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O Brasil é exaltado e cantado em verso e prosa como um país tropical e bonito por natureza, uma admiração adquirida a partir de suas belezas naturais e grande extensão territorial. Mas essa visão ufanista ignora muitos dos gravíssimos problemas sociais, ambientais e, também, lingüísticos [linguísticos] , que há muito tempo o assolam.
Todos os seus habitantes são falantes de uma língua, a Língua Portuguesa. Todavia, isso não significa que todos a utilizam da mesma forma, que a pronuncia [pronúncia] é a mesma. Existe um grande número de fatores (idade, sexo, grau de escolaridade, grupo social...) que interferem na maneira individual que o falante tem de se expressar. Logo, aparecem as variações lingüísticas, que podem ser socioculturais, geográficas ou históricas.
O problema encontra-se na dificuldade de uma relação harmônica entre a norma culta e a coloquial na diversidade encontrada na nação brasileira de sotaques. Reacendendo o dilema entre o certo e o errado. Um caipira é criticado ao falar ‘Nós vai’, pois de acordo com um engenheiro, por exemplo, está errado, já que a norma culta condena tal sentença. Na verdade, trata-se de preconceito não lingüístico, mas sim social. Uma discriminação sem fundamento que atinge falantes inferiorizados por alguma razão e por algum fato histórico.
Por isso [vírgula] diante da heterogeneidade de variantes, não cabe perguntar qual é a mais correta em termos absolutos, mas interrogar-se, sem preceitos, sobre qual se mostra mais adequada a cada contexto, qual obtém o máximo de eficiência na comunicação pretendida. Assim como dizia Evanildo Bechara todos devem aprender a “ser poliglotas em nossa própria língua”. Mais uma vez, a consciência e a informação geram responsabilidade.