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Cotas raciais podem ser definidas como um tratamento diferenciado dado a um grupo étnico - ou raça – considerado vulnerável. No momento em que elas começaram a ser implantadas no Brasil, a polêmica foi levantada; afinal, trata-se de um tema complexo e delicado.
Entre aqueles que se opõem à ela, encontra-se o argumento de que as cotas raciais seriam uma espécie de racismo às avessas. Quem afirma isso desconhece a definição de racismo. Este [Essa] é uma prática que necessariamente coloca um grupo como superior a outro - a exemplo da ''raça ariana'' do nazismo. Ora, se as cotas pretendem igualar o acesso dos negros ao dos brancos - sem, pois, promover a superioridade daquele sobre este - às universidades, então não há racismo.
Outra faceta deste tipo de argumento parte da idéia [ideia] de que se estaria inferiorizando a capacidade nata dos negros no vestibular frente a dos brancos. Outro engano. As cotas são oferecidas a aqueles porque, historicamente, eles tendem a possuir menos acesso aos direitos humanos - como educação e saúde - e, pois, enfrentam maiores dificuldades no processo seletivo, de modo a justificar uma avaliação diferenciada - já dizia Rui Barbosa que, para atingir a justiça, deve-se ''tratar desigualmente os desiguais na medida de suas desigualdades''.
Quantos aos efeitos que exerce sobre a sociedade é notório que as cotas reduzam a desigualdade, já que possibilitam a inclusão de um segmento há muito excluído da universidade; [universidade.] Contudo, essa prática também apresenta falhas: por exemplo, quando um negro com boa formação e condições financeiras é selecionado no lugar de um branco pobre e, pois, com menos oportunidades.
Enfim, as cotas raciais enfrentam de fato o problema da desigualdade; [desigualdades, contudo] contudo, faltam aperfeiçoamentos em sua aplicação, de modo que casos como o já citado não produzam, mesmo que sem intenção, mais injustiça.