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Em 28/02/2014 14h52, atualizado em 28/02/2014 14h59

Protestos na Venezuela e Revolução Bolivariana

Atualidades

Os protestos no início de 2014 têm trazido à tona os debates e a possível continuidade da Revolução Bolivariana na Venezuela. Por Tales dos Santos Pinto
A Revolução Bolivariana e o petróleo na Venezuela tornam os conflitos no país alvo do interesse internacional
A Revolução Bolivariana e o petróleo na Venezuela tornam os conflitos no país alvo do interesse internacional
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A Venezuela verificou no mês de fevereiro de 2014 uma série de protestos que tomou as ruas de várias cidades do país, contando com milhares de pessoas, de oposição e de apoio ao governo do presidente Nicolás Maduro. Houve ainda a construção de barricadas em diversas localidades, que impediam o deslocamento de pessoas e veículos, além de haver ataques a prédios públicos.

Choques entre manifestantes de ambos os lados, como também choques com as forças policiais, apresentaram números de mortos que variam de acordo com a origem das fontes.

Motivos dos protestos

Os protestos iniciaram-se no começo de fevereiro de 2014 por estudantes da cidade andina de San Cristóbal e alastraram-se pelo país. Os motivos iniciais seriam os problemas decorrentes dos altos índices de criminalidade e também da possível repressão das forças policiais contra os protestos.

Porém, com o passar dos dias, as manifestações voltaram-se contra a situação econômica do país, marcada pela falta de bens de consumo individuais e por uma inflação que alcançou o patamar de 56% em 2013. As manifestações passaram então a se direcionar também contra o presidente Nicolás Maduro, sendo que setores da oposição levantaram a bandeira “La salida” (a saída do presidente), principalmente através do líder oposicionista Leopoldo López, que acabou sendo preso no dia 18 de fevereiro.

Eventos tão recentes na história não são tão utilizados como temas para os vestibulares. Entretanto, o que ocorre na Venezuela em 2014 é resultado das mudanças implementadas no país desde a eleição de Hugo Chávez (1954-2013) para a presidência da República, em 1998.

Revolução Bolivariana

Ao assumir o cargo no ano seguinte, Chávez iniciou o que ele próprio denominou de Revolução Bolivariana, pretendendo construir com essa revolução o chamado socialismo do século XXI. Nicolás Maduro assumiu o poder em 2013, após ser indicado como sucessor pelo próprio Chavéz e ser eleito em abril do mesmo ano.

Como não é difícil perceber, tal processo intensificou as tensões sociais no país, principalmente pelo fato de Chávez declarar o interesse em acabar com os privilégios das classes dominantes da Venezuela, buscando governar para os mais pobres.

Hugo Chávez, ex-militar do exército venezuelano, já havia tentado chegar ao poder em 1992, através de um golpe militar de Estado contra o então presidente Carlos Andrés Pérez. Ficou preso por dois anos depois do fracasso do golpe.

Ao sair da prisão, organizou o Movimento Quinta República, composto por organizações partidárias, sindicais e populares que o elegeram em 1998. Durante seu governo, Hugo Chavéz reformou a Constituição venezuelana, criando uma estrutura de maior participação popular nas decisões. Era uma inclinação de uma democracia participativa sobre as antigas instituições da democracia representativa. Nessa nova configuração, enfrentou quinze eleições, vencendo a maioria delas, sendo que todas foram aprovadas por organismos internacionais.

O ex-presidente Hugo Chávez, que faleceu em 2013*
O ex-presidente Hugo Chávez, que faleceu em 2013*

Hugo Chávez tinha como programa de governo o combate à pobreza, a nacionalização do petróleo, a reforma agrária, a união latino-americana e o enfrentamento ao imperialismo. Seus defensores apontam uma série de medidas sociais que beneficiou as camadas mais pobres da população, como a erradicação do analfabetismo, o aumento substancial do salário mínimo, a diminuição da desigualdade social, melhorias na saúde pública, a criação de organizações comunitárias de participação popular e várias outras medidas.

O enfrentamento ao chamado imperialismo, principalmente o dos EUA, é apontado como um dos problemas enfrentados pelo chamado chavismo na Venezuela. Seu alinhamento com Cuba e outros países desafetos dos EUA causou uma oposição dos governos estadunidenses contra seu governo, possivelmente por ser um dos principais países produtores de petróleo.

Golpe de Estado de 2002

Essa postura dos governos dos EUA teria levado o país a aliar-se aos opositores da Revolução Bolivariana na Venezuela, principalmente os grandes empresários, partidos políticos de direita, os grandes grupos de comunicações e setores do exército. Essa aliança teria resultado em 2002 em um golpe de Estado que depôs por algumas horas Hugo Chavéz. Em seu lugar, Pedro Carmona, presidente da FEDECÁMARAS (principal conglomerado empresarial do país), pronunciou-se como presidente do país, com apoio dos EUA.

Entretanto, a manifestação popular nas ruas do país levou Chavéz novamente ao poder. Dois anos depois, um reverendo confirmou seu mandato presidencial. Em 2006, Chavéz foi reeleito presidente da República. A oposição que se coloca contra Nicoláz Maduro em 2014 esteve envolvida com o golpe de Estado de 2002, inclusive Leopoldo López.

Situação Atual

É por esses motivos que os defensores do presidente Nicoláz Maduro apontam que o crescimento das manifestações em 2014 está relacionado com uma tentativa de novo golpe, já que os opositores do presidente estariam esperando que as dificuldades econômicas e sociais pelas quais passa o país criassem as condições propícias para pôr fim à Revolução Bolivariana. As denúncias de limitação à atividade da imprensa, do aumento da criminalidade e dos problemas de abastecimento seriam decorrentes das políticas adotadas nos 15 anos de chavismo. A aproximação com Cuba levou os opositores de Maduro a afirmarem que há uma ditadura nos moldes cubanos no país.

Entretanto, defensores do regime apontam o grande número de eleições e referendos populares para afirmar o caráter democrático do regime. A imensa maioria dos grupos de comunicação é de propriedade privada e contrária ao regime. A crise de abastecimento seria também decorrente de um boicote internacional e também dos grandes comerciantes do país, segundo os chavistas.

A imprensa internacional, principalmente a dos EUA, estaria também criando uma imagem de instabilidade política e social no país para assim legitimar uma intervenção internacional caso a situação se torne ainda mais caótica.

Porém, há possibilidades de resolução eleitoral em 2016, quando haverá eleições legislativas e será possível convocar um referendo para avaliar o governo de Maduro, bem como sua continuidade ou não.

* Crédito da Imagem: Northfoto e Shutterstock.com

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