Olho por olho, dente por dente
Tema: Justiça com as próprias mãos?
“Bandido bom é bandido morto”. Essa foi uma das muitas mensagens postadas no Facebook pelo grupo de “justiceiros”, como eles se autodenominam, que levantaram uma discussão ética em âmbito nacional. O fato de que os comentários à favor dessas atitudes superou o de críticas, mostra uma sociedade descrente nas leis e instituições. As pessoas já não se chocam com mais nada, o que abre espaço para um ciclo de violência e brutalidade, um verdadeiro retrocesso para os tempos da lei do mais forte.
Cinco anos depois, o comando do tráfico, voltou a mostrar poder de fogo nos morros cariocas, supostamente pacificados. Em um Brasil em que o Estado não tem respostas, a polícia é desmoralizada por uma parcela de policiais corruptos, e a Justiça é falha, a criminalidade não se restringe aos grandes centros urbanos. A intolerância do povo brasileiro remete à teoria de Thomas Hobbes de que quando o contrato social se dissolve, a violência vem à tona.
Já dizia o filósofo francês, Émile-August Chartier: “A justiça é inexistente: ela pertence ao reino das coisas que precisam ser feitas exatamente por não existirem”. Não se pode criar uma balança para medir o que é justo ou injusto, mas é possível e preciso buscar um equilíbrio. Uma sociedade sem leis, em que cada indivíduo faz justiça pelas próprias mãos, torna-se uma bagunça.
Os justiceiros combatem o crime através da violência, cometendo assim, novos crimes e com atitudes tão repugnantes quanto. Cabe ao Estado, recuperar a confiança do povo brasileiro, aumentando a eficiência dos processos judiciais e do sistema carcerário, investindo em treinamento e aparelhamento da polícia, dando opções de emprego para jovens das periferias e combatendo o consumo de drogas. Já o povo brasileiro, precisa estar consciente de que a forma mais justa de buscar seus direitos é de forma pacífica.
Correção tradicional
| Critério | Observações | Nota |
|---|---|---|
| Adequação ao Tema | Avalia se o texto consegue explorar as possibilidades de ideias que o tema favorece. Como no vestibular, a redação que foge ao tema é zerada. | 2.0 |
| Adequação e Leitura Crítica da Coletânea | Avalia se o texto consegue perceber os pressupostos da coletânea, assim como fazer relação entre os pontos de vista apresentados e outras fontes de referência. | 2.0 |
| Adequação ao Gênero Textual | Avalia se o texto emprega de forma adequada as características do gênero textual e se consegue utilizá-las de forma consciente e enriquecedora a serviço do projeto de texto. | 2.0 |
| Adequação à modalidade padrão da língua | Avalia se o texto possui competência na modalidade escrita. Dessa forma, verifica o domínio morfológico, sintético, semântico e ortográfico. | 1.5 |
| Coesão e Coerência | Avalia se o texto possui domínio dos processos de predicação, construção frasal, paragrafação e vocabulário. Além da correta utilização dos sinais de pontuação e dos elementos de articulação textual. | 2.0 |
| Nota final | 9.5 |
Legenda de competências
| Competência | Descrição |
|---|---|
| 1 | Domínio da modalidade escrita formal |
| 2 | Compreender a proposta e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o texto dissertativo-argumentativo em prosa |
| 3 | Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações em defesa de um ponto de vista |
| 4 | Conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação |
| 5 | Proposta de intervenção com respeito aos direitos humanos |