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Existe um preconceito velado na sociedade brasileira. Atire a primeira pedra aquele que nunca riu ouvindo um sotaque ou uma palavra de uma determinada região do país. Somos tão frustrados em nossas concepções de certo e errado que o que não nos é habitual é considerado uma gafe imperdoável, o destoante torna-se o grotesco. O preconceito linguístico é um monstro brando, que é alimentado pelas cabeças alienadas de seres que se consideram superiores por dominarem a chamada norma culta.
O ponto crucial na discussão no que diz respeito a esse tipo de preconceito é a falta de esclarecimento do assunto. O renomado escritor brasileiro [vírgula] Marcos Bagno [vírgula] em seu livro ‘Preconceito Linguístico’ explica que o brasileiro tem dificuldade de utilizar as regras do português padrão porque, entre outros motivos, o português padrão está muito distante da realidade linguística dele. O povo não tem necessidade de conhecimentos aprofundados na língua portuguesa porque em suma, para o povo, ela é usada como meio de comunicação e não como objeto científico de estudos.
Qualquer tipo de padronização linguística é abominável. Uniformizar o modo como um gaúcho e um nordestino falam é, além de inviável, uma tentativa de aniquilar traços culturais marcados na linguagem oral dessas parcelas da população brasileira.
Não existe certo e errado, o que pode haver é a existência de adequação do falante ao contexto exigido. O dominante da língua é aquele que adequa [adéqua] sua linguagem a determinadas situações. A língua é viva, prendê-la a conceitos medievais da norma culta é limitá-la, torná-la um objeto estático. Como Bagno diz, a língua é maior que a gramática. Qualquer tipo de preconceito é irracional e digno de repúdio. É repulsivo pensar em um país multicultural que segrega seu povo por razões linguísticas. Enquanto o preconceito existir [vírgula] a nação brasileira não deve ser considerado [considerada] um povo heroico, brado e retumbante.