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Há aproximadamente 300 mil anos antes de Cristo, partes da Europa, do Oriente Próximo e da Ásia, foram [ da Ásia foram] habitadas pelo Homem de Neandertal, o antecessor da nossa espécie na escala de hominização. Foi nesta etapa evolutiva que se deu início o processo de construção de uma linguagem própria. Assim, considerando todo o trajeto evolutivo do decurso linguístico da humanidade, até que ponto é válido alguém caracterizar um jeito “certo” e “errado” de se falar?
Em pleno século XXI, alguém julgar outrem pelo modo que este fala é a mais pura ignorância. Por exemplo, quando uma pessoa pronuncia [diz] “por este riacho passa menas água”, seria correto “condenar” esta pessoa apenas por ela ter dito “menas” ao invés de “menos”? Afinal, será que ela teve uma educação de qualidade a ponto de saber todas as regras de concordância? Certamente [vírgula] não. Portanto, é injustificável o fato de o ser humano julgar alguém como “inferior” apenas por este não pronunciar suas falas conforme a gramática normativa vigente.
No entanto, se faz necessário o uso das regras da gramática da Língua Portuguesa na escrita. É inaceitável que uma pessoa que tenha certo nível de escolaridade, escreva de tal maneira como pronuncia [da maneira que pronuncia] as palavras. E nesse contexto há um paradoxo, visto que o Brasil, mesmo estando dentre as dez maiores economias mundiais, não oferece uma educação pública de qualidade à população. Então, como exigir uma escrita dentro das normas vigentes [vírgula] se muitas das vezes as pessoas nem têm conhecimento de tais regras? Trata-se de uma problemática que o “país do futebol” terá de solucionar a um curto prazo de tempo.
Assim, não é possível estabelecer um padrão linguístico que possa ser tido como “o correto” dentro de uma cultura. Cada sociedade têm seus costumes e seus valores. É o mesmo que obrigar um nordestino a falar da mesma forma que um gaúcho fala, com os mesmos vícios de linguagem. É uma política longe de ser aceita. Por fim, adotar um método padrão para a língua falada seria um retrocesso ao desenvolvimento da espécie humana, no período de transição entre o Homem de Neandertal e o Homo sapiens sapiens, adaptando a fala para um método único, considerado “correto”.