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Em 28/09/2018 13h57

Universidade chinesa tem curso para ensinar mulheres a serem “perfeitas”

Estudar no Exterior

Apesar do incentivo a formação acadêmica, cultura machista ainda está presente na China. Por Hotcourses Brasil
Mulheres na China recebem pressão para casar antes dos 27 anos
Mulheres na China recebem pressão para casar antes dos 27 anos
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A faculdade chinesa Zhen­jiang College, na província de Jiangsu, no sul do país, criou um curso em parceria com a All-China Women’s Federation para ensinar as estudantes a serem mulheres e esposas perfeitas. As aulas, cursadas junto com a grade curricular, ensinam às universitárias regras de etiqueta, como se vestir, se comportar e agir. 

Quer um exemplo? Uma mulher deve se sentar em apenas dois terços da frente da cadeira, nunca ocupando todo o espaço inteiro com o corpo. Depois, ela deve segurar a barriga, manter as pernas unidas e os ombros para trás. 

O curso, oferecido apenas às estudantes do sexo feminino, tem como objetivo “formar mulheres sábias e perfeitas”, com conhecimento da história e cultura chinesa, pintura a óleo, etiqueta e aplicação de maquiagem.

As aulas adequam-se à “nova era” do presidente Xi Jinping. Com o crescimento econômico da China e a diminuição da população, volta à tona a imagem do homem como chefe de família e as mulheres, apesar de incentivadas a terem uma formação acadêmica, ainda são vistas como esposas e mães antes de tudo.

Assim, a Escola das Mulheres da Nova Era da Zhen­jiang College não só pretende preparar as universitárias para competir no mercado de trabalho, como também para serem bem-sucedidas em suas funções domésticas.

“Mulheres encalhadas” e a política do filho único

A sociedade chinesa coloca muita pressão nas mulheres para se casarem antes dos 27 anos. Na mentalidade nacional, a mulher solteira começa a se desvalorizar a partir dos 24 e as que permanecem neste estado civil recebem o nome pejorativo de sheng nu, que em mandarim significa “mulher encalhada” ou “mulher que sobrou”. 

As mulheres chinesas da nova geração, diferente de seus pais, estão cada vez mais procurando uma formação acadêmica e um espaço no mercado de trabalho, postergando aspectos da vida pessoal, como matrimônio e maternidade, mas ainda sofrem uma forte influência para que se casem aos 20 poucos anos.

Em contrapartida, estima-se que até 2020 a China terá mais de 30 milhões de homens solteiros devido à população masculina significativamente maior que a feminina. O país implantou a política do filho único na década de 70 com o intuito de reduzir o crescimento populacional do país, de mais de 1 bilhão de habitantes, para que todos pudessem ter acesso aos serviços públicos de saúde e educação. Com o envelhecimento da sua população, a China aboliu a lei em 2015 – agora as famílias chinesas são permitidas a ter dois filhos. 

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Durante a política do filho único, os casais que tivessem mais de um filho eram punidos com multas severas. Isto de fato ajudou a conter o avanço da população, no entanto, gerou outros problemas, como o aumento do número de abortos, infanticídio e abandono de bebês, principalmente se a primeira criança do casal fosse do sexo feminino. As famílias tinham preferência por meninos. Na China, apenas homens podem ser herdeiros dos bens familiares e são eles quem têm a responsabilidade de cuidar dos pais quando idosos. 

Após décadas da política, isto tudo resultou em uma população com 33 milhões de homens a mais do que mulheres. Os chineses que permanecem solteiros estão sendo chamados de guang gun, algo como “fim biológico da árvore genealógica”. 

Com tantos pretendentes à disposição, por que as mulheres ainda sofrem com preconceito por estarem solteiras após os 27 na China? Os homens chineses têm costume de procurar por esposas dez, 20 anos mais jovens do que eles. Assim, uma chinesa solteira aos 30 anos terá mais dificuldade de encontrar possíveis maridos do que uma mulher de 20.

Independente se o filho for homem ou mulher, os pais sentem-se responsáveis pelo matrimônio de sua prole na China. Não é incomum encontrar pelas grandes cidades do país murais com “anúncios” de filhos e filhas solteiras escritos por pais à procura de pretendentes, informando formação, salário e personalidade. 

Universitárias na China

Mesmo com a pressão para que casem e sejam esposas perfeitas, as chinesas passaram a representar mais de 50 por cento da população universitária do país, ultrapassando o número geral de homens matriculados em universidades da China. Em 2016, elas superaram também o número de estudantes do sexo masculino em pós-graduações, apesar de as áreas conhecidas como STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) ainda apresentarem uma concentração maior de alunos.

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Como ser um gentleman

Mas as mulheres não são o único “alvo” de cursos de boas maneiras. Existem diferentes aulas de como ser um gentleman para homens. Como é o caso destas oferecidas pela plataforma de cursos online Udemy: A arte secreta de ser um gentleman. Com vídeos, artigos e certificado de conclusão garantido, os alunos aprenderão a essência da polidez, a importância do respeito aos mais velhos e às mulheres, como abraçar tanto o lado da masculinidade quanto o da sensibilidade, comunicação verbal e corporal, entre outros conhecimentos.

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