltipla escolha e a segunda focada na parte discursiva. O professor Eduardo Canto lembra que é preciso prestar atenção no conteúdo objetivo, já que somente os melhores classificados continuarão no vestibular. 

Ter conhecimento aprofundado nas disciplinas cobradas na parte teórica do ITA, por exemplo, é fundamental. Segundo Eduardo, não adianta ser bom em apenas uma matéria e ter um baixo desempenho nas outras, já que isso afeta a pontuação total do candidato. 

Tenha equilíbrio

Um grande desafio dos vestibulandos que se preparam para seleções complexas está em não abandonar as atividades de lazer, o convívio com amigos e família e os cuidados com a saúde, a alimentação e o sono, por exemplo. 

O equilíbrio é ponto fundamental para o estudante, segundo Thiago. O professor diz para seus alunos que a jornada rumo ao ITA e ao IME exige um tripé: preparação intelectual; cuidado com a saúde física; equilíbrio emocional. 


Mesmo com uma rotina intensa, o recomendado é que o estudante durma bem durante a noite; não passe as madrugadas em claro para estudar diariamente; reserve um tempo para as atividades físicas e se alimente adequadamente, sem pular refeições. Mente e corpo devem caminhar juntas para não causar problemas mais graves. 

Uma parte importante na vida do jovem é a família. De acordo com o professor de Física do curso Positivo, Marcel Geraldo Lamers, os familiares precisam entender a dificuldade de ingresso no ITA e no IME.

“Passar de primeira no ITA e no IME é muito difícil e é fundamental o apoio dos pais.” (Marcel Lamers, professor do Positivo)

Para Marcel, os pais ou responsáveis precisam ter consciência que o sonho do estudante vale a pena. “O aluno que se forma nessas instituições é um adulto que sai bem preparado para várias áreas de mercado. Alguns deles trabalham em bancos, em bolsas de valores etc. É um estudante que terá tudo para alcançar o sucesso profissional”, destaca.

Segundo Thiago, se é o sonho do estudante a saída é ter persistência, já que nem sempre a aprovação vem ao fim do ensino médio. O apoio de amigos, família e de professores é muito importante para o equilíbrio emocional e manutenção da autoestima do vestibulando. 

Vestibulares 2019

Agora que foram dadas as dicas de estudo para o ITA e o IME, que tal ficar por dentro de como será o calendário do Vestibular 2019 e como serão as provas? 

O ITA definiu seu calendário no mês de abril, em reunião conjunta com várias instituições de São Paulo, como Fuvest (USP) e Unicamp. O Brasil Escola entrou em contato com o instituto na última sexta-feira (27) e obteve as principais datas e a novidade sobre a mudança no formato do vestibular. Confira:

Inscrições: 1º de agosto a 15 de setembro
1ª fase: 23 de novembro
2º fase: 10 e 11 de dezembro
Resultado: 21 de dezembro

Já o IME informou apenas a previsão de inscrições de seu Concurso de Admissão: de 26 de junho a 6 de agosto.

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