O Estado Laico nos tempos de Feliciano

Tema: Religiosos na Política: Democracia ou atentado ao Estado Laico?

[Redação sem título]
Corrigida tradicionalmente Enviado em 25/12/2013
Nota tradicional: 6.5
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A eleição do pastor e deputado Marco Feliciano para presidir à (não tem crase) Comissão de Direitos Humanos da Câmara gerou mal-estar em todo o país devido (às) declarações claramente racistas e homofóbicas que o próprio declarou em seu twitter. Ele negou todas elas e (,) ao longo de um ano inteiro (,) marcou a comissão (maiúscula) por forte pauta anti-gay, como constatou reportagem recente de "O Globo". Quem apostou em negociação e boa vontade do político em abrir mão de suas convicções religiosas fundamentalistas a favor (em prol) dos direitos humanos se enganou. Longe de ser, infelizmente, um caso único no congresso (maiúscula). Feliciano faz parte da bancada religiosa e representa um quinto do Congresso *. Os dados preocupam.

Mais da metade dos deputados da bancada evangélica enfrenta processos na Justiça, revela levantamento do site Transparência Brasil. Boa parte se preocupa, unicamente, em barrar ações que considerem um atentado à família - curiosamente para não estar incluso questões como a corrupção - como o aborto, drogas, células tronco, direitos das mulheres e de homossexuais**. Veem na bíblia motivo pra impedir que o outro, por vezes que não compartilha de suas doutrinas religiosas, não seja beneficiado com determinado direito, como o casamento gay, aprovado este ano pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça)***. Alguns deputados da bancada entraram com medidas contra o órgão, simplesmente por ele dar um direito básico a gays, que heterossexuais, a maioria, sempre usufruiu****. Não se trata, portanto, de dar privilégios aos homossexuais, argumento que usam constantemente em suas defesas. 

Justamente por usarem a Bíblia como modelo de conduta política, impedindo o avanço em questões fundamentais, que diz(em) respeito a todos, não somente religiosos, é que o avanço da bancada evangélica deve ser contido. Não a candidatura de religiosos, que existe em todo o país e deve continuar existindo, para o bem da pluralidade e representação democrática. Refiro-me à intromissão de fundamentalistas religiosos no Congresso, esta sim, é perigosa e só atrasa o país. Vemos exemplos parecidos no Irã, na década de 70, quando islâmicos radicais tomaram o poder e transformaram a nação iraniana em uma teocracia, que impede às(sem crase) mulheres de mostrarem seus rostos em público, de ter os mesmos direitos que (os) homens possuem( o "os" soa melhor e pode substituir o verbo possuem). O problema não é a religião em si, pois via de regra todas pregam o bem ao próximo, (;)trata-se de impedir o avanço do fundamentalismo. (,) Da praga do autoritarismo, que se encontra por perto sempre que há extremismos.

O caso Feliciano foi emblemático e dificilmente será esquecido - que não seja mesmo. Foi um marco na política brasileira, que mobilizou milhares de homossexuais e simpatizantes dos direitos humanos a irem as (com crase) ruas mostrar sua indignação, e precisa ser entendido como um sinal, forte e presente, da interferência religiosa fanática em nossa politica, impedindo avanços básicos em razão de suas crenças que deveriam ser pessoais. É crucial entender e respeitar a diversidade, para que todos tenhamos os mesmos direitos e as mesmas condições de avanço. Defender o estado laico é prerrogativa pra tudo isso, onde a verdadeira política acontece.

Correção tradicional

Critério Observações Nota
Adequação ao Tema Avalia se o texto consegue explorar as possibilidades de ideias que o tema favorece. Como no vestibular, a redação que foge ao tema é zerada. 1.5
Adequação e Leitura Crítica da Coletânea Avalia se o texto consegue perceber os pressupostos da coletânea, assim como fazer relação entre os pontos de vista apresentados e outras fontes de referência. 1.0
Adequação ao Gênero Textual Avalia se o texto emprega de forma adequada as características do gênero textual e se consegue utilizá-las de forma consciente e enriquecedora a serviço do projeto de texto. 2.0
Adequação à modalidade padrão da língua Avalia se o texto possui competência na modalidade escrita. Dessa forma, verifica o domínio morfológico, sintético, semântico e ortográfico. 1.0
Coesão e Coerência Avalia se o texto possui domínio dos processos de predicação, construção frasal, paragrafação e vocabulário. Além da correta utilização dos sinais de pontuação e dos elementos de articulação textual. 1.0
Nota final 6.5

Legenda de competências

Competência Descrição
1 Domínio da modalidade escrita formal
2 Compreender a proposta e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o texto dissertativo-argumentativo em prosa
3 Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações em defesa de um ponto de vista
4 Conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação
5 Proposta de intervenção com respeito aos direitos humanos