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Pedreiras/MA, 23 de fevereiro de 2012.
Excelentíssimos Senhores Deputados,
Sou um homem do sertão, criado, e muito bem criado, com todo o estilo das gerações passadas. Não quero que pensem que pelo fato de morar no interior sou um analfabeto, felizmente eu soube aproveitar as oportunidades que meus pais me ofereceram e é sobre isso que venho falar-lhes. A verdade é que ouvi ultimamente sobre o projeto de lei que foi aprovado pelos senhores, a Lei da Palmada, que proíbe os pais de darem até as mínimas palmadas nos seus filhos. Peço que os senhores me perdoem, mas devo afirmar que considero essa lei o começo de uma tragédia social, digo-lhes por quê [ o porquê] .
Tenho dez irmãos, todos criados e crescidos pelo mesmo sistema educacional que o meu, com castigos e palmadas sempre que fossem merecidos, com a certeza de que teríamos que assumir consequências pelos maus atos que cometíamos, e mesmo tendo me chateado tanto com esses castigos, hoje agradeço aos meus falecidos pais por terem escolhido a maneira certa de me ajudarem a ser o homem honrado que sou e acredito que meus irmãos fazem o mesmo. Tenho mais seis filhos e fiz questão de criá-los da mesma forma que fui criado, ensinando-lhes através do diálogo a respeitar os mais velhos e a serem honrados, e castigando-os com medidas um pouco mais extremas quando desobedeciam às minhas ordens e de minha esposa e quando agiam com mau conduta. Por gentileza, não pensem que defendo a violência contra as crianças ou contra qualquer pessoa sequer, pelo contrário, considero isso um ato muito desumano, mas um puxão de orelha, uma palmada ou algo que não chegue a ser drástico por parte dos pais não causa traumas nas crianças, mas ensinam a levar a palavra dos pais a sério.
Uma prova disso são dois netos que tenho, ambos de cidades grandes. Carlos, de nove anos, criado pelo velho sistema educacional, é um exemplo de garoto, tem todos os quesitos de boa conduta. Já Fernando, de sete anos, criado pelo método de que palmada é coisa do passado, é um menino que nada me alegra de ter na família, não sabe respeitar ninguém, nem mesmo seus pais. Certa vez fiquei assustado ao vê-lo bater teimosamente em sua mãe, perguntei a ela por que não dava algumas palmadas nele e ela respondeu-me que isso é coisa do século passado. No tempo que palmada era sinônimo de educação, os pais conseguiam criar mais de dez filhos de maneira respeitável; hoje, que palmada é considerada crime, mal se consegue criar um só filho de maneira decente. É completamente preferível que as crianças sejam educadas agora com essas palmadas para que depois não aprendam com a vida de uma maneira muito mais drástica.
Atenciosamente,
Antônio Francisco Bonfim Freitas, um velho sertanejo.
Correção tradicional
| Critério |
Observações |
Nota |
| Adequação ao Tema |
Avalia se o texto consegue explorar as possibilidades de ideias que o tema favorece. Como no
vestibular, a redação que foge ao tema é zerada. |
2.0 |
| Adequação e Leitura Crítica da Coletânea |
Avalia se o texto consegue perceber os pressupostos da coletânea, assim
como fazer relação entre os pontos de vista apresentados e outras fontes
de referência.
|
2.0 |
| Adequação ao Gênero Textual |
Avalia se o texto emprega de forma adequada as características do gênero
textual e se consegue utilizá-las de forma consciente e enriquecedora a
serviço do projeto de texto. |
1.5 |
| Adequação à modalidade padrão da língua |
Avalia se o texto possui competência na modalidade escrita. Dessa forma,
verifica o domínio morfológico, sintético, semântico e ortográfico. |
2.0 |
| Coesão e Coerência |
Avalia se o texto possui domínio dos processos de predicação, construção
frasal, paragrafação e vocabulário. Além da correta utilização dos
sinais de pontuação e dos elementos de articulação textual. |
2.0 |
| Nota final |
9.5
|
|
Legenda de competências
| Competência |
Descrição |
| 1 |
Domínio da modalidade escrita formal |
| 2 |
Compreender a proposta e aplicar conceitos das várias áreas de
conhecimento para desenvolver o texto dissertativo-argumentativo em prosa |
| 3 |
Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações em defesa
de um ponto de vista |
| 4 |
Conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a
construção da argumentação |
| 5 |
Proposta de intervenção com respeito aos direitos humanos |