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Em 28/09/2015 15h45, atualizado em 28/09/2015 16h07

Crise da Grécia no Vestibular e Enem

Atualidades

Crise econômica da Grécia é assunto constante na editoria Internacional dos jornais em 2015 Por Adriano Lesme
Situação da Grécia na União Europeia é delicada
Situação da Grécia na União Europeia é delicada
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Além da crise dos refugiados, alguns países da Europa enfrentam dificuldade financeira, em destaque a Grécia. A crise econômica grega é assunto cotidiano nos noticiários do mundo e, por isso, pode aparecer em questões de vestibular e Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que envolvem temas atuais. Mas por que a crise na Grécia é tão noticiada? O Brasil Escola te ajuda a esclarecer o tema e a se preparar para eventuais questões em processos seletivos.

A crise econômica na Grécia tem sua origem no gasto público exacerbado, que se tornou patente a partir de 2001, quando o país adotou o Euro como moeda. A situação piorou com os gastos para as Olimpíadas de 2004, em Atenas. Segundo dados do Ministério de Finanças da Grécia, quase 9 bilhões de euros foram gastos nas obras e grande parte desse recurso foi financiado com empréstimos privados. A expectativa era recuperar o valor investido com o turismo durante os jogos e com o legado olímpico, mas a Olimpíada arrecadou bem menos do que esperado, algo em torno de 25% do investimento.

No entanto, desde a década de 1990 os gastos gregos com seguridade social, previdência, entre outras áreas são vultosos, o que acabou por elevar o valor da dívida a 320 bilhões de euros. Para cobrir o rombo, o governo grego passou a buscar crédito em organismos de finanças internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI). Fato semelhante aconteceu com o Brasil durante do Governo de Fernando Henrique Cardoso (FCH), quando foram acordados três empréstimos com órgão.

União Europeia

A Grécia faz parte da União Europeia (U.E) desde 1981, mas somente em 2001 passou a adotar o Euro como moeda oficial. A união monetária entre os países do bloco econômico os torna economicamente integrados, ou seja, se a Grécia ou qualquer outro país da U.E não quita sua dívida, os outros membros terão que arcar com as despesas, em especial a Alemanha. 

Segundo Cláudio Fernandes, mestre em História e professor do Brasil Escola, “o valor do Euro se pauta basicamente no Marco (a moeda alemã), pois, dos países da zona do Euro, a Alemanha é o mais próspero e o mais austero”. Os bancos alemães foram alguns dos principais credores da economia grega, fazendo transações como empréstimos a empresários do país.

Mas será que a Grécia pode sair da União Europeia? De acordo com Rodolfo Ferreira, mestre em Geografia, é improvável que isso aconteça. “Uma saída da Grécia da União Europeia seria, economicamente, ruim para os gregos e, politicamente, ruim para o bloco. Primeiro, porque a Grécia teria que reorganizar toda a sua política monetária em torno de uma nova moeda. Segundo, porque os demais países da União Europeia que possuem altas dúvidas, como Portugal e Itália, poderiam seguir o caminho da Grécia, gerando um efeito cascata”. Por outro lado, Rodolfo comenta que uma saída da Grécia poderia unir ainda mais os países em torno do Euro, sendo prejudicial somente para o país mediterrâneo, que representa apenas 2% do Produto Interno Bruto (PIB) da U.E.

Tsípras

Afinal, quem é esse tal de Tsípras que se ouve tanto? Aléxis Tsípras, político de extrema esquerda, é o atual primeiro-ministro da Grécia, reeleito em setembro desse ano após renunciar em agosto. Como assim foi reeleito um mês depois? Tsípras é conhecido por atitudes incomuns, como se negar a fazer um juramento religioso na sua cerimônia de posse por se dizer ateu, e renunciou porque, segundo ele, tinha o dever moral de convocar novas eleições após ser aprovado um novo pacote feito pelos credores europeus para salvar a economia da Grécia. 

Aléxis Tsípras é líder do partido de esquerda Syrisa. Seus discursos e suas ações acentuam a perspectiva oposta à da política de austeridade alemã, ou seja, de racionalização dos gastos públicos, corte de verbas para programas sociais e assistencialistas, etc. Além disso, chamou a atenção a sua retórica pautada na ideia da "justiça histórica", quando disse publicamente que a Alemanha devia à Grécia cerca de 278 bilhões de euros por conta da ocupação nazista na década de 1940.

Esses discursos em nada agradam aos credores europeus, principalmente os alemães, o que acaba gerando também uma crise política, além da econômica. No entanto, o Syrisa anunciou recentemente que se unirá com outros partidos, até mesmo de direita, para formar uma coalização para recuperação da economia. A Grécia deve aplicar o plano de reformas acordado com os credores europeus para receber uma ajuda de 86 bilhões de euros.

Vestibular e Enem

O que será que pode cair no vestibular e Enem sobre a crise na Grécia? Segundo Cláudio Fernandes, os alunos precisam se atentar para a história econômica recente da Europa, sobretudo após a queda do muro de Berlim. “Procurar informações sobre a criação do Euro e da União Europeia, estudar o fato citado por Tsipras sobre a invasão nazista da Grécia em 1941 e os desdobramentos que isso teve para o país e tomar conhecimento do 'modus operandi' dos credores da Grécia: FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu” - aconselha o professor de História do Brasil Escola.

Já o professor Rodolfo Ferreira acredita que, se a crise da Grécia aparecer no Enem, ela estará relacionada com a própria crise financeira do capital que a gerou ou com alguma característica socioespacial e política da Europa, como a formação da União Europeia, as medidas de austeridade impostas pelo FMI ou a perspectiva da população que não aceita tais medidas de arrocho financeiro.

O professor de Geografia lembra que o Enem costuma cobrar questões interdisciplinares entre Geografia e História, como no caso da crise econômica iniciada em 2008 nos Estados Unidos e agravada na Europa em 2011. “O Enem relacionou o episódio com a crise de 1929, que foi uma crise de superprodução, enquanto que a crise recente foi financeira. Depois, o exame também abordou o assunto sob a perspectiva da falta de empregos na Espanha” - relata Rodolfo.

Os vestibulares e Enem também podem cobrar as características de um bloco com União Política e Monetária, como é o caso da União Europeia. O professor Rodolfo destaca algumas: a) possibilidade de grandes acordos comerciais internacionais (vide o acordo recente entre União Europeia e Estados Unidos); b) adoção do euro, que é uma moeda valorizada, embora isso possa trazer impactos negativos em economias mais fragilizadas; c) livre circulação entre os países e também entre mercadorias nas áreas dos países-membros, o que promove uma integração comercial e social maior; d) aumento no número de investimentos recebidos.

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