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Em 16/12/2013 11h52, atualizado em 06/01/2014 18h21

Nelson Mandela e seu legado na África do Sul

Atualidades

A vida de Nelson Mandela foi marcada pela luta contra o apartheid e pela união de brancos e negros na África do Sul. Por Tales dos Santos Pinto
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Em 05 de dezembro de 2013 morreu, aos 95 anos, Nelson Mandela, o mais conhecido dos opositores ao apartheid na África do Sul, o regime de segregação racial que vigorou oficialmente no país entre as décadas de 1940 e 1990. A morte de Madiba, um dos apelidos dado à Mandela, foi procedida de um longo funeral que se estendeu até o dia 15 de dezembro, mobilizando grande parte da população sul-africana e chefes de governos de vários países do mundo.

Uma chefe de governo presente no funeral foi a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff. Em seu discurso, Dilma destacou o legado e a importância de Mandela para a luta pelos direitos humanos e o impacto que essa luta teve no mundo, transcendendo as fronteiras da África do Sul, principalmente as ações efetuadas no sentido de se alcançar uma reconciliação nacional e a construção de um novo país.

Nelson Mandela nasceu em 1918, em Transkei, com o nome de Rolihlahla Mandela. Filho de um casal oriundo de famílias aristocráticas, Mandela perdeu o pai muito cedo. Entretanto, isto não impediu que Mandela tivesse uma formação baseada nos valores culturais europeus e africanos. A passagem por uma instituição de ensino cristã, o levou a adotar o nome de Nelson.

Sua vida política se iniciou na década de 1940, após ter se tornado advogado. Em 1942 fundou a liga jovem do Congresso Nacional Africano (CNA), pretendendo organizar a juventude negra contra o regime do apartheid na África do Sul.

O regime do apartheid, termo que significa segregação, iniciou-se na África do Sul após a chegada ao poder do Partido Nacional Africânder, formado pelos brancos protestantes de ascendência holandesa que habitavam o país. Antes da institucionalização, práticas de segregação racial eram utilizadas no país desde o período da colonização.

Ao se transformar em regime de Estado, a negação de direitos sociais, políticos e econômicos aos negros se tornou oficial na África do Sul. O intuito era realizar uma segregação total entre brancos e negros, seja em relação à ocupação dos espaços geográficos urbanos, seja no acesso às terras cultiváveis ou às áreas de riquezas naturais. Chegou a ser formado na África do Sul os bantustões, estados tribais destinados a manter a segregação, e levar estas tribos a se auto-organizar.

A luta inicial de Mandela e seus companheiros contra o apartheid baseou-se na atuação pacífica através da desobediência civil. Entretanto, a luta tomaria outro rumo na década de 1960. O estopim foi a intensificação da repressão do Estado contra os opositores do apartheid e, principalmente, o Massacre de Shaperville, em 1960, quando cerca de 69 pessoas morreram ao se manifestarem contra a obrigatoriedade de portar cartões de identificação que limitavam seu deslocamento entre as áreas destinadas a brancos e negros.

A partir daí o CNA, e também Nelson Mandela, adotaram a luta armada como forma de enfrentamento do regime racista da África do Sul. Com a constituição, em 1961, do Umkhonto weSizwe, o braço armado do CNA, foram realizadas várias ações de sabotagem, como o ataque a usinas hidrelétricas, por exemplo. O CNA foi posto na ilegalidade, e seus líderes seriam presos nessa nova onda repressiva. Mandela foi pego pelas forças policiais em 1963, sendo condenado à prisão perpétua pelo julgamento de Rivonia, em 1964.

Representação de Mandela em mural na cidade de Barcelona, Espanha
Representação de Mandela em mural na cidade de Barcelona, Espanha **

Nelson Mandela passou 27 anos na prisão. Durante esse período as pressões internacionais contra o regime racista do apartheid ganharam maior volume, à medida que a repressão incidia sobre as manifestações dos negros, contrários ao regime. Um desses momentos foi o levante de Soweto em 1976. Ao mesmo tempo a notoriedade de Mandela também crescia, devido a seu longo cativeiro e as denúncias feitas através de cartas dificilmente escritas, e clandestinamente enviadas para fora da prisão.

As políticas reformistas pelo fim do apartheid se iniciaram no fim da segunda metade da década de 1980, devido aos diversos boicotes à África do Sul, fossem eles econômicos ou mesmo esportivos. No governo de Frederik de Klerk, na década de 1990, o apartheid foi oficialmente extinto, levando Nelson Mandela à liberdade.

A figura política de Mandela à frente do CNA foi de extrema importância para evitar uma guerra civil na África do Sul. A violência em ambos os lados aumentou no início da década de 1990, ocorrendo diversas chacinas e massacres, principalmente contra os negros. Houve uma polarização entre o CNA e o Inkhanta, um grupo nacionalista da etnia zulu, que lutava pela criação de estados separados entre brancos e negros.

A atuação de Nelson Mandela e do CNA foi essencial para garantir a unidade territorial da África do Sul. A ação de Mandela legou a ele o prêmio Nobel da Paz, em 1993, e vitória nas eleições presidenciais em 1994. Mandela governou até 1999, ancorado principalmente em políticas sociais e habitacionais que atendessem a população negra da África do Sul. Uma nova constituição foi promulgada, garantindo a estabilidade política no país. Era uma tentativa de acabar com o legado histórico do apartheid e criar uma democracia representativa.

Estátua de Nelson Mandela em praça que leva seu nome em Jhoannesburgo, África do Sul
Estátua de Nelson Mandela em praça que leva seu nome em Jhoannesburgo, África do Sul ***

Após sua saída do governo, Mandela passou a se dedicar à criação de uma milionária fundação que leva seu nome, atuando no auxílio a crianças e portadores do vírus HIV.

Por outro lado, a ascensão do CNA e de Mandela ao poder levou à formação de uma nova elite econômica no país. O acesso a cargos públicos se tornou uma forma de conseguir uma ascensão econômica e social, principalmente através da corrupção. A família Mandela foi um dos grupos beneficiados com essa situação. São mais de 200 empresas com envolvimento na direção de parentes do líder sul-africano.

No aspecto social, o fim do apartheid não resolveu a maioria dos problemas da população trabalhadora do país. À época do falecimento de Mandela, o desemprego continuava alto, e a inflação era mais intensa para as camadas pobres da população sul-africana. A repressão contra os trabalhadores que se opõe a esta situação tem sido também intensa, como demonstra a repressão à greve dos mineiros de Marikana, em agosto de 2012, que resultou na morte de 44 trabalhadores. No que se refere à repressão, ironicamente, parece que a atuação do CNA conseguiu superar a segregação do apartheid, já que negros e brancos atuam de forma igual dentro das forças policiais sul-africanas.

* Crédito da imagem: Jstone e Shutterstock.com

** Crédito da imagem: Toniflap e Shutterstock.com

*** Crédito da imagem: Jaxons e Shutterstock.com

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