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Expressar o mundo através da linguagem é uma característica peculiar do ser humano. A língua, cujas variações estão estruturadas nas diversidades socioeconômicas, contribuiu para a cultura desse país, de pouco mais de quinhentos anos, se desenvolvesse de forma heterogênea. Comunicar com indivíduos cujas raízes socioculturais são diferentes revela um caráter essencial do Brasil: a pluralidade sociocultural, a qual manifesta-se também na linguagem. Sob essa diversidade, torna-se legitimo uma padronização da língua portuguesa?
A declarada norma culta da língua portuguesa tecera [tecerá] regras sobre as admissíveis e não-admissiveis formas de nos expressarmos perante o mundo. Se quisermos declarar nossa predileção por algum objeto, por exemplo, devemos comunicar seguindo determinadas regras cegamente imposta [impostas] . Assim, nos é imposta uma verdadeira etiqueta da língua portuguesa, na qual expressa valores elitistas e oligárquicos da cultura.
Entretanto, tal concepção da língua portuguesa engendrara um acentuado preconceito, vinculado ao preconceito socioeconômico, o qual não nos expõe o caráter da variação da língua portuguesa. Nesse sentido, “nós vamos” ou “nóis vai”, são expressões cujas diferenças obedecem a uma concepção maniqueísta da diversidade sociocultural. Contudo, os sociolinguistas, especialistas nos estudos das línguas, têm nos atentado para o obscurantismo advindo da norma culta da língua portuguesa. O "bom uso" ou "mau uso" da língua denota apenas uma visão segregacionista em relação à língua.
Evidentemente, portanto, a aceitação de um único padrão lingüístico [linguístico] , preconiza preconceitos, os quais tem sido um dos grandes desafios contemporâneos da humanidade. Não obstante, se optarmos pela construção de uma sociedade mais justa e igualitária, devemos lutar para a dissolução dos preconceitos. Nesse sentido, sejamos tolerantes e respeitos [respeitosos] perante aquele que fala de modo diferente. Afinal, como canta Gabriel o Pensador: “Preconceito é burrice”.