Muito além do detetor de metais

Tema: Segurança nas escolas

[Redação sem título]
Corrigida tradicionalmente Enviado em 22/05/2011
Nota tradicional: 6.5
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A tragédia do Realengo ocorrida no dia 7 de abril deste ano, quando Wellington de Oliveira de 23 anos, entrou em uma escola municipal e matou 12 estudantes, suscitou discussões relacionadas ao bullying, às doenças mentais, à educação e à segurança nas escolas. Os debates concernentes ao tema da segurança reacenderam com a morte do estudante Felipe Paiva, na quarta-feira dia 18 de maio, dentro do campus da Universidade de São Paulo (USP). Afinal, o que fazer para melhorar a segurança nas escolas?

Em Brasília, no mesmo dia 18, este assunto foi debatido na Comissão de Direitos Humanos do Senado. Representantes de diversas instituições ligadas à educação avaliaram o tema e concluíram que o combate à violência nas escolas requer medidas que vão além do aumento da segurança nas instituições de ensino, sendo uma das medidas a integração da comunidade à rotina escolar.

Na verdade, a segurança nas escolas é somente uma pecinha num grande quebra-cabeça, que é a segurança pública no Brasil. Na última década este assunto adquiriu uma enorme visibilidade pública. Trata-se de um desafio multi-disciplinar e extremamente complexo, porque suas causas coincidem com as próprias causas da verdadeira pobreza do Brasil – a tremenda desigualdade na distribuição da renda e um IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) inferior à média da América Latina, resultado de políticas deficientes de saúde e educação. A adição de um policial na porta das escolas, a introdução de câmeras e detetores de metal ou outras formas tecnologicamente sofisticadas de acesso são soluções paliativas, custosas, e não evitarão tragédias semelhantes às de Realengo ou da USP.

É preciso de uma vez por todas, que fique claro para os brasileiros de que não existe uma solução mágica. Precisamos de um compromisso de parceria entre órgãos do poder público e sociedade civil (todos nós), bem como de políticas governamentais de respeito aos direitos humanos, capacitação dos educadores, educação para a cidadania, policiamento comunitário e justiça efetiva e em tempo real, que visem à segurança e qualidade de vida dos cidadãos brasileiros. Afinal, até quando a população terá que se encarcerar mais e mais enquanto os criminosos estão à solta, circulando livremente? O povo brasileiro precisa deixar este estado letárgico de espera (por uma atitude do governo) e efetivamente entrar em ação, como uma comunidade saudável, e deixar de viver com medo.

Correção tradicional

Critério Observações Nota
Adequação ao Tema Avalia se o texto consegue explorar as possibilidades de ideias que o tema favorece. Como no vestibular, a redação que foge ao tema é zerada. 1.0
Adequação e Leitura Crítica da Coletânea Avalia se o texto consegue perceber os pressupostos da coletânea, assim como fazer relação entre os pontos de vista apresentados e outras fontes de referência. 1.5
Adequação ao Gênero Textual Avalia se o texto emprega de forma adequada as características do gênero textual e se consegue utilizá-las de forma consciente e enriquecedora a serviço do projeto de texto. 1.0
Adequação à modalidade padrão da língua Avalia se o texto possui competência na modalidade escrita. Dessa forma, verifica o domínio morfológico, sintético, semântico e ortográfico. 1.5
Coesão e Coerência Avalia se o texto possui domínio dos processos de predicação, construção frasal, paragrafação e vocabulário. Além da correta utilização dos sinais de pontuação e dos elementos de articulação textual. 1.5
Nota final 6.5

Legenda de competências

Competência Descrição
1 Domínio da modalidade escrita formal
2 Compreender a proposta e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o texto dissertativo-argumentativo em prosa
3 Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações em defesa de um ponto de vista
4 Conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação
5 Proposta de intervenção com respeito aos direitos humanos