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O preconceito lingüístico [linguístico] não é algo novo no Brasil. Desde meados do século XX [vírgula] ele vem se intensificando no país. Monteiro Lobato, escritor realista, não poderia imaginar que a criação de mais um de seus personagens, Jeca Tatu, daria inicio [início] a uma divisão ainda maior entre as classes rurais e urbanas. O modo de falar das pessoas do campo foi tachado [taxado] como errado, feio e pobre. Foi diversas vezes motivo de zombarias pelo simples fato de puxarem o “erre” das palavras. Baianos, mineiros, nordestinos e caipiras são alguns dos muitos alvos das criticas [críticas] dos que se dizem “detentores do saber” ao afirmarem que a língua é única e imutável e que qualquer mudança da mesma não passa de pura ignorância. Deixando de lado todo o costume e cultura da região. Engano dos que pensam assim. A variedade lingüística serve para enriquecer nosso vocabulário e a norma culta deve sim ser conhecida por todos, mas não necessariamente empregada. Ela deve ser usada no contexto em que é pedida como, por exemplo, uma entrevista de emprego [emprego.] Dessa forma, pode-se compreender que atitudes como essas não passam de um preconceito sem fundamentos, que muitas vezes é voltada mais para falante do que pra [para] língua a qual ele domina. Espera-se que a sociedade mude essa visão sobre falar certo ou errado, pensamentos desnecessários num país tão heterogêneo como esse, pois nada impede que um caipira que “puxa o erre” tenha pleno conhecimento da norma culta e possa tomar sua vaga no mercado de trabalho.