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Atrás de um rostinho bonito, do símbolo do partido, todos os candidatos parecem os mesmos. Mesmos problemas, mesmas propostas de quatro, oito, doze anos atrás. É difícil escolher no meio de tanta sujeira o “menos pior”, e muitas pessoas ao menos o fazem. Votam nulo como símbolo da desesperança na política do país. Não veem que, dessa forma, deixam que outros escolham seus candidatos, pois alguém será eleito afinal. [no final.]
A população elege o político que a mereça. Essas pessoas que falam durante o horário político na televisão, na rádio, aparecem em jornais e revistas, são [revistas são] reflexos de nós mesmos, passivos, que só veem no voto um modo de exercer cidadania. Não vamos conseguir mudar a política com votos nulos pois, mesmo [nulos, pois mesmo] se todos votassem dessa forma, uma nova eleição seria promovida com candidatos ideologicamente iguais.
E o que acontece com nossos votos nulos? Nada. São logo esquecidos, porque não tiveram nenhuma finalidade; o candidato foi escolhido e vai governar. Votar nulo mais parece um ato de livrar-se da responsabilidade do que um de [um ato de] indignação. Se todas essas pessoas que votam nulo participassem de protestos, provavelmente já teríamos mudanças significativas. Mas, enquanto no Chile protestam pelas universidades públicas e no mundo árabe protestam pela democracia e a liberdade de expressão, aqui nós protestamos pelos vistos americanos.
Nós, cidadãos, precisamos mudar, e não votar nulo. Pesquisar, protestar, agir. Democracia é a política feita pelo povo, e fazer política não se resume em votar em um candidato. É se informar sobre as ações dos nossos políticos, é mandar e-mails, cartas, fazer abaixo assinados [abaixo-assinados]. É pressionar, como pressionamos para a lei da ficha limpa. Não vamos mudar a política deste país apertando um botão em uma urna.