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Há mais de um século, a Princesa Isabel pôs fim à escravidão no Brasil ao assinar a Lei Áurea. A nobreza do ato real, porém, ficou restrita ao papel – indecifrável aos recém-libertos -, já que não houve grandes mudanças sociais, econômicas e culturais no país que, meses mais tarde, tornou-se republicano... novamente apenas a nível documental.
Essa análise crítica da história nacional é bastante difundida, a hipocrisia histórica é conhecida por todos. No entanto, quando se dispõe a analisar o presente, é notável que a abordagem romântica e ufanista ganha destaque. Prefere-se exaltar a pluralidade harmônica - que de fato existe – a denunciar as desigualdades que ainda dividem o país. De um lado, a grande nação emergente: boas escolas, faculdades, canetas e estetoscópios. De outro, o território quase colonial: escolas públicas, cursos técnicos, vassouras e argamassa. Neste os “pretos” são maioria, naquele circulam “brancos” e “pardos”.
Visando transformar esse cenário anacrônico, o Supremo Tribunal Federal declarou constitucional a política de cotas raciais. É importante esclarecer que não se trata de um “reconhecimento da inferioridade dos negros”, como argumentam os opositores à política, e sim de uma “indenização” por um passado opressor, do qual as classes mais abastadas – de maioria branca - usufruem as benesses. Além disso, democratizar o acesso às universidades significa fortalecer o papel das próprias instituições de ensino superior que, historicamente, são definidas como beligerantes, vanguardistas e transformadoras.
O investimento em educação de base é indispensável. Entretanto, se o governo acertadamente decidir - neste exato momento - que 10% do PIB serão a ela destinados, o país carecerá de, no mínimo, duas décadas para colher os resultados no curso superior. Pergunta-se: nesse ínterim, como ficam os jovens do “Brasil colônia”? Argamassa e vassoura. Para prevenir a inércia estatal, as políticas de inclusão devem ter um “prazo de validade”. E para impedir que se tronem [tornem] um novo fator de segregação sugere-se que sejam disponibilizadas mais vagas e de maneira proporcional entre “cotistas” e “não-cotistas [não cotistas]”. Programas [de] apoio educacional e financeiro também devem ser avaliados pelas universidades para que os novos estudantes obtenham êxito no curso escolhido.
Basta os anos de desenvolvimento importado e superficial, o Brasil precisa de um desenvolvimento tupi, banto, ariano, nipônico , luso, brasileiro.