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Em 09/12/2008 12h30, atualizado em 29/04/2009 12h15

Eu sou ProUni

ProUni

Por Wanessa de Almeida
O sonho de conseguir um diploma só será possivel para mais de 400 mil estudantes graças ao programa
O sonho de conseguir um diploma só será possivel para mais de 400 mil estudantes graças ao programa
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O sonho da estudante Juliana Fernandes, hoje com 26 anos, era ingressar em um curso superior. Depois que finalizou os estudos básicos, a goiana bem que tentou vários vestibulares na Universidade Federal de Goiás (UFG), mas o preparo adquirido no Ensino Médio não foi o bastante para conseguir uma vaga na instituição pública.

Surgiu então a possibilidade de cursar Ciências da Computação em uma faculdade privada da capital por meio de um financiamento. Com as dívidas acumuladas, ela precisou desistir. E quando ela pensava que sua aspiração não fazia mais sentido, o Programa Universidade para Todos, o ProUni, caiu como uma luva para realizar seus anseios.

Juliana cursa hoje licenciatura em Matemática na Católica de Goiás (UCG) e tem futuro garantido como professora. Histórias como essa não são difíceis de encontrar, afinal, o ProUni já beneficiou mais de 430 mil estudantes desde 2005, quando foi criado. E para 2009, o programa reservou cerca de 156 mil bolsas.

“É um programa que, sem dúvida, veio pra revolucionar o ensino superior do Brasil, fazendo com que milhares de estudantes outrora marginalizados do ensino superior tivessem oportunidade de cursar o que desejar”, ressalta Abdiel Leite de Souza, estudante pernambucano de 21 anos que cursa Medicina em uma instituição de Juazeiro do Norte.

Antes de ingressar nesta graduação, Abdiel já havia conseguido bolsas pelo programa para Odontologia e Turismo, e mesmo assim não desistiu de sua principal meta. E ele conseguiu “sem ter que concorrer com aqueles que passaram a vida toda em colégios caríssimos se preparando para o vestibular”.

Regilâine da Silva, de 23 anos, não teve a mesma sorte. Com média insuficiente para conseguir uma bolsa integral para Psicologia, sua verdadeira paixão, ela não perdeu a oportunidade e iniciou o curso de Tecnologia em Gestão Ambiental.

Bem que a ex-aluna de uma escola estadual do município de Hidrolândia, interior de Goiás, tentou ingressar em uma instituição pública de ensino superior, mas de acordo com sua experiência, “o currículo escolar das escolas públicas muitas vezes não é cumprido como o planejado e isso afeta o desempenho daqueles que almejam fazer parte das universidades federais e estaduais”. Depois de dois anos e meio de graduação, Regilâine vê um futuro promissor pela frente, diante da gama de concursos e possibilidades que a área reserva. “Apesar de não ter tido outras experiências, gostei do aprendizado que me foi ofertado”, afirma.

Particulares?

É intrigante como no Brasil as situações são invertidas. Estudantes que cursaram o Ensino Médio em escolas particulares lotam as cadeiras das universidades públicas. Resta aos que tiveram acesso à educação fundamental pública lutar para pagar sua formação superior. Uma singularidade que faz a diferença na concorrência do mercado de trabalho, afinal, ainda existe o mito de que instituição pública tem melhor qualidade.

Não é o que considera a maioria dos graduandos beneficiados pelo ProUni. Anderson Rogério Pariz, de 23 anos, é um deles. Estudante de Design Industrial na Universidade do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, ele considera que terá condições necessárias para concorrer por uma vaga de peso no mercado de trabalho, já que seu curso “ganhou cinco estrelas no Guia do Estudante da Editora Abril”, um dos principais parâmetros brasileiros de avaliação do ensino superior. Regilâine tem opinião semelhante. Para ela, o interesse do aluno é que faz com que esse se torne bom profissional, independente se é um sistema gratuito ou não.

Para quem tentou duas vezes o vestibular da Estadual de Maringá (UEM), Rodrigo Gaspar de Almeida, de 20 anos, afirma estar feliz com sua instituição de ensino. Ele é um dos estudantes do curso de Tecnologia em Gestão Estratégica de Organizações na Universidade Paranaense (Unipar). Segundo ele, “a instituição possui vários convênios com empresas e também há vários programas de estágios e primeiros empregos e também, em decorrência de o meu curso ser muito prático, todos os 90 alunos da minha graduação trabalham desde a 1º Série”.

Múltiplos são os depoimentos de estudantes que encontraram no ProUni uma saída para amenizar a desigualdade educacional existente no país. Ainda é insistente e urgente que a educação básica e pública no país passe por profundas mudanças, mas isso não é possível da noite para o dia. E enquanto isso não acontece, o programa pode ser uma saída para aqueles que não possuem condições necessárias para concorrer a uma vaga em universidades públicas e querem mudar sua realidade social.

“É óbvio que o ideal era que o ensino público fosse de qualidade e que não precisássemos de um programa para os "excluídos", mas já que não temos o ensino que gostaríamos, vemos no ProUni um veículo mais rápido para realizarmos nossos sonhos”, avalia o futuro médico Abdiel Leite. E os pontos positivos não se resumem a isto. “As universidades não perdem no faturamento. Há uma maior dedicação dos alunos durante o ensino médio para obterem notas mais altas no ENEM”, finaliza Rodrigo Gaspar.
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