Sem sair do "status quo"...

Tema: Voto nulo: funciona?

[Redação sem título]
Corrigida tradicionalmente Enviado em 08/10/2012
Nota tradicional: 8
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Conquanto seja de conhecimento geral a importância da liberdade de imprensa em regimes democráticos, para [democráticos para] denunciar atos de corrupção, fraude e politicagem, observa-se na atualidade, curiosamente, um efeito adverso dela, em que a população, diante de tais informações, tem passado a descrer na política institucional e no próprio processo de pleito. Nesse contexto, ganham força campanhas defensoras do voto nulo como instrumento de protesto, sendo questionáveis, contudo, os impactos efetivos de tal atitude.

O principal argumento dos protestantes é o de que a obtenção de um percentual elevado de votos nulos chocaria as autoridades e lhes evidenciaria a desaprovação do povo pelos moldes políticos vigentes, demonstrando que o problema não se resolve com simples troca de candidatos e exigindo mudanças nas estruturas de governo. Aderiu à ideia número considerável de descontentes, existindo na rede social "Orkut" 44 comunidades abertamente a seu favor, por exemplo.

Entretanto, tomando-se por conceito de revolução uma mudança radical no "status quo" político-econômico de um ou mais Estados, percebe-se que o passivo projeto fica distante da possibilidade de gerar transformações tão significativas. Cabe interrogar ainda qual a finalidade de, existindo tantas outras formas de revolta, utilizar-se justamente daquela em que se tem que abdicar da maior ferramenta de participação política de que se dispõe.

O Brasil é um país que ainda engatinha na democracia, tendo passado por mais de três séculos de Pacto Colonial e quase setenta anos como monarquia absolutista. Mesmo dentro do republicanismo, não faltaram governos autoritários e ditatoriais, de modo que o voto secreto para presidente somente foi restituído em 1990, após a queda do regime militar.

É natural que o povo ainda se acostume com o conceito prático de cidadania, porém transformações na configuração política exigem muito mais esforço que a simples abstenção do direito a [ao] voto, de forma que esta última não deve ser entendida como forma de protesto[,] e sim como alienação da população de seus direitos e mesmo das mortes, exílios e torturas pelas quais passaram seus antepassados em busca de participação política.

Correção tradicional

Critério Observações Nota
Adequação ao Tema Avalia se o texto consegue explorar as possibilidades de ideias que o tema favorece. Como no vestibular, a redação que foge ao tema é zerada. 1.5
Adequação e Leitura Crítica da Coletânea Avalia se o texto consegue perceber os pressupostos da coletânea, assim como fazer relação entre os pontos de vista apresentados e outras fontes de referência. 2.0
Adequação ao Gênero Textual Avalia se o texto emprega de forma adequada as características do gênero textual e se consegue utilizá-las de forma consciente e enriquecedora a serviço do projeto de texto. 1.5
Adequação à modalidade padrão da língua Avalia se o texto possui competência na modalidade escrita. Dessa forma, verifica o domínio morfológico, sintético, semântico e ortográfico. 1.5
Coesão e Coerência Avalia se o texto possui domínio dos processos de predicação, construção frasal, paragrafação e vocabulário. Além da correta utilização dos sinais de pontuação e dos elementos de articulação textual. 1.5
Nota final 8

Legenda de competências

Competência Descrição
1 Domínio da modalidade escrita formal
2 Compreender a proposta e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o texto dissertativo-argumentativo em prosa
3 Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações em defesa de um ponto de vista
4 Conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação
5 Proposta de intervenção com respeito aos direitos humanos