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A questão racial no Brasil sempre foi um assunto delicado, uma ferida com o perigo iminente do toque e uma cicatriz que ainda continua aberta em meio a espinhosos debates na sociedade e nos meios acadêmicos. Com as cotas, pegando esse filão, não poderia ser diferente. Muitas opiniões são postas a fim de estabelecer um consenso a cerca [acerca] da melhor solução. Consenso este que se mostra de difícil alcance.
Os negros, a partir de 1888 [1888,] conseguiram a abolição, muito embora até bem pouco antes dessa data, aproximadamente 95% deles já se encontravam alforriados. Liberdade que se deu por um lento processo, etapas graduais até a lei áurea. A exploração do trabalho acabou, mas não o preconceito e o estigma do ser escravo que desde os tempos coloniais e imperiais associou pobreza a [à] cor da pele. Os ex-escravos saíram das senzalas das fazendas sem um projeto que os integrasse à sociedade na época.
Garantida pela Constituição brasileira, a isonomia dos povos mostra-se ainda muito presa na teoria, mesmo com o racismo sendo crime inafiançável e sem demonstrações rasgadas de intolerância como em muitos países em que segregação era um preceito legal na segunda metade do século XX, a exemplo dos Estados Unidos e África do Sul. As múltiplas cores do Brasil e a mestiçagem de Gilberto Freyre são celebradas sob um véu de situações revisitadas, vestidas com outra roupagem. Trocando em miúdos, não é preciso recorrer a elaboradas estatísticas para se saber que uma considerável parcela da comunidade negra continua com os piores salários e condições de vida. As cotas raciais se apresentam como uma porta de entrada para o jovem negro, o início de uma representação e até de questão de autoestima [autoestima, ] já que esse negro ainda não se vê em vários setores hoje em dia, como na mídia. É um primeiro passo cuja ampliação é louvável para outras minorias sociais como índios, brancos pobres e estudantes de escolas públicas no geral [no geral,] já que a educação está com sérias falhas estruturais.
Correção tradicional
| Critério |
Observações |
Nota |
| Adequação ao Tema |
Avalia se o texto consegue explorar as possibilidades de ideias que o tema favorece. Como no
vestibular, a redação que foge ao tema é zerada. |
1.5 |
| Adequação e Leitura Crítica da Coletânea |
Avalia se o texto consegue perceber os pressupostos da coletânea, assim
como fazer relação entre os pontos de vista apresentados e outras fontes
de referência.
|
1.5 |
| Adequação ao Gênero Textual |
Avalia se o texto emprega de forma adequada as características do gênero
textual e se consegue utilizá-las de forma consciente e enriquecedora a
serviço do projeto de texto. |
1.5 |
| Adequação à modalidade padrão da língua |
Avalia se o texto possui competência na modalidade escrita. Dessa forma,
verifica o domínio morfológico, sintético, semântico e ortográfico. |
1.5 |
| Coesão e Coerência |
Avalia se o texto possui domínio dos processos de predicação, construção
frasal, paragrafação e vocabulário. Além da correta utilização dos
sinais de pontuação e dos elementos de articulação textual. |
1.5 |
| Nota final |
7.5
|
|
Legenda de competências
| Competência |
Descrição |
| 1 |
Domínio da modalidade escrita formal |
| 2 |
Compreender a proposta e aplicar conceitos das várias áreas de
conhecimento para desenvolver o texto dissertativo-argumentativo em prosa |
| 3 |
Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações em defesa
de um ponto de vista |
| 4 |
Conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a
construção da argumentação |
| 5 |
Proposta de intervenção com respeito aos direitos humanos |