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A questão da universalidade do acesso à educação e, consequentemente, à [a] universidades públicas se encontra no texto da própria Constituição Brasileira e, inclusive, é um direito de todo cidadão. No entanto, essa questão é complexa e não se limita a uma análise racial, mas também sócio-econômica [socioeconômica], política e histórica. A recente decisão do STF sobre a legitimidade das cotas raciais somente atesta a decadência do sistema de ensino pública [público] e põe em pauta a real eficiência de políticas "importadas".
De fato, é inegável a deficiência da educação pública brasileira, que vem sofrendo um sucateamento nas últimas décadas. A retração do papel do Estado nesse setor com a redução de investimentos só acaba acentuando a desigualdade social. Nesse sentido, como a maior parte da população na faixa de pobreza é negra, é esse grupo que sente as consequências mais graves de tal processo.
Além disso, outro fato que pode ser mencionado é a natureza dessa medida, adotada primeiramente em 1960 no Estados Unidos. Esse país, apesar de possuir um passado escravocrata e racista como o Brasil, diferencia-se por ser marcado pela segregação racial espacial mais do que puramente econômica. Dessa forma, o sucesso de uma política no exterior não garante o seu bom funcionamento aqui pelas próprias diferenças culturais e históricas entre diversos povos.
Não se pode esquecer de ressaltar, por último, a origem do problema racial no Brasil que remonta à abolição da escravidão sem a inclusão efetiva do negro que, mesmo com o passar dos anos, se manteve à margem do desenvolvimento econômico do país. Assim, é fundamental destacar que o sistema de cotas tanto racial quanto social não passa de uma medida paliativa, tornando-se necessário a reversão desse quadro por parte de autoridades e governos através de um investimento maciço na área educacional. Garante-se, desse modo, a igualdade competitiva a todos e desnecessárias medidas baseadas na classificação racial.
Percebe-se, portanto, que as cotas raciais, por mais que amenizem a situação de exclusão do negro pobre no Brasil, não são suficientes para a resolução do problema, demonstrando a deficiência da educação pública diante da privada. Uma política que estabelece uma diferença puramente racial entre os membros da sociedade pode ser no mínimo considerada racista e preguiçosa sem analisar profundamente a real questão.
Correção tradicional
| Critério |
Observações |
Nota |
| Adequação ao Tema |
Avalia se o texto consegue explorar as possibilidades de ideias que o tema favorece. Como no
vestibular, a redação que foge ao tema é zerada. |
1.5 |
| Adequação e Leitura Crítica da Coletânea |
Avalia se o texto consegue perceber os pressupostos da coletânea, assim
como fazer relação entre os pontos de vista apresentados e outras fontes
de referência.
|
2.0 |
| Adequação ao Gênero Textual |
Avalia se o texto emprega de forma adequada as características do gênero
textual e se consegue utilizá-las de forma consciente e enriquecedora a
serviço do projeto de texto. |
1.5 |
| Adequação à modalidade padrão da língua |
Avalia se o texto possui competência na modalidade escrita. Dessa forma,
verifica o domínio morfológico, sintético, semântico e ortográfico. |
1.5 |
| Coesão e Coerência |
Avalia se o texto possui domínio dos processos de predicação, construção
frasal, paragrafação e vocabulário. Além da correta utilização dos
sinais de pontuação e dos elementos de articulação textual. |
2.0 |
| Nota final |
8.5
|
|
Legenda de competências
| Competência |
Descrição |
| 1 |
Domínio da modalidade escrita formal |
| 2 |
Compreender a proposta e aplicar conceitos das várias áreas de
conhecimento para desenvolver o texto dissertativo-argumentativo em prosa |
| 3 |
Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações em defesa
de um ponto de vista |
| 4 |
Conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a
construção da argumentação |
| 5 |
Proposta de intervenção com respeito aos direitos humanos |