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Em 09/04/2019 16h11, atualizado em 01/01/2001 00h00

Tragédias em escolas e a importância da psicologia no ambiente educacional

Blog da Redação

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Ataques em Suzano, Goiânia e Realengo são exemplos de tragédias geradas por distúrbios emocionais sofridos na infância. Por Giullya Franco
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Nos últimos anos, casos de violência relacionados a jovens e envolvendo escolas têm chamado a atenção no Brasil e preocupado pais, professores, autoridades e sociedade em geral. O último deles aconteceu em março, na cidade de Suzano (SP), e deixou 10 mortos (oito vítimas mais os dois assassinos) e 11 feridos.

O caso trouxe à tona, mais uma vez, não só a preocupação com a segurança das escolas, mas o alerta quanto ao estado psicológico das crianças e adolescentes no ambiente educacional. Na maioria das vezes, os autores dos ataques são alunos ou ex-alunos do colégio, como foi o caso de Suzano.

Veja também: Só reforçar segurança não evita ataques a escolas, dizem especialistas

Mesmo que as investigações de Suzano ainda estejam em andamento e que a motivação do crime não tenha sido esclarecida, a Polícia Civil de São Paulo afirmou que os jovens buscavam reconhecimento dentro da própria comunidade e publicidade na mídia, com a pretensão de mostrar que eram tão cruéis quanto os atiradores da conhecida tragédia de Columbine, nos Estados Unidos.

Trabalhar com o desenvolvimento humano é importante para conhecer as características comuns de cada faixa etária e entender as formas de comportamento de cada um diante da sociedade. Muitos fatores influenciam no desenvolvimento de cada pessoa: hereditariedade; crescimento físico; maturidade neurofisiológica; e o meio – conjunto de influências gerado pelo ambiente de convívio do indivíduo que altera e define alguns de seus padrões de comportamento.

Estudar este desenvolvimento significa conhecer as características comuns de uma faixa etária e ver que existem formas de perceber, compreender e se comportar diante do mundo, próprias de cada uma. Quando tratamos de adolescentes é importante lembrar que falamos de uma faixa etária em que a pessoa vive em conflitos na esfera emocional, no qual há a busca por um conceito de liberdade, justiça, transformações etc. E é nesta parte que se encaixa a importância da psicologia educacional. Violência, exclusão, preconceitos e agressões fazem parte da rotina diária de escolas e, nem sempre, os professores estão preparados para lidar com isso.
 
Veja também: Tragédia de Suzano: como trabalhar o luto nas crianças

A necessidade de inserir a psicologia nas escolas vai além da tentativa de solucionar problemas pontuais e fazer atendimento individual a alunos, sendo uma forma de trabalhar de modo integrado em todo o ambiente escolar. O primeiro apoio deve ser dado ao professor, para que ele saiba perceber o problema do aluno e encaminhá-lo para o profissional mais adequado. Por meio do auxílio de um psicólogo educacional, o professor poderá otimizar seu trabalho em sala de aula, aprendendo a lidar com seus próprios problemas emocionais para desenvolver uma melhor orientação ao aluno.

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Durante o processo de aprendizagem, a criança ou estudante é o fator chave e a psicologia educacional contribui para que o professor possa conhecer quais são as habilidades, interesses e atitudes dos seus alunos, além de permitir a compreensão sobre o estado que a criança ou adolescente se encontra em relação ao desenvolvimento emocional, social e intelectual. Esses aspectos, que muitas vezes são ignorados no processo de educação, são fundamentais para o desenvolvimento do aluno. Com o poio da psicologia educacional é possível gerar uma orientação adequada aos estudantes para auxiliá-los em seus conflitos, desejos e relacionamento em grupos.

A forma como cada pessoa em sua infância lida com problemas ou violências sociais vai depender da estrutura da vítima, predisposição genética e os outros fatores já mencionados anteriormente, sendo que, as vítimas, em maior ou menor proporção, podem levar marcas para o decorrer da vida. Neste caso, uma série de problemas podem ser desencadeados, desde o desinteresse na escola, transtornos de pânico, depressão e, nos casos mais graves, a violência, gerando essas tragédias que temos vivenciado nos últimos anos.

Bullying

Em 2017, outro caso deixou o país de luto. Um jovem de apenas 14 anos levou uma arma para a escola, em Goiânia (GO), matou dois estudantes e deixou mais quatro feridos. De acordo com as informações da Polícia Militar, ele estaria sofrendo bullying, se revoltou, e cometeu o atentado. Em 2011, em Realengo (RJ), houve outro caso semelhante. Um homem de 23 anos invadiu uma escola e deixou 12 alunos mortos. Ele também era ex-aluno do colégio e, segundo os depoimentos das investigações, ele tinha distúrbios psicológicos e sofria bullying nos anos em que estudou no local.

Veja mais: Massacre em Suzano (SP) choca pela crueldade e reproduz tipo de crime cada vez mais comum no Brasil

Geralmente, é na faixa dos 11 aos 15 anos que se observa uma maior frequência de casos de bullying e violência. Na maioria das vezes, as vítimas enfrentam essa situação na escola e, ao longo de sua vida, sofrem com as mais variadas consequências, necessitando de apoio psicológico para superar as marcas e traumas gerados por esse tipo de agressão. Por isso, antes que esse comportamento discriminatório no ambiente escolar traga consequências mais graves, a prevenção é a melhor opção a ser tomada pelos estabelecimentos de ensino.

Em conclusão, devemos enxergar a relevância do papel do Psicólogo no ambiente escolar tanto como propulsor do desenvolvimento infantil quanto da inclusão no meio social. Por meio desta área de atuação, os professores, diretores, administradores e demais educadores podem desenvolver uma atitude mais solidária com os alunos, incentivando-os a crescer e se tornarem pessoas melhores.

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