Leia redações nota mil do Enem 2025

Confira textos de redações nota 1.000 na prova do Enem 2025 sobre o tema de envelhecimento populacional

Por Lucas Afonso
Foto do caderno de prova do Enem 2025
Leia texto na íntegra de redação nota máxima do Enem 2025 com o tema sobre envelhecimento populacional.
Crédito da Imagem: Foto - Brasil Escola
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O espelho da redação do Enem 2025 já foi liberado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Com ele, os candidatos têm acesso à imagem que reproduz o texto escrito no dia da prova.

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A nota da redação varia de zero a 1.000 pontos. São cinco competências que determinam notas de 0 a 200 em cada uma delas. Essas competências definem os critérios de correção da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

O tema da redação do Enem 2025 foi "Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira", na aplicação regular, que ocorreu em 9 de novembro. 

Leia também: Professores analisam tema da redação do Enem 2025

Redações nota mil do Enem 2025

Confira, a seguir, texto da redação nota mil do Enem 2025 escrito por Laryssa Melo, estudante do Colégio Ari de Sá, parceiro do SAS Educação.

A Constituição Federal de 1988 garante a todos os brasileiros o direito ao respeito e à dignidade humana, incluindo os idosos. Entretanto, as perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira, as quais são, em sua maioria, negativas, podem contrariar o texto constitucional. Isso ocorre devido à escassez de fiscalização e os preconceitos e deve, pois, ser alterada urgentemente.

De início, vale destacar que a escassez de fiscalização é uma grave falha estatal. Nesse sentido, cabe referência a Lei Orçamentária Anual (LOA), a qual indica quanto deve ser investido em cada setor, priorizando algumas áreas e subfinanciando outras. A exemplo destas, cabe citar o ramo da fiscalização, com destaque para o cumprimento de leis que priorizam o idoso, o qual recebe somente cerca de um por cento de verbas para seu funcionamento, o que compromete a qualidade de seus serviços. Essa precarização pode ser vista na falta de profissionais especializados nesse setor e no não envio constante de fiscalizações para locais necessitados da atividade, por exemplo. Muitos lugares como "shoppings" e mercados possuem, por lei, vagas exclusivas para pessoas com mais de sessenta anos e filas prioritárias. No entanto, muitas vezes, tais normas são desrespeitadas tanto por clientes, quanto por funcionários, os quais, sem a devida vigilância, continuam a infringir leis que asseguram os direitos dos mais velhos, demonstrando uma perspectiva negativa acerca do envelhecimento populacional. Urge, então, uma mudança nesse cenário adverso. 

Ademais, o preconceito contra anciãos, denominado etarismo, agrava o problema. Nesse contexto, cabe fazer menção ao pensamento de Albert Einstein, segundo o qual é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. Tal premissa se verifica na sociedade brasileira na medida em que grande parte da população possui uma visão inadequada acerca dos idosos, percebendo-os como incapazes e fracos para realizar qualquer atividade e compromisso, o que acarreta a não aceitação, muitas vezes, de pessoas com idades mais avançada no mercado de trabalho e a apropriação da renda do idoso por parte dos familiares, por exemplo. Assim, há o predomínio de uma perspectiva errônea e prejudicial quanto ao envelhecimento da sociedade. Logo, é necessário a reversão dessa conjuntura brasileira.

Portanto, cabe ao governo do Brasil, responsável pelo bem-estar social, promover uma melhoria nos serviços de fiscalizatórios por meio de maiores investimentos nesse setor, a fim de que as leis e as normas que garantem os direitos dos maiores de sessenta anos sejam devidamente cumpridas. Além disso, cabe ao Estado realizar campanhas sobre as perspectivas positivas do envelhecimento com o fato de que as ideias equivocadas sobre os idosos sejam desfeitas rapidamente.

Redação nota mil Enem 2025
Espelho da redação nota mil do Enem 2025 da estudante Laryssa Melo.

Agora, veja a redação nota máxima do estudante Caio Braga, de Recife (PE):

Em "O Karaíba", o autor indígena Daniel Munduruku traz narrativas dos povos originários no Brasil pré-cabralino. Nessa obra, ele retrata elementos característicos das culturas e dos costumes das comunidades tradicionais, como o respeito aos mais velhos e à sua sabedoria. Nesse contexto, é nítido que a perspectiva das personagens do livro não reflete a forma como a sociedade brasileira enxerga o envelhecimento ao longo do tempo, tampouco as tendências mais modernas disso.

Historicamente, no Brasil, envelhecer é um privilégio, não um direito. Isso é evidenciado por estratégias de manutenção da ordem social implementadas pelas elites, como a promulgação da Lei do Sexagenário - uma das leis pré-abolocionistas, que libertara escravizados maiores de sessenta anos. Ao contrário do senso comum, que vê essa medida como uma conquista para eles, a historiografia entende que essa medida não tinha intenções reais de oferecer liberdade a essas pessoas, pois suas expectativas de vida eram baixíssimas. Nesse cenário, portanto, envelhecer não era uma oportunidade para todos os brasileiros, mas um privilégio de alguns.

Por outro lado, correntes contemporâneas de pensamento colocam os idosos e o envelhecimento em outras posições: de enfrentamento ao etarismo, de atividade física e econômica e de engajamento político social. Um exemplo disso é o filme estrelado por Fernanda Montenegro, em 2025, "Vitória", em que a atriz interpreta uma senhora em uma comunidade periférica no Rio de Janeiro e expõe denúncias contra a violência e o tráfico onde vive. Sob essa ótica, a figura do idoso deixa um espaço de fragilidade e impotência e passa a assumir protagonismo de sua própria vida.

Dessa forma, tendo em vista as múltiplas perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade braisleira, é necessário que o Ministério da Educação, por meio de iniciativas de capacitação e autonomia para idosos - como o "Projeto Envelhecer" do Cin-UFPE, que os ensina a conviver no ambiente digital - atue na formação dessas pessoas para que resgatem sua independência bem.

Redação nota mil do Enem 2025 do Caio Braga
Espelho da redação nota mil do Enem 2025 da estudante Caio Braga.

Dicas para tirar mil na redação do Enem

Fique por dentro de dicas para tirar mil na redação do Enem, compartilhadas pela estudante Laryssa Melo:

  • Praticar pelo menos uma redação por semana com propostas diferentes.

  • Corrigir a redação e reescrever sem os erros cometidos para fixar melhor e evitar os mesmos erros.

  • ⁠Tentar ler bastante, seja notícias ou livros de interesse, para melhorar o vocabulário e os argumentos.

  • ⁠Pesquisar repertórios variados para diversos temas, a fim de que se tenham opções de acordo com o recorte que será escolhido. 

  • Ver algumas regras gramaticais que mais erra e ter em mente sinônimos de conectivos.

  • ⁠Sempre colocar na introdução o tema para evitar tangenciamento.

  • Elaborar um modelo de texto padrão que mais lhe favorece e só mudar argumentos e recortes de acordo com a palavra-chave do tema.

  • Tentar colocar 2 repertórios com diferentes argumentações em parágrafos distintos, caso não tenha certeza de que pelo menos um deles está bem argumentado e completo.

  • Focar numa conclusão bem estruturada (com os 5 elementos em pelo menos uma solução) e padrão pros seus tipos de texto para que já se tenha 200 pontos garantidos.

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Cinco competências de correção da redação do Enem 2025

Cada uma das cinco competências da redação do Enem 2025 vale de 0 a 200 pontos, ou seja, a pontuação total da produção textual varia de zero a 1.000 pontos. Veja, abaixo, quais são essas competências que determinam os critérios de pontuação estabelecidos para os corretores atribuírem a nota:

  1. Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa.

  2. Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa.

  3. Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.

  4. Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.

  5. Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

É na Cartilha da Redação do Enem que os candidatos têm acesso às orientações oficiais quanto à produção da redação e os critérios de correção.

A nota final da redação do Enem é a média aritmética da pontuação total dada pelos dois corretores, exceto em casos em que há discrepância entre as duas notas.

Se em uma ou mais competências a diferença entre as notas dos dois avaliadores for maior que 80 pontos, um terceiro corretor dá a nota daquela competência. Esse terceiro avaliador também é acionado se a diferença da soma total das cinco competências for superior a 100 pontos. Nesse último caso, a nota final do participante será a média aritmética entre as duas notas totais que mais se aproximarem.