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Em 04/07/2016 14h24, atualizado em 04/07/2016 15h13

Machismo e cultura do estupro

Blog da Redação

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Casos violência contra as mulheres em 2016 levantam discussões sobre o machismo e a cultura do estupro. Por Adriano Lesme
Notícias sobre estupro viraram rotina em 2016
Notícias sobre estupro viraram rotina em 2016
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No Enem do ano passado, a prova de redação teve a violência contra a mulher como tema. Na época, algumas pessoas reclamaram da proposta, afirmando que o Ministério da Educação (MEC) queria impor uma ideologia feminista e de esquerda nos estudantes, além de colocar a mulher como vítima de uma sociedade machista.

Passados oito meses desde as provas do Enem 2015, notícias quase que diárias relatando episódios de violência contra a mulher nos mostra que o tema da redação foi um acerto. Apesar das recentes notícias, alguns brasileiros continuam colocando a culpa na vítima quando esta se trata de uma mulher, o que é perceptível em comentários publicados nas redes sociais.

Aqueles que colocam a culpa sempre na mulher usam dos mais diversos argumentos para justificar sua posição. Entre os motivos estão a vestimenta da vítima, o lugar onde ela estava no momento da violência, o uso de drogas e bebidas alcoólicas e até mesmo a falta de reação. O que eles não sabem é que nenhum motivo justifica uma agressão física ou estupro. Nenhum!

A Jovem do Rio de Janeiro

O caso que mais ganhou notoriedade esse ano aconteceu há menos de dois meses, quando uma jovem de 16 anos sofreu estupro coletivo em uma favela no Rio de Janeiro. O fato foi descoberto quando um homem que filmou a adolescente nua e inconsciente postou o vídeo em uma rede social. Mesmo assim, muitas pessoas questionavam o estupro, alegando que a moça consentiu e estava “acostumada com esse tipo de prática sexual”. Também questionaram o fato da jovem ter ido a um baile funk na favela e ter consumido bebida alcoólica. 


Internautas tentam justificar o estupro da jovem no Rio de Janeiro

O mais absurdo desse caso foi que o próprio delegado culpou a vítima pelo estupro. Segundo a jovem, o delegado perguntou se ela estava acostumada a fazer sexo em grupo e expôs as fotos do estupro sobre a mesa, na hora do depoimento. Felizmente, a delegada da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima, Cristiana Bento, assumiu o caso e descobriu um segundo vídeo que não deixava dúvidas sobre o estupro. Se não fosse pela delegada, o caso ia terminar com a vítima como culpada.

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A delegada condenou sete pessoas por crimes como estupro de vulnerável e produção e divulgação de imagens referentes ao ato. De acordo com Cristiana Bento, o caso foi um exemplo de que a cultura do estupro está presente no Brasil: “A cultura do estupro sempre pretende colocar a culpa na vítima ou até despenalizar o agressor” - afirmou a delegada.

Outros casos

Diferente do que muitos pensam, a violência contra a mulher não tem hora nem local para acontecer, tampouco depende de classe social, religião e vida social. Os casos mais recentes envolvendo violência contra a mulher ilustram isso.

No Piauí, no mês passado, uma mulher de 21 anos foi estuprada por quatro homens dentro de um carro na cidade de Sigefredo Pacheco. Foi o terceiro caso no estado em menos de um mês. Ainda em junho, uma menina de 12 anos foi estuprada dentro da igreja, no litoral de São Paulo. Na semana passada, uma mulher de 22 anos relatou ter sido vítima de estupro coletivo no município de Barra do Choça, interior da Bahia.

Além dos estupros, as mulheres são vítimas de agressões dos próprios companheiros. O caso mais recente é da atriz Luiza Brunet, que afirmou ter sido agredida pelo ex-namorado. Essa semana, um sargento do Exército foi preso suspeito de agredir a mulher em Ricardo Albuquerque, zona norte do Rio de Janeiro. O caso foi denunciado pelo filho do casal, em uma rede social.

Cultura do estupro

Casos como esses reforçam a tese da cultura do estupro no Brasil, que vai além da violência sexual em si. Como afirmou a delegada Cristiana, presenciamos a cultura do estupro quando colocamos a vítima como culpada, quando colocamos a mulher como uma propriedade do companheiro, quando nos achamos no direito de tocá-las na balada, quando mexemos com elas nas ruas, entre outras situações.

As mulheres têm todo direito de estarem indignadas com o que está acontecendo no Brasil e de protestarem. O feminismo não é “coisa de esquerdista” e nem quer colocar a mulher à frente do homem. O significado de feminismo é respeito à mulher e igualdade de direitos. Por isso, amigos, não é vergonha nenhuma nos declarar feministas e lutar ao lado delas.

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