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Enquanto especialistas ainda debatem os efeitos da ação antrópica em escala global, o Brasil volta a sediar, após vinte anos, a conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável. A Rio +20, apesar dos números animadores de que 183 Estados participarão e do esperado público de 50 mil pessoas entre políticos, empresários e a sociedade civil, dificilmente chegará a um acordo climático eficaz.
A ineficiência das reuniões organizadas pelas Nações Unidas esbarra até mesmo nos métodos utilizados, pois é improvável elaborar um protocolo que consiga suprir as demandas de Nações tão díspares. Países industrializados dificilmente reduzirão o desempenho de corporações que geram empregos e lucro, enquanto emergentes e pátrias menos desenvolvidas clamam pelo direito de poluir para crescer socioeconomicamente. Eventos passados revelam tal problemática, já que os Estados Unidos e a China, grandes emissores de gases estufa, não assinaram o Tratado de Kyoto, do início dos anos 90. A última Conferência de Partes (COP), realizada em Durban, na África do Sul, lançou as bases para um acordo que envolve metas ambientais somente após 2020.
A conservação climática tropeça nas esferas política e financeira. Empresas e governos utilizam métodos ecologicamente corretos em especial para obter aceitação de consumidores e votos, respectivamente. Sob a óptica capitalista, companhias reduzem gastos e matérias-primas para aumentar a receita e explorar o argumento ambiental nas propagandas. Se a adequação às propostas favoráveis ao ecossistema emperrar no fator econômico, dificilmente ocorrerá. Um exemplo concreto foi o panfleto distribuído pela empresa de água Crystal, do grupo Coca-Cola. Ela se vangloriava da nova embalagem com menos plástico na composição, mas usou papel não reciclado para se promover.
Existem formas mais concretas de ajudar o meio ambiente. O incentivo do Estado à prospecção de novas fontes energéticas é viável e ainda melhora a imagem do país no exterior. O etanol, por exemplo, apesar dos impactos no solo e nos cursos d’água, é melhor em relação aos combustíveis fósseis e é implantado largamente no Brasil. A diminuição da carga tributária sobre indústrias que produzem maquinários para fontes renováveis, como as turbinas eólicas, também é uma boa pedida. Certamente, são medidas mais eficientes do que custear cinco mil quartos de hotéis para hospedar delegações estrangeiras que comparecerão à Rio +20.