Em 09/09/2009 11h45

Demônio Familiar

Resumos de Livros

Por Wanessa de Almeida
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Henriqueta era filha de Vasconcelos e estava apaixonada por Eduardo. No entanto, esse, há algum tempo, a tratava com indiferença e até mesmo desprezo. Ela era a melhor amiga de Carlotinha, irmã dele. Carlotinha enxergava o amor da amiga e dizia que o irmão não estava com raiva, mas que também o nutria o mesmo sentimento por ela.

As duas tinham essa conversa no quarto de Eduardo, e Henriqueta até citou a janela do quarto como prova da indiferença, uma vez que antes eles fingiam não se ver pelas janelas e já agora ela mantinha a janela sempre fechada. Em meio a essa conversa Eduardo chegou e então Henriqueta foi embora, afinal estava no quarto de um moço solteiro. Eduardo apenas entrou perguntando por Pedro, seu escravo particular, e logo que esse chegou lhe fez as recomendações necessárias e foi embora.

Pedro ficou sozinho com Carlotinha e começou a falar de Alfredo, um rapaz que estava interessado nela. Exaltou suas qualidades, inventou que ele era rico, e já imaginava Carlotinha casada e convidando ele para ser seu chofer. Mas a menina fazia pouco caso, e não queria nem mesmo receber a carta. Sendo assim, Pedro a colocou escondida no bolso dela.

Depois disso Pedro foi falar com o irmão mais novo da casa, e contou como ele mandava versos bonitos para uma viúva rica que morava na casa da frente e mandou um verso maldoso para Henriqueta, tudo em nome de Eduardo, porque assim ele se arranjava com a mulher rica e não com a pobre.

Em seguida Alfredo veio ter com Pedro e lhe perguntou da resposta que Carlotinha havia dado a carta, mas ele contou uma história de que moça quando recebe carta a relê muitas vezes, analisa e depois que manda a resposta. Nesse momento ela chega e Pedro aconselha Alfredo a sair sem dizer nada, o que causa má impressão nela. Depois ela perguntou por que colocou aquela carta no bolso dela. Disse ainda que precisou mentir para a mãe, que por pouco não percebeu que ela tinha consigo uma carta de namoro.

Mais tarde, Eduardo chegou acompanhado de Azevedo, um amigo, e Pedro estava com eles também, no quarto do senhor. Azevedo acabava de voltar de Paris, e em toda a frase usava o francês junto ao português. Azevedo falava como a França era maravilhosa e como todos deveriam ir conhecer tais ares. Falava como era desenvolvida e como foi com a alma de um jovem e voltou como um velho saciado. Sendo assim, agora se lançaria na carreira pública e se casaria.

Falou ainda que ia se casar com Henriqueta, que não era rico o suficiente para se casar com moça pobre e que também não estava apaixonado, mas que se casar com uma mulher bonita faria bem para sua carreira, uma vez que ela atrairia olhares de homens importantes de quem ele se tornaria amigo para sua escalada social.

Quando ele foi embora, Pedro, que já tinha saído do aposento, foi chamá-lo para jantar. Ele não queria e Pedro disse à Carlotinha, que também tinha aparecido, que ela não queria comer porque Henriqueta ia se casar. E Eduardo justificava o casamento por interesse financeiro da parte dela. Carlotinha, que sabia de toda história, estava decidida a mostrar aos dois que sofriam uma confusão, uma vez que se amavam. Combinou de contar tudo ao irmão depois do jantar, quando a mãe deles, D. Maria, não atrapalhasse mais.

Carlotinha então contou que Henriqueta ficou magoada porque recebeu uns versos dele zombando-a, e que desde então ele mantinha a janela fechada, e que naquele dia ela tinha ido lá a fim de ver se ele a tratava com menos indiferença, para assim alimentar suas esperanças e ela negar o casamento. E como assim ele não fez, ela confirmou nessa tarde o casamento com Azevedo.

Por isso Eduardo chamou Pedro e pediu uma explicação, o negrinho explicou que trocava os versos para ele fazer um casamento lucrativo e, assim, ele poderia ser chofer. Eduardo só riu.

Quando Pedro e Carlotinha ficaram sozinhos novamente, ele falou que ia consertar aquela situação e convenceu a sinhazinha de mandar uma flor para Alfredo, porque assim alimentava o amor dele.

Depois dessa, Carlotinha escreveu à Henriqueta para que fosse à noite visitá-la e ver que Eduardo a amava. Quando ele veio perguntar se ela tinha mandado a carta, Carlotinha aproveitou para confessar a gravíssima falta que cometeu. Enviar uma flor a um rapaz.

Com isso Eduardo se lembrou do cargo de chefe de família que carregava e de como ele era responsável pela honra da família. Então, tranquilizou a irmã e disse que a culpa era só dele. Em seguida chegaram Henriqueta, Vasconcelos e Azevedo.

Azevedo logo se encantou pelo jeito de Carlotinha e prestou toda atenção na moça, que fazia do ambiente muito agradável. Henriqueta estava calada e triste, já que Eduardo não trocara palavra com ela. Na verdade ele estava conversando com Alfredo. Ao confirmar que os sentimentos dele em relação à Carlotinha eram sérios, propôs que passasse a frequentar a casa para que assim a honra não fosse manchada por erros que são cometidos quando se faz as coisas escondidos.

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Pedro também tratava de organizar as coisas. Inventou para Azevedo que Vasconcelos estava falando para toda a rua do ouvidor que ia casar a filha com moço rico e assim pagaria o que devia aos comerciantes dali, falou também que Henriqueta era uma moça muito feia. Que tudo na verdade era efeito de maquiagens, espartilhos e muito pano. A contrapartida exaltou os valores de Carlotinha, e quando foi perguntado se ela gostava de algum moço, disse que não. Que gostava de homens sérios como Azevedo e que esse rapaz, Alfredo, não tinha chances.

Nessa hora já estavam começando as despedidas. E Henriqueta estava triste quando Carlotinha veio ter com ela. Porém, finalmente Eduardo veio falar-lhe. Dizia que estava organizando as coisas para a irmã, e que essa provavelmente ia lhe contar do que se tratava. Depois se desculpou pela confusão dos versos, e se declararam. E assim ficaram decididos a lutar por seu amor.
Noutro dia, estava Henriqueta na casa de Carlotinha e essa perguntava a Pedro, sobre Alfredo, que desconversava. Mais tarde, quando Eduardo chegou, ele e Henriqueta conversaram. Ele falava que tinha encontrado um jeito de por fim ao futuro casamento dela. E ela queria saber como, mas Eduardo insistia que a ajuda que precisava dela era apenas o apoio do amor.

Seu plano na verdade consistia em pagar a dívida de poucos reis do pai dela, e assim o dinheiro de Azevedo não seria preciso. Com isso, o pai da moça aceitaria romper o noivado. Eduardo foi resolver esses negócios e Carlotinha e Henriqueta ficaram conversando. Ela disse que estava magoada com a amiga por não ter lhe contado os segredos de seu coração. E assim finalmente Carlotinha cedeu que estava apaixonada por Alfredo, e que ele há alguns dias não aparecia e estava zangado, tendo como única justificativa o momento em que ela o deixou para escrever a carta à amiga, e que ele até a viu a entregando a Pedro.

Nessa conversa, Henriqueta lhe perguntou por que a carta da amiga chegou pela mão de Azevedo, e ela não entendendo chamou Pedro. Este disse que se encontrou com Azevedo na rua. Como era para a noiva dele não viu mal em mandar a carta. Nesse tempo chegou Azevedo que cumprimentou as moças, e depois foi ter com Pedro. Afinal, ele falava que Carlotinha gostava dele, mas ela o tratava com frieza. Ao que ele respondeu que era natural, uma vez que ele era noivo. E assim Azevedo decidiu romper o noivado, indo ter com Vasconcelos.

Depois disso, Pedro contou a Jorge como Henriqueta e Eduardo iriam se casar, Azevedo e Carlotinha também, e D. Maria e Vasconcelos. Quando contava, Vasconcelos chegou e Pedro começou a falar que o futuro genro dele esteve por lá a falar mal dele. Nesse momento, Alfredo chegou para falar com Eduardo, e Vasconcelos foi atrás de Azevedo que tinha saído a pouco dali.

Estando Pedro e Alfredo sozinhos. Ele começou a reafirmar a ideia de que Carlotinha estava interessada em Azevedo, quando finalmente chegam, à presença de Carlotinha, Henriqueta e Eduardo. Ali elas tentam chamar a atenção dele e achar uma justificativa pra seu novo tratamento indiferente com Carlotinha. Finalmente quando estavam sozinhos, Alfredo falou que vinha interessado em pedir a mão da irmã dele em casamento, mas teve prova que ela não o amava.

Carlotinha que ouvia tudo entrou junto de Henriqueta desejando ter essa prova de que não o amava. Alfredo negou-se a dar, mas enfim falou que ela mandara uma carta a Azevedo, e que vira tudo. Carlotinha passou a negar o fato, e nesse instante Azevedo chega também, contando como rompeu o noivado, e Carlotinha se aproveita para fazê-lo falar que nunca recebeu carta alguma dela, o que eu ele confirma dizendo que caso tivesse recebido vinha declarar-lhe seu amor. Carlotinha o destrata e tenta convencer Alfredo que ama a ele.

D. Maria também aparece e quer saber o que está acontecendo e porque estão todos tão frios. E por fim Vasconcelos também chega contando das calúnias que ouviu de Azevedo e que tudo nascera naquela casa, logo eles deviam retirar sua convivência dali.

Todos estando chateados e feridos, se lamentam, porém quando Pedro lamenta por si próprio, Vasconcelos e Azevedo o indicam como quem pode esclarecer tudo. Mas antes que ele fale, Eduardo declara que a culpa é da sociedade brasileira, e conta como cada família tem seu demônio familiar que muitas vezes age para criar discórdias dentro das famílias.

Logo Pedro confirma que todas as histórias foram inventadas por ele para que Azevedo deixasse Henriqueta e ela pudesse ficar com Eduardo, e Carlotinha com o ex-noivo da amiga.

Eduardo não se zanga com Pedro, mas o castiga dando a liberdade para ele e fechando a porta de sua casa para tal. Eduardo ainda diz que a dívida que Vasconcelos tinha com Azevedo estava quitada e ficaria como o dote de Henriqueta. Carlotinha, incentivada por ele, perdoa Alfredo e assim Eduardo declara que agora cabia à família vigiar para que o demônio familiar não atuasse novamente.

Por Rebeca Cabral

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