Lentidão, Montesquieu e ódio

Tema: Justiça com as próprias mãos?

[Redação sem título]
Corrigida tradicionalmente Enviado em 06/03/2014
Nota tradicional: 10
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A Justiça brasileira sempre teve a imagem de um órgão enrolador, de interesses latentes e nada rápidos para se chegar num veredicto. Para tanto, o povo, sentindo-se refém da exacerbada violência nas ruas com bandidos impunes, resolveu colocar um ponto final em tal questão.

Quando Montesquieu apresentou a ideia dos três poderes de governo, certamente não imaginou que a população “substituiria” o tribunal por ela mesma. O maior problema é a forma como tal “justiça” é aplicada pelos justiceiros, frente a tão diferentes formas de crime.

Há, por um lado, indivíduos que, não tendo condição de empregarem-se, roubam para suprir as necessidades familiares e diminuir a desigualdade social, fato que nos causa uma “revolta compreensiva”. Por outro lado, há aqueles que roubam para financiar o tráfico de entorpecentes, causando-nos indubitável repugnância.

Nestes dois exemplos, os crimes são passíveis de encarceramento. Porém, antes que haja possibilidade de a Justiça falhar e o suspeito sair sem pena, os justiceiros tomam as rédeas e punem-nos fisicamente, enxergando apenas um ponto de vista.

Além disso, mesmo que o Poder Judiciário indique a pena cabível ao suspeito, o maior óbice reside nas prisões. Em nosso país, a maioria delas encontra-se superlotada, impossibilitando uma recuperação decente àqueles que se dedicam ao crime.

Ainda assim, estes fatos apenas reforçam a condição sine qua non do Poder Judiciário ao julgar de acordo com a lei, em oposição a quem pune num impulso selvagem e anarquista sem julgar, analisando apenas uma parte dos fatos. Uma sociedade que gira em torno do ódio nunca se desenvolverá. Violência punida com violência só aumentará o ódio preexistente. 

Correção tradicional

Critério Observações Nota
Adequação ao Tema Avalia se o texto consegue explorar as possibilidades de ideias que o tema favorece. Como no vestibular, a redação que foge ao tema é zerada. 2.0
Adequação e Leitura Crítica da Coletânea Avalia se o texto consegue perceber os pressupostos da coletânea, assim como fazer relação entre os pontos de vista apresentados e outras fontes de referência. 2.0
Adequação ao Gênero Textual Avalia se o texto emprega de forma adequada as características do gênero textual e se consegue utilizá-las de forma consciente e enriquecedora a serviço do projeto de texto. 2.0
Adequação à modalidade padrão da língua Avalia se o texto possui competência na modalidade escrita. Dessa forma, verifica o domínio morfológico, sintético, semântico e ortográfico. 2.0
Coesão e Coerência Avalia se o texto possui domínio dos processos de predicação, construção frasal, paragrafação e vocabulário. Além da correta utilização dos sinais de pontuação e dos elementos de articulação textual. 2.0
Nota final 10

Legenda de competências

Competência Descrição
1 Domínio da modalidade escrita formal
2 Compreender a proposta e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o texto dissertativo-argumentativo em prosa
3 Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações em defesa de um ponto de vista
4 Conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação
5 Proposta de intervenção com respeito aos direitos humanos