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Tema: Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira
Na obra “Brasil, País do Futuro”, publicada em 1941, o escritor austríaco Stefan Zweig afirmou que o país estaria destinado a se tornar uma das maiores nações do mundo. Contudo, passadas oito décadas, tal previsão não se concretizou, pois os obstáculos relacionados às perspectivas acerca do envelhecimento ainda comprometem o desenvolvimento nacional. Essa situação decorre, sobretudo, da ausência de políticas públicas efetivas e da omissão social diante do problema. (Muito bem. Formulou a tese)
Sob a perspectiva governamental, o pensador Nicolau Maquiavel defendeu que o governante busca, acima de tudo, a manutenção do poder e não a promoção do bem comum. Essa análise é pertinente ao contexto do Brasil, uma vez que questões ligadas à visão das pessoas acerca da velhice, fase iniciada aos 60 anos, de acordo com o Estatuto do Idoso, raramente figuram como prioridade em campanhas eleitorais. Isso se explica pela predominância de pautas com maior relevância perante a população, evidenciada por um levantamento do Datafolha, instituto de pesquisa de opinião pública amplamente reconhecido por sua credibilidade, realizado em 2025, que mostrou que economia e saúde são as principais preocupações dos brasileiros, demonstrando o peso eleitoral e midiático desses assuntos e a dificuldade de temas como o envelhecimento alcançarem destaque. Consequentemente, desafios como os estereótipos em relação a fase idosa permanecem invisíveis para amplos setores sociais e negligenciados por órgãos responsáveis pela implementação de ações, já que não produzem resultados imediatos, como votos, confirmando a reflexão maquiaveliana sobre a política. Esse descaso tem como efeito colateral graves consequências sociais, como o aprofundamento das desigualdades e a limitação de oportunidades de superação do estigma. (Delimite e explore a discussão com mais produtividade)
(Boa estratégia coesiva) Além disso, a apatia popular contribui para a perpetuação do problema. Segundo a filósofa Hannah Arendt, na teoria da “banalidade do mal”, situações negativas recorrentes passam a ser naturalizadas. De modo análogo, as perspectivas acerca do envelhecimento são frequentemente banalizadas e pouco debatidas. Isso ocorre devido à persistência de uma cultura que minimiza problemáticas sociais e normaliza injustiças cotidianas. Essa banalização reforça a negligência coletiva e dificulta a mobilização de indivíduos e instituições, refletindo-se na escassa abordagem do assunto em ambientes educacionais e na limitada formação crítica da sociedade. Tal cenário impede que o tema seja tratado com a seriedade necessária e perpetua impactos diretos, como o enfraquecimento da coesão social.
(Boa estratégia coesiva) Diante desse panorama, torna-se urgente promover transformações concretas e duradouras. Nesse viés, o Estado deve implementar campanhas de conscientização em escolas e comunidades, com o apoio do Ministério da Educação, órgão responsável por elaborar planos e políticas voltados à formação cidadã, priorizando áreas com maior vulnerabilidade. Paralelamente, a mídia nacional, como formadora de opinião, precisa difundir conteúdos acessíveis, por meio de reportagens, programas educativos e plataformas digitais, estimulando a reflexão crítica da população. Assim, a articulação continua dessas ações não apenas enfrenta as consequências diretas dos estereótipos sobre o envelhecimento, mas também visa a consolidar um país mais justo, consciente e comprometido com valores democráticos, aproximando a realidade contemporânea do ideal de “país do futuro” previsto por Stefan Zweig. (Apresentou todos os elementos da proposta)
Correção tradicional
| Critério | Nota | Observações |
|---|---|---|
| Competência 1 | 200 | Nível 5 - Demonstra excelente domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa e de escolha de registro. Desvios gramaticais ou de convenções da escrita serão aceitos somente como excepcionalidade e quando não caracterizem reincidência. |
| Competência 2 | 160 | Nível 4 - Desenvolve o tema por meio de argumentação consistente e apresenta bom domínio do texto dissertativo-argumentativo, com proposição, argumentação e conclusão. |
| Competência 3 | 120 | Nível 3 - Apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema, limitados aos argumentos dos textos motivadores e pouco organizados, em defesa de um ponto de vista. |
| Competência 4 | 200 | Nível 5 - Articula bem as partes do texto e apresenta repertório diversificado de recursos coesivos. |
| Competência 5 | 200 | Nível 5 - Elabora muito bem proposta de intervenção, detalhada, relacionada ao tema e articulada à discussão desenvolvida no texto. |
| Nota final | 880 | Parabéns! A redação está muito bem estruturada e apresenta uma argumentação consistente e coerente. Há um bom domínio da norma culta da língua e o texto demonstra maturidade no tratamento do tema. |
Legenda de competências
| Competência | Descrição |
|---|---|
| 1 | Domínio da modalidade escrita formal |
| 2 | Compreender a proposta e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o texto dissertativo-argumentativo em prosa |
| 3 | Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações em defesa de um ponto de vista |
| 4 | Conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação |
| 5 | Proposta de intervenção com respeito aos direitos humanos |