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Em 20/06/2014 15h01, atualizado em 23/06/2014 09h42

Literatura e escritores no Enem

Enem

Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira estão entre os mais requisitados escritores no Enem. Por Luana Castro Alves Perez
Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira estão entre os poetas mais requisitados pelo Enem.
Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira estão entre os poetas mais requisitados pelo Enem.
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Alguns escritores são figurinhas facilmente encontradas na prova de Linguagens e Códigos do Enem. Basta fazer um levantamento desses quinze anos de Exame Nacional do Ensino Médio para descobrir que perguntas sobre a obra de Carlos Drummond de Andrade e de Manuel Bandeira nem são mais tão surpreendentes assim. Pensando nisso, o Vestibular Brasil Escola traz para você dicas sobre literatura e escritores no Enem.

Mas por que a reincidência desses escritores nas provas? Dada a relevância da obra de Carlos Drummond de Andrade e de Manuel Bandeira, nada mais justo do que torná-los objeto de análise e estudo. Observe as características das obras de cada um dos escritores, elemento necessário para responder corretamente às questões: 

Carlos Drummond de Andrade no Enem e o que o candidato deve saber:

    As quatro fases da poesia drummondiana:
Fase gauche;
Fase social;
Fase filosófica/nominal,
Fase final, também conhecida como fase de memórias.

    O engajamento social e político do poeta está refletido na Fase social, que compreende os anos de 1937 a 1945. O Enem é conhecido por cobrar de seus candidatos uma postura ética, humanista e cidadã, por isso a preferência pelos poemas dessa fase. Os livros que a representam são “A Rosa do Povo”, “Sentimento do mundo” e “Alguma Poesia”. Observe a questão sobre Carlos Drummond de Andrade no Enem de 2009:

Confidência do Itabirano

Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e
[comunicação.
A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e
[sem horizontes.
E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.
De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:
esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil,
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...
Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!

ANDRADE, C. D. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003.


Carlos Drummond de Andrade é um dos expoentes do movimento modernista brasileiro. Com seus poemas, penetrou fundo na alma do Brasil e trabalhou poeticamente as inquietudes e os dilemas humanos. Sua poesia é feita de uma relação tensa entre o universal e o particular, como se percebe claramente na construção do poema Confidência do Itabirano. Tendo em vista os procedimentos de construção do texto literário e as concepções artísticas modernistas, conclui-se que o poema acima

a) representa a fase heroica do modernismo, devido ao tom contestatório e à utilização de expressões e usos linguísticos típicos da oralidade.
b) apresenta uma característica importante do gênero lírico, que é a apresentação objetiva de fatos e dados históricos.

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c) evidencia uma tensão histórica entre o “eu” e a sua comunidade, por intermédio de imagens que representam a forma como a sociedade e o mundo colaboram para a constituição do indivíduo.
d) critica, por meio de um discurso irônico, a posição de inutilidade do poeta e da poesia em comparação com as prendas resgatadas de Itabira.
e) apresenta influências românticas, uma vez que trata da individualidade, da saudade da infância e do amor pela terra natal, por meio de recursos retóricos pomposos.

Resolução: Alternativa “c”. É possível observar a tensão entre o “eu” e a sua comunidade através da análise dos versos “Itabira é apenas uma fotografia na parede./ Mas como dói!

Manuel Bandeira no Enem e o que o candidato deve saber: 

    Características da obra de Manuel Bandeira:
Paixão pela vida;
Morte;
Amor; 
Erotismo;
Solidão;
Angústia;
Cotidiano,
Infância.

    As questões sobre Manuel Bandeira normalmente estão associadas à participação do poeta no movimento Modernista, bem como aos aspectos líricos e formais de seus poemas. Observe a questão sobre Manuel Bandeira no Enem de 2011:

Estrada
Esta estrada onde moro, entre duas voltas do caminho,
Interessa mais que uma avenida urbana.
Nas cidades todas as pessoas se parecem.
Todo mundo é igual. Todo mundo é toda a gente.
Aqui, não: sente-se bem que cada um traz a sua alma.
Cada criatura é única.
Até os cães.
Estes cães da roça parecem homens de negócios:
Andam sempre preocupados.
E quanta gente vem e vai!
E tudo tem aquele caráter impressivo que faz meditar:
Enterro a pé ou a carrocinha de leite puxada por um bodezinho manhoso.
Nem falta o murmúrio da água, para sugerir, pela voz dos símbolos,
Que a vida passa! que a vida passa!
E que a mocidade vai acabar.

BANDEIRA, M. O ritmo dissoluto. Rio de Janeiro: Aguilar, 1967

A lírica de Manuel Bandeira é pautada na apreensão de significados profundos a partir de elementos do cotidiano. No poema Estrada, o lirismo presente no contraste entre campo e cidade aponta para

a) desejo do eu lírico de resgatar a movimentação dos centros urbanos, o que revela sua nostalgia com relação à cidade.
b) a percepção do caráter efêmero da vida, possibilitada pela observação da aparente inércia da vida rural.
c) a opção do eu lírico pelo espaço bucólico como possibilidade de meditação sobre a sua juventude.
d) a visão negativa da passagem do tempo, visto que esta gera insegurança.
e) a profunda sensação de medo gerada pela reflexão acerca da morte.

Resolução: Alternativa “b”. O eu lírico retoma a oposição conceitual entre campo e cidade, deixando clara sua visão de que o campo é superior à cidade. A vida campestre possibilita que o eu lírico possa refletir sobre sua vida, mesmo porque nela a calmaria prevalece, diferentemente do que acontece na cidade, com um ritmo de vida totalmente diverso. A vida pacata permite que o eu lírico perceba a efemeridade da vida.

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