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Em 09/05/2019 07h55, atualizado em 09/05/2019 08h01

Quanto ganha um profissional de humanas?

Orientação Vocacional

Saiba qual o salário de profissionais de diferentes cursos das Ciências Humanas Por Lorraine Vilela Campos
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O salário de um profissional varia conforme seu tempo de experiência, existência ou não de um piso salarial (mínimo a ser pago para a categoria), regime de contrato e até mesmo a região do país. No Brasil, é comum atribuir ao setor de saúde os maiores salários, mas a realidade é que Medicina detém a maior remuneração e outras profissões como Enfermagem e Fisioterapia não contam com a mesma valorização. 

Em contrapartida, existe a crença de que a área de Humanas conta com os menores salários. Em abril de 2019, o Ministério da Educação anunciou a redução de investimentos para os cursos de Filosofia e Sociologia com a justificativa de que os recursos públicos seriam injetados em cursos “com maior retorno para a sociedade”, maneira que o órgão se refere às Engenharias, Enfermagem, Medicina e Medicina Veterinária

Com a valorização de outras áreas, disciplinas de base como Sociologia e Filosofia são deixadas de lado e não despertam o interesse dos estudantes. No entanto, tais matérias estão presentes na maior parte dos cursos de graduação e são necessárias para a formação intelectual e social dos acadêmicos, já que o ensino superior não é mero reprodutor de conceitos técnicos, mas visa desenvolver diferentes habilidades nos futuros profissionais. 

Mas afinal, quanto ganha um profissional de humanas?

Na mira da redução de investimento público estão Ciências Sociais e Filosofia. Os profissionais dos dois cursos costumam se dedicar ao trabalho em sala de aula, formando professores aptos a lecionar nos ensinos médio e superior. A média salarial de um professor de Sociologia é de R$ 2.092,69, enquanto o valor médio pago a um profissional de Filosofia é de R$ 1.777,25

A área de humanas é bem ampla e contempla diversos cursos. Confira abaixo a média salarial de algumas profissões:

  • Professor de História: R$ 1.664
  • Jornalista: R$ 2.041
  • Psicólogo: R$ 2.327
  • Administrador: R$ 2.581
  • Professor de Direito: R$ 3.165
  • Advogado: R$ 2.900

Os valores citados são uma média obtida a partir da análise de diferentes vagas de emprego ofertadas no Brasil, balanço feito pela Catho. Algumas particularidades podem alterar o valor pago ao profissional de cada área. Confira abaixo alguns exemplos:

Psicologia: a média brasileira do bacharel em Psicologia é de R$ 2.327, mas um psicólogo clínico ganha cerca de R$ 2.113, enquanto um psicólogo organizacional (que seleciona funcionários para empresas) tem um ganho médio de R$ 2.175 e, por sua vez, um psicólogo de trânsito fatura cerca de 2.440. 

Jornalismo: o piso salarial do jornalista muda de estado para estado e, em alguns casos, de acordo com a mídia ou quantidade de habitantes do município. 

  • Em Goiás, um jornalista recebe R$ 2.300 pela carga-horária de 30 horas semanais, independente da mídia;
  • Em São Paulo, jornais e revistas da capital pagam R$ 3.162, rádio e TV da capital tem remuneração de R$ 2.528, veículos de audiovisual de cidade com até 80 mil habitantes pagam 1.643,38 e, abaixo de 80 mil habitantes, 1.581,97;
  • No Paraná, todos os veículos pagam R$ 3.452,49 como piso salarial.

Administração: por ser um curso com vasto mercado de trabalho, é comum que as vagas para bacharéis em Administração não sejam nomeadas com o cargo de administrador, mas sim em outras funções. No setor privado, a média salarial do administrador (sem levar em conta outras denominações) é de R$ 2.580, enquanto na esfera pública os valores podem ser inferiores ou superiores, já que a graduação é recorrente em concursos públicos para cursos superiores, preenchendo vagas de analistas (em diferentes setores).

Direito: é comum que as pessoas atribuam ao Direito o exercício da advocacia, mas o advogado é apenas um dos profissionais oriundos deste curso e seu salário muda de acordo com sua especialidade e valor da causa, com média de R$ 2.900. Grande parte dos graduados em Direito foca nos estudos para concursos públicos, já que a magistratura, por exemplo, conta com altos salários mais benefícios como auxílio para moradia e livros.

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E quanto pode ganhar um profissional de Humanas?

Assim como nas demais áreas, os profissionais de Humanas também podem ter bons salários. O que determina se uma profissão será bem remunerada são fatores como o cenário econômico, a demanda pela atividade em questão, especialização e experiência na área de atuação.

A magistratura, por exemplo, é o sonho de muitos bacharéis em Direito não só pelas características da profissão em si, mas também pelos altos salários e a estabilidade da carreira. Um juiz em entrância inicial ganha, no mínimo, R$ 27,5 mil, fora os auxílios. O valor pago aos magistrados não pode ultrapassar os R$ 33,7 mil por conta do teto constitucional dos Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). 

Quem deseja ser juiz precisa estudar bastante para passar em um concurso público. Além disso, é necessário ter o mínimo de três anos de atividade jurídica (atividade forense), tais como advocacia, consultoria jurídica, assessorias, função de conciliador, mediador e aprovação em pós-graduação reconhecida pelas escolas superiores de magistratura ou pelo MEC.

Outra oportunidade para os profissionais do Direito é a carreira de Promotor. A promotoria é uma carreira que faz parte do quadro do Ministério Público com salário inicial de mais de R$ 26 mil.

Há o senso comum de que o professor é um profissional mal remunerado, por isso as licenciaturas têm perdido parte da procura. No entanto, professores de instituições de ensino superior federais ganham, em média, R$ 13 mil (podendo ultrapassar os R$ 16 mil, dependendo do título e carga horária). Já o salário para os professores de faculdades particulares varia de R$ 2,6 mil a 10 mil. 

O salário médio de um profissional formado em Filosofia é menor que R$ 1,8 mil, mas há filósofos que se tornam conhecidos por suas palestras, trabalhos acadêmicos e livros, indo além das salas de aula, o que aumenta muito a remuneração. O aumento salarial também está presente no funcionalismo público, por exemplo, em que profissionais de Ciências Sociais podem expandir sua atividade como pesquisadores e analistas.

Para se destacar no mercado e conseguir uma boa colocação é importante estudar, buscar se atualizar sempre que possível, encontrar especializações que se encaixem nas suas expectativas e no seu bolso e, acima de tudo, gostar da sua profissão. 

Motivos para procura

Alguns cursos superiores são mais tradicionais no Brasil e essa cultura vem de alguns séculos. Inicialmente, Direito e Medicina eram as profissões procuradas pelas famílias mais ricas, o que tornou tais graduações procuradas também por quem procurava ascensão social. 

Com o passar dos anos, as Engenharias também entraram para o grupo das profissões mais procuradas. A demanda por engenheiros, médicos e profissionais do Direito impulsionaram a criação de faculdades com essas graduações em terras brasileiras, já que antes era preciso ir à Europa para se formar em tais áreas. 

Veja também: qual Engenharia é minha cara?

A realidade mudou ao longo dos séculos, a oferta do curso de Direito cresceu bastante e o acesso à graduação foi facilitado, o que gerou uma saturação de profissionais no mercado de trabalho e, consequentemente, redução dos salários e falta de emprego. 

Os cursos de Engenharia tiveram seu boom no fim da década de 1990 e entre 2006 e 2014, mas o setor já começa a desacelerar. Com isso, apenas Medicina se mantém com alta procura e concorrência grande por uma vaga nas universidades, continuando com os altos salários. 

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