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A língua é algo muito dinâmico. Para comprovar isso, basta pesquisar as tantas mudanças ortográficas na língua portuguesa, ou até mesmo observar as diferentes expressões que constituem o falar, por exemplo, de um nordestino com o de um Gaúcho. Porém [vírgula] será que se pode definir uma língua como padrão e a partir desta dizer qual está certa ou errada?
Na verdade [vírgula] a língua é falada de várias maneiras por receber grande influência cultural. Padronizar recai no chamado “preconceito linguístico”. Assim como cada pessoa possui uma posição social, existe aquela língua que transfere ao falante um maior prestigio na sociedade.
Segundo o dicionário Houaiss, preconceito significa “qualquer opinião, quer favorável quer desfavorável, concebido sem exame crítico”. Isso revela que dizer se algo é certo ou errado é uma questão do próprio ponto de vista do indivíduo.
Pode-se dizer então que o “certo” está relacionado com a linguagem culta e o “errado”, a ["errado" à] linguagem popular específica de cada cultura. Diferenciá-las pode ser visto como um preconceito social se levarmos em conta que cada uma faz parte de um tipo de sociedade, sendo assim uma discriminação aos falantes inferiorizados por alguma razão.
Definir um padrão para a língua é estabelecer um tipo de preconceito a diversos grupos culturais por não seguirem as normas cultas. Por isso o dilema do “certo” e “errado”, como diz o grande literário João Guimarães Rosa, “é questão de opiniães...” (Grande Sertão: Veredas)