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O politicamente correto está na moda, a mais nova tendência é “permitir” o uso “incorreto” da língua, afinal, se fulano fala “errado”, que mal tem [há]? Se cicrano é chegado num cacetinho e beltrano gosta mais do bom e velho pão francês, quem pode culpá-los? É tudo uma questão cultural, mas há mais coisas entre o coloquial e o culto do que se pode imaginar.
A língua é uma ciência humana, isso é fato, o que hoje é X, amanhã pode vir a ser Y, ao contrário da matemática que é regida por normas fixas, a língua sofre uma constante adaptação por seus falantes, logo deve-se mandar a gramática às cucuias? Toda essa história de “preconceito lingüístico” é um desvio de foco, em que a questão principal é deixada de lado. Se ensinarem a forma correta, mas mostrando que a errada está certa também, a errada se tornaria certa e vice-versa? Logo [vírgula] “nois fumo” seria o correto e quem falar “nós fomos” sofreria preconceito? Que grande confusão!
É pra isso que serve a gramática, possibilitar uma padronização do idioma, para que todos se entendam e haja uma compreensão mútua. No período em que a gramática não tinha importância [vírgula]o latim morreu e deixou ao menos cinco filhos conhecidos: português, francês, espanhol, italiano e romeno. Uma “despadronização” da língua permitiria em médio-longo prazo o surgimento de novos dialetos dentro do Brasil, incompreensíveis entre si, afinal a questão cultural é muito distinta dentre as regiões brasileiras, em alguns anos um gaúcho não compreenderia o que um cearense falasse. O que une o povo brasileiro é principalmente a língua, ela que permite que todas as diferenças culturais sejam superadas e haja uma união entre todos.