Sem sair do "status quo"...
Tema: Voto nulo: funciona?
Conquanto seja de conhecimento geral a importância da liberdade de imprensa em regimes democráticos, para [democráticos para] denunciar atos de corrupção, fraude e politicagem, observa-se na atualidade, curiosamente, um efeito adverso dela, em que a população, diante de tais informações, tem passado a descrer na política institucional e no próprio processo de pleito. Nesse contexto, ganham força campanhas defensoras do voto nulo como instrumento de protesto, sendo questionáveis, contudo, os impactos efetivos de tal atitude.
O principal argumento dos protestantes é o de que a obtenção de um percentual elevado de votos nulos chocaria as autoridades e lhes evidenciaria a desaprovação do povo pelos moldes políticos vigentes, demonstrando que o problema não se resolve com simples troca de candidatos e exigindo mudanças nas estruturas de governo. Aderiu à ideia número considerável de descontentes, existindo na rede social "Orkut" 44 comunidades abertamente a seu favor, por exemplo.
Entretanto, tomando-se por conceito de revolução uma mudança radical no "status quo" político-econômico de um ou mais Estados, percebe-se que o passivo projeto fica distante da possibilidade de gerar transformações tão significativas. Cabe interrogar ainda qual a finalidade de, existindo tantas outras formas de revolta, utilizar-se justamente daquela em que se tem que abdicar da maior ferramenta de participação política de que se dispõe.
O Brasil é um país que ainda engatinha na democracia, tendo passado por mais de três séculos de Pacto Colonial e quase setenta anos como monarquia absolutista. Mesmo dentro do republicanismo, não faltaram governos autoritários e ditatoriais, de modo que o voto secreto para presidente somente foi restituído em 1990, após a queda do regime militar.
É natural que o povo ainda se acostume com o conceito prático de cidadania, porém transformações na configuração política exigem muito mais esforço que a simples abstenção do direito a [ao] voto, de forma que esta última não deve ser entendida como forma de protesto[,] e sim como alienação da população de seus direitos e mesmo das mortes, exílios e torturas pelas quais passaram seus antepassados em busca de participação política.
Correção tradicional
| Critério | Observações | Nota |
|---|---|---|
| Adequação ao Tema | Avalia se o texto consegue explorar as possibilidades de ideias que o tema favorece. Como no vestibular, a redação que foge ao tema é zerada. | 1.5 |
| Adequação e Leitura Crítica da Coletânea | Avalia se o texto consegue perceber os pressupostos da coletânea, assim como fazer relação entre os pontos de vista apresentados e outras fontes de referência. | 2.0 |
| Adequação ao Gênero Textual | Avalia se o texto emprega de forma adequada as características do gênero textual e se consegue utilizá-las de forma consciente e enriquecedora a serviço do projeto de texto. | 1.5 |
| Adequação à modalidade padrão da língua | Avalia se o texto possui competência na modalidade escrita. Dessa forma, verifica o domínio morfológico, sintético, semântico e ortográfico. | 1.5 |
| Coesão e Coerência | Avalia se o texto possui domínio dos processos de predicação, construção frasal, paragrafação e vocabulário. Além da correta utilização dos sinais de pontuação e dos elementos de articulação textual. | 1.5 |
| Nota final | 8 |
Legenda de competências
| Competência | Descrição |
|---|---|
| 1 | Domínio da modalidade escrita formal |
| 2 | Compreender a proposta e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o texto dissertativo-argumentativo em prosa |
| 3 | Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações em defesa de um ponto de vista |
| 4 | Conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação |
| 5 | Proposta de intervenção com respeito aos direitos humanos |