"Menas" na fala, "menos" na escrita

Tema: Preconceito Linguístico: O dilema do “Certo” e do “Errado”

[Redação sem título]
Corrigida tradicionalmente Enviado em 17/03/2012
Nota tradicional: 8.5
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Há aproximadamente 300 mil anos antes de Cristo, partes da Europa, do Oriente Próximo e da Ásia, foram [ da Ásia foram]  habitadas pelo Homem de Neandertal, o antecessor da nossa espécie na escala de hominização. Foi nesta etapa evolutiva que se deu início o processo de construção de uma linguagem própria. Assim, considerando todo o trajeto evolutivo do decurso linguístico da humanidade, até que ponto é válido alguém caracterizar um jeito “certo” e “errado” de se falar?

Em pleno século XXI, alguém julgar outrem pelo modo que este fala é a mais pura ignorância. Por exemplo, quando uma pessoa pronuncia  [diz] “por este riacho passa menas água”, seria correto “condenar” esta pessoa apenas por ela ter dito “menas” ao invés de “menos”? Afinal, será que ela teve uma educação de qualidade a ponto de saber todas as regras de concordância? Certamente [vírgula] não. Portanto, é injustificável o fato de o ser humano julgar alguém como “inferior” apenas por este não pronunciar suas falas conforme a gramática normativa vigente.

No entanto, se faz necessário o uso das regras da gramática da Língua Portuguesa na escrita. É inaceitável que uma pessoa que tenha certo nível de escolaridade, escreva de tal maneira como pronuncia [da maneira que pronuncia] as palavras. E nesse contexto há um paradoxo, visto que o Brasil, mesmo estando dentre as dez maiores economias mundiais, não oferece uma educação pública de qualidade à população. Então, como exigir uma escrita dentro das normas vigentes [vírgula]  se muitas das vezes as pessoas nem têm conhecimento de tais regras? Trata-se de uma problemática que o “país do futebol” terá de solucionar a um curto prazo de tempo.

Assim, não é possível estabelecer um padrão linguístico que possa ser tido como “o correto” dentro de uma cultura. Cada sociedade têm seus costumes e seus valores. É o mesmo que obrigar um nordestino a falar da mesma forma que um gaúcho fala, com os mesmos vícios de linguagem. É uma política longe de ser aceita. Por fim, adotar um método padrão para a língua falada seria um retrocesso ao desenvolvimento da espécie humana, no período de transição entre o Homem de Neandertal e o Homo sapiens sapiens, adaptando a fala para um método único, considerado “correto”.

Correção tradicional

Critério Observações Nota
Adequação ao Tema Avalia se o texto consegue explorar as possibilidades de ideias que o tema favorece. Como no vestibular, a redação que foge ao tema é zerada. 2.0
Adequação e Leitura Crítica da Coletânea Avalia se o texto consegue perceber os pressupostos da coletânea, assim como fazer relação entre os pontos de vista apresentados e outras fontes de referência. 1.5
Adequação ao Gênero Textual Avalia se o texto emprega de forma adequada as características do gênero textual e se consegue utilizá-las de forma consciente e enriquecedora a serviço do projeto de texto. 1.5
Adequação à modalidade padrão da língua Avalia se o texto possui competência na modalidade escrita. Dessa forma, verifica o domínio morfológico, sintético, semântico e ortográfico. 2.0
Coesão e Coerência Avalia se o texto possui domínio dos processos de predicação, construção frasal, paragrafação e vocabulário. Além da correta utilização dos sinais de pontuação e dos elementos de articulação textual. 1.5
Nota final 8.5

Legenda de competências

Competência Descrição
1 Domínio da modalidade escrita formal
2 Compreender a proposta e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o texto dissertativo-argumentativo em prosa
3 Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações em defesa de um ponto de vista
4 Conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação
5 Proposta de intervenção com respeito aos direitos humanos