Whatsapp
Em 06/09/2018 14h25 , atualizado em 06/09/2018 15h29

Incêndio no Museu Nacional e falta de políticas culturais

Blog do Vestibular

O artigo não representa a opinião do site. A responsabilidade é do autor do texto.

Tragédia que ocorreu no início da noite do último domingo (2), no Rio de Janeiro, desperta debates sobre a falta de zelo com espaços culturais Por Silvia Tancredi
Museu Nacional no Rio de Janeiro, antes do incêndio
Museu Nacional no Rio de Janeiro, antes do incêndio
PUBLICIDADE

O último domingo, 2 de setembro, anoiteceu de forma triste no Brasil. Um incêndio destruiu o Museu Nacional, situado em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, justamente depois de pouco mais de três meses de o espaço completar 200 anos de existência.

No momento da tragédia, aproximadamente às 19h, o espaço cultural já estava fechado para visitas. Encontravam-se no local apenas quatro funcionários que tentaram conter as chamas até os Bombeiros chegarem. 

O Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro informou que o Museu Nacional não possuía Certificado de Aprovação da corporação, o que significa que o prédio se encontrava em situação irregular junto ao órgão.

Às vésperas de o museu completar 200 anos, em maio deste ano, já havia denúncias de que o local tinha problemas de manutenção. Reportagens ainda noticiaram que, “com seguidos cortes no orçamento da instituição, o Museu Nacional não recebe integralmente, desde 2014, a verba de R$ 540 mil anuais que bancam sua manutenção”.

Ainda por cima, reportagens publicadas no início desta semana mostraram que os diretores do museu não tinham apoio do governo para conservar o local da forma adequada. “O vice-diretor chegou a dizer que a instituição busca há anos apoio em diversas esferas do governo federal para ajudar na conservação e readequação do espaço, mas nunca conseguiu”, relatou esta reportagem.

Tragédia

Ficamos com a impressão de que o acontecimento foi uma tragédia anunciada, pois, ainda de acordo com a direção do Museu, no espaço não havia detectores de fumaça, sprinkles (equipamento que lança água automaticamente em caso de fogo) e portas corta-fogo.

Ainda não sabemos o motivo do incêndio, mas a Polícia Federal está investigando se o acontecimento foi criminoso ou não. Pelo menos, não houve feridos.

O que sabemos, de fato, é que a memória cultural nacional sofreu abalo fortíssimo, pois grande parte do acervo (cerca de 2 milhões de objetos) foi perdido durante a tragédia. Documentos, registros históricos, fósseis, múmias, obras de arte foram para o espaço. 

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

Confira o que foi perdido no incêndio do Museu Nacional

Nos meios de comunicação e nas redes sociais, vimos imagens tristes, de funcionários do Museu dessolados com a perda. Um deles, com mais de 40 anos de casa, chegou a afirmar que “sua vida toda estava ali”.

É importante destacar que, além da riqueza histórica e cultural que o Museu Nacional abrigava, o local já foi residência da família real e sede da 1ª Assembleia Constituinte do Brasil. O espaço cultural é vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 

Veja qual é a história do Museu Nacional

Felizmente, a tragédia despertou para a necessidade de correr contra o tempo e, segundo o próprio Museu, no último dia 3, o Ministério da Educação anunciou a liberação de R$ 10 milhões para a adoção de medidas emergenciais para a segurança do Palácio sede do Museu Nacional e de R$ 5 milhões para a elaboração do projeto executivo de recuperação do Museu.

Debates

O triste episódio tem suscitado diversos debates na sociedade acerca dos cuidados específicos que devem ser dedicados a museus e demais espaços culturais, muitas vezes deixados de lado, por não serem considerados prioridade pelo Governo.

Com frequência vemos nos meios de comunicação notícias sobre espaços culturais inacabados, deixados à margem, e alguns em péssimo estado. Onde está a preocupação e o zelo com tão importantes locais? 

A propósito, outro ponto discutido, perto das eleições 2018, é o que propõem os candidatos a presidentes da república à pauta cultural. Segundo esta matéria, dos 13 presidenciáveis, apenas sete oferecem programas para esse segmento. E, desse total, apenas dois têm políticas específicas para os museus. Uma pena.

Que o episódio do Museu Nacional sirva para conscientizar os novos governantes que políticas e programas culturais são, sim, tão importantes quanto os demais.

Relacionados
Em tempos de eleições, o que se vê são as diversas opiniões políticas entram em conflito, especialmente nas redes sociais. É comum ver discursos de ódio contra pessoas que declararam suas escolhas políticas.
Neste mês, duas importantes provas de redação de seleções para ingresso na educação superior pública cobraram, nas provas de redação, discussões de temas conectados à cultura: filmes e música. 
Blog da Redação discute o aumento de salário pedido pelo STF, que vai na contramão da realidade brasileira. Em que Brasil vivem os membros do Judiciário? Ministério da Educação perdeu quase R$ 3 bilhões no orçamento para o próximo ano e bolsas de pós-graduação estão ameaçadas.
Confira análise de como a população tem reagido, pela internet, a manifestações culturais e artísticas
Conheça Malala Yousafzai, símbolo da luta de mulheres pelo direito à educação, mais jovem premiada o Nobel da Paz. A ativista esteve no Brasil neste mês de julho para falar sobre questões ligadas à educação e anunciar o patrocínio para três escolas brasileiras, tendo o foco no ensino de meninas.
BANCO DE REDAÇÕES

Elabore sua redação com o tema atual e as publique aqui no banco de redações

Tema

PESQUISA DE FACULDADES