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Em 04/08/2014 12h06, atualizado em 20/08/2014 10h44

Textos literários no Enem

Enem

A Literatura está inscrita na prova de Linguagens e Códigos, cobrando do candidato uma visão ampla e crítica sobre os textos literários no Enem. Por Luana Castro Alves Perez
Conhecer diferentes contextos históricos e aspectos da composição do texto literário é fundamental para compreender a Literatura no Enem.
Conhecer diferentes contextos históricos e aspectos da composição do texto literário é fundamental para compreender a Literatura no Enem.
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Entender como a Literatura é cobrada no Exame Nacional do Ensino Médio é muito importante para quem quer alcançar uma boa nota. Uma das áreas de conhecimento exigidas na prova de Linguagens e Códigos, a Literatura está inscrita nas questões de interpretação e compreensão da prova. Para aprender um pouco mais, confira a dica sobre textos literários no Enem do Vestibular Brasil Escola.

No Enem, não basta conhecer as “escolas literárias”, suas características e diversos autores: o candidato que quiser se sair bem nas questões ligadas à Literatura deve mostrar que sabe relacionar os textos apresentados (sejam eles poemas, fragmentos de crônicas e contos) a um determinado contexto histórico, social e político, bem como domínio sobre as diferenças entre a linguagem literária e a não literária. Além de cobrar do candidato uma visão crítica sobre a Literatura, o exame exige também um bom conhecimento sobre os mecanismos que envolvem a construção do texto literário (tipo de texto permeado pela linguagem literária), como as técnicas narrativas, figuras e funções da linguagem. Vale lembrar também que a linguagem não literária geralmente não está associada às questões de Literatura, mas sim às questões que analisam a língua portuguesa e seus mecanismos. Para entender melhor nossa dica para a prova de Linguagens e Códigos, observe a abordagem dada pelo Enem aos textos literários:

Exercícios Resolvidos – Enem 

Questão 105 – Enem 2013

Olá! Negro 

Os netos de teus mulatos e de teus cafuzos 
e a quarta e a quinta gerações de teu sangue sofredor tentarão apagar a tua cor! 
E as gerações dessas gerações quando apagarem a tua tatuagem execranda, 
não apagarão de suas almas, a tua alma, negro! 
Pai-João, Mãe-negra, Fulo, Zumbi, 
negro-fujão, negro cativo, negro rebelde 
negro cabinda, negro congo, negro ioruba, 
negro que foste para o algodão de USA 
para os canaviais do Brasil, 
para o tronco, para o colar de ferro, para a canga 
de todos os senhores do mundo; 
eu melhor compreendo agora os teus blues 
nesta hora triste da raça branca, negro! 
Olá, Negro! Olá, Negro! 
A raça que te enforca, enforca-se de tédio, negro! 

LIMA, J. Obras completas. Rio de Janeiro: Aguilar, 1958 (fragmento).   

O conflito de gerações e de grupos étnicos reproduz, na visão do eu lírico, um contexto social assinalado por 

a) modernização dos modos de produção e consequente enriquecimento dos brancos. 
b) preservação da memória ancestral e resistência negra à apatia cultural dos brancos. 
c) superação dos costumes antigos por meio da incorporação de valores dos colonizados. 
d) nivelamento social de descendentes de escravos e de senhores pela condição de pobreza. 
e) antagonismo entre grupos de trabalhadores e lacunas de hereditariedade.

Comentário da questão: 
Fica explícito, no poema de Jorge de Lima, o engajamento social do escritor ao escolher um tema que dialoga com a realidade dos negros no Brasil. É possível observar grande preocupação com a questão da discriminação racial, oriunda de um triste episódio de nossa História: a escravidão e o tráfico negreiro. Jorge defende em seu poema a preservação da identidade cultural dos negros, sobretudo no verso “não apagarão de suas almas, a tua alma, negro!”, que aponta para a ideia de resistência negra à apatia cultural dos brancos.

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Resolução da questão: Alternativa “b”. 

Questão 111 – Enem 2013

Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou.
[...]
Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré-pré-história já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos – sou eu que escrevo o que estou escrevendo. [...] Felicidade? Nunca vi palavra mais doida, inventada pelas nordestinas que andam por aí aos montes.
Como eu irei dizer agora, esta história será o resultado de uma visão gradual – há dois anos e meio venho aos poucos descobrindo os porquês. É visão da iminência de. De quê? Quem sabe se mais tarde saberei. Como que estou escrevendo na hora mesma em que sou lido. Só não inicio pelo fim que justificaria o começo – como a morte parece dizer sobre a vida – porque preciso registrar os fatos antecedentes.

LISPECTOR, C. A hora da estrela. Rio de Janeiro:  Rocco, 1998 (fragmento).

A elaboração de uma voz narrativa peculiar acompanha a trajetória literária de Clarice Lispector, culminada com a obra A hora da estrela, de 1977, ano da morte da escritora. Nesse fragmento, nota-se essa peculiaridade porque o narrador

a) observa os acontecimentos que narra sob uma ótica distante, sendo indiferente aos fatos e às personagens. 
b) relata a história sem ter tido a preocupação de investigar os motivos que levaram aos eventos que a compõem.
c) revela-se um sujeito que reflete sobre questões existenciais e sobre a construção do discurso.
d) admite a dificuldade de escrever uma história em razão da complexidade para escolher as palavras exatas.
e) propõe-se a discutir questões de natureza filosófica e metafísica, incomuns na narrativa de ficção.

Comentário da questão:  
Na questão sobre o fragmento do livro “A hora da estrela”, de Clarice Lispector, podemos perceber a preocupação em abordar os aspectos relacionados com a composição do texto literário. A peculiaridade da voz narrativa de Clarice mostra as reflexões existenciais do sujeito em crise e também uma técnica de construção do discurso muito presente na linguagem da escritora, na qual a personagem deixa de narrar para fazer reflexões acerca do próprio comportamento. Essa técnica é chamada de “fluxo de consciência”.

Resolução da questão: Alternativa “c”. 

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