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Em 15/07/2014 11h38, atualizado em 21/07/2014 10h04

Variedades linguísticas no Enem

Enem

Identificar as variedades linguísticas no Enem é uma das competências exigidas na matriz de referência da prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. Por Luana Castro Alves Perez
As variedades linguísticas podem ser regionais, sociais, históricas e de estilo, e estão associadas à linguagem coloquial.
As variedades linguísticas podem ser regionais, sociais, históricas e de estilo, e estão associadas à linguagem coloquial.
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Saber identificar as variedades linguísticas no Enem é uma das competências previstas na matriz de referência do Exame Nacional do Ensino Médio. O assunto foi tema de várias questões desde a criação do Exame em 1998, e, em virtude de sua relevância, o Vestibular Brasil Escola traz para você mais uma dica para a prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias.

Além de identificar as variedades linguísticas nos gêneros textuais, o candidato deve compreender que a língua portuguesa é um poderoso elemento para a construção de nossa identidade cultural, pois as marcas linguísticas singularizam as variedades linguísticas sociais, regionais e de registro. Está em vantagem o candidato que sabe reconhecer os usos da norma-padrão da língua portuguesa, relacionando as variedades linguísticas com situações específicas de uso social. Portanto, é importante que você saiba que, embora a língua portuguesa seja nosso idioma oficial, existem variações regionais, sociais, históricas e de estilo, mesmo porque seria impossível que um país com dimensões continentais apresentasse uniformidade na modalidade oral.

Agora que você já sabe o que é variação linguística, fique atento à maneira como o Exame cobra o assunto na prova:

Questão 106 – Enem 2013

Até quando?

Não adianta olhar pro céu 
Com muita fé e pouca luta 
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer 
E muita greve, você pode, você deve, pode crer 
Não adianta olhar pro chão 
Virar a cara pra não ver 
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus 
Sofreu não quer dizer que você tenha que sofrer!

GABRIEL, O PENSADOR. Seja você mesmo (mas não seja sempre o mesmo).
 Rio de Janeiro: Sony Music, 2001 (fragmento).

As escolhas linguísticas feitas pelo autor conferem ao texto

a) caráter atual, pelo uso de linguagem própria da internet.
b) cunho apelativo, pela predominância de imagens metafóricas.
c) tom de diálogo, pela recorrência de gírias.
d) espontaneidade, pelo uso da linguagem coloquial.
e) originalidade, pela concisão da linguagem.

Comentário da questão: Típica do rap, a linguagem coloquial é responsável por conferir o efeito de espontaneidade à letra da música. A linguagem coloquial está associada a um contexto informal de comunicação, portanto, a intenção da música foi reproduzir essa comunicação.

Resolução da questão: Alternativa “d”.

Questão 117 – Enem 2012

Cabeludinho

Quando a Vó me recebeu nas férias, ela me apresentou aos amigos: Este é meu neto. Ele foi estudar no Rio e voltou de ateu. Ela disse que eu voltei de ateu. Aquela preposição deslocada me fantasiava de ateu. Como quem dissesse no Carnaval: aquele menino está fantasiado de palhaço. Minha avó entendia de regências verbais. Ela falava de sério. Mas todo-mundo riu. Porque aquela preposição deslocada podia fazer de uma informação um chiste. E fez. E mais: eu acho que buscar a beleza nas palavras é uma solenidade de amor. E pode ser instrumento de rir. De outra feita, no meio da pelada um menino gritou: Disilimina esse, Cabeludinho. Eu não disiliminei ninguém. Mas aquele verbo novo trouxe um perfume de poesia à nossa quadra. Aprendi nessas férias a brincar de palavras mais do que trabalhar com elas. Comecei a não gostar de palavra engavetada. Aquela que não pode mudar de lugar. Aprendi a gostar mais das palavras pelo que elas entoam do que pelo que elas informam. Por depois ouvi um vaqueiro a cantar com saudade: Ai morena, não me escreve / que eu não sei a ler. Aquele a preposto ao verbo ler, ao meu ouvir, ampliava a solidão do vaqueiro.

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BARROS, M. Memórias inventadas: a infância. São Paulo: Planeta, 2003.

No texto, o autor desenvolve uma reflexão sobre diferentes possibilidades de uso da língua e sobre os sentidos que esses usos podem produzir, a exemplo das expressões “voltou de ateu”, “disilimina esse” e “eu não sei a ler”. Com essa reflexão, o autor destaca

a) os desvios linguísticos cometidos pelos personagens do texto.
b) a importância de certos fenômenos gramaticais para o conhecimento da língua portuguesa.
c) a distinção clara entre a norma culta e as outras variedades linguísticas.
d) o relato fiel de episódios vividos por Cabeludinho durante as suas férias.
e) a valorização da dimensão lúdica e poética presente nos usos coloquiais da linguagem.

Comentário da questão: “eu acho que buscar a beleza nas palavras é uma solenidade de amor” e “Aprendi a gostar mais das palavras pelo que elas entoam do que pelo que elas informam” são afirmações que corroboram com a ideia de que, para o autor, há valor lúdico e poético nos usos coloquiais da linguagem. Ele não questiona se está certo ou errado, apenas reconhece a importância dos significados construídos através do uso da linguagem coloquial e também sua expressividade.

Resolução da questão: Alternativa “e”. 

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