O racismo no futebol brasileiro
Tema: Racismo no futebol: por que ainda acontece?
O livro “Desculpas, Meu Ídolo Barbosa”, narra a discriminação racial sofrida pelos jogadores de futebol negros brasileiros na década de 1950. Na atualidade, o racismo descrito pela obra ainda se faz muito presente no contexto do futebol. Isso se reflete nos casos mais recentes, como o do jogador Vinícius Souza, que foi hostilizado em razão de sua cor. Dessa forma, percebe-se que o racismo é uma realidade cada vez mais frequente no futebol brasileiro. Isso se deve à naturalização do racismo, fato que resulta na impunidade. (Muito bem. Formulou a tese)
Nesse contexto, a psicóloga Cida Bento cunhou o termo “pacto narcísico da branquitude” para desvelar um pacto social informal existente entre as pessoas brancas no Brasil: a união de esforços na manutenção da estrutura social racista. Com isso, a autora demonstra como a estrutura social é responsável pela normalização de atitudes racistas tanto no contexto do futebol quanto além dele (Explore mais essa discussão). Isso é correspondido pelo conceito de “banalidade do mal”, criado pela filósofa Hannah Arendt: um mal à coletividade instrumentalizado e normalizado pelos indivíduos. Tal conceito aponta para o perigo da não coibição de práticas racistas, pois, segundo a filósofa, a frequência pode levar à banalização do mal. Assim, a atuação do Estado é essencial ao combate à naturalização do racismo.
(Boa estratégia coesiva) Segundo o Observatório da Discriminação Racial no Futebol, em quase todos os casos de discriminação racial em 2021, a punição aplicada não correspondeu à gravidade dos atos racistas. Tais dados demonstram que a impunidade, além de ser responsável por incentivar o aumento das ocorrências, é consequência direta do racismo. Essa perspectiva vai de encontro com o que o ex-deputado Carlos Alberto “Caó”, autor da Lei de Crimes Raciais, defendia: “o que faz a lei valer é a punição.” Isso evidencia como a punição é fator determinante para o efeito coercitivo da lei. Dessa forma, o enrijecimento dos mecanismos legais de punição é medida que se impõe.
(Boa estratégia coesiva) Em suma, o racismo no futebol brasileiro ainda se mostra um desafio preocupante. Este problema, decorrente da normalização, tem perigosas implicações quanto à impunidade dos atos racistas. Desse modo, o Ministério da Igualdade Racial, órgão do executivo federal responsável pelo combate ao racismo, deve promover políticas públicas de conscientização para coibir efetivamente o racismo. Tal medida deve ocorrer por meio de campanhas educativas em ambientes desportivos. Isso deve ser complementado com a atuação do Congresso Nacional no endurecimento das punições. Somente assim, teremos, com efeito, um país livre do racismo. (Proposta completa)
Correção tradicional
| Critério | Nota | Observações |
|---|---|---|
| Competência 1 | 200 | Nível 5 - Demonstra excelente domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa e de escolha de registro. Desvios gramaticais ou de convenções da escrita serão aceitos somente como excepcionalidade e quando não caracterizem reincidência. |
| Competência 2 | 200 | Nível 5 - Desenvolve o tema por meio de argumentação consistente, a partir de um repertório sociocultural produtivo e apresenta excelente domínio do texto dissertativo-argumentativo. |
| Competência 3 | 160 | Nível 4 - Apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema, de forma organizada, com indícios de autoria, em defesa de um ponto de vista. |
| Competência 4 | 200 | Nível 5 - Articula bem as partes do texto e apresenta repertório diversificado de recursos coesivos. |
| Competência 5 | 200 | Nível 5 - Elabora muito bem proposta de intervenção, detalhada, relacionada ao tema e articulada à discussão desenvolvida no texto. |
| Nota final | 960 | Excelente trabalho! A redação está dentro dos padrões de excelência do ENEM, apresentando uma argumentação clara e bem fundamentada, além de uma linguagem adequada e rica em recursos. Parabéns pela conquista! |
Legenda de competências
| Competência | Descrição |
|---|---|
| 1 | Domínio da modalidade escrita formal |
| 2 | Compreender a proposta e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o texto dissertativo-argumentativo em prosa |
| 3 | Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações em defesa de um ponto de vista |
| 4 | Conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação |
| 5 | Proposta de intervenção com respeito aos direitos humanos |