Enfrentando a violência escolar
Tema: Bullying: ‘brincadeirinha’ comum
O assassinato brutal das crianças de Realengo, por um ex-aluno que sofreu bullying naquela escola chocou o país. Mas percebo que não é difícil encontrar outros casos de violência nas escolas que estudamos e que não são retratados pela mídia.
Já sofri bullying e vi meus colegas sofrerem. Eram ameaças, apelidos, críticas, brigas por motivos idiotas, a violência começava aí. Vejo a escola como um espaço de compartilhamento do saber, mas também neste local ocorre competição, aceitação, exclusão, que são algumas das raízes do bullying. As outras estão relacionadas à problemas familiares, como separação, rejeição e discriminação entre irmãos.
Quando se fala de agressões, logo pensamos em hematomas e feridas, mas muitas vezes a ferida que mais dói é a interna principalmente quendo a pessoa não sabe lidar com isso. Hoje percebo que os estudantes que exercem o bullying são pessoas que se sentem inferiores e querem esconder isso mostrando superioridade reprimindo um colega que não reaja às humilhações, sendo que seus principais alvos são os alunos mais quietos e tímidos.
Mas nem sempre tive essa consciência. Adolescência é uma fase complicada. Na luta pela aceitação, a gente acaba anulando até o próprio jeito de ser para imitar a maioria. Ser demasiado alto ou baixo, gordo ou magro geram angústias que são acentuadas pelas críticas dos colegas.
Tive o auxílio de minha mãe, das psicólogas e grupos de adolescentes do CAPS e do IF em que estou. O que eu chamava de problema era insignificante perto das dificuldades que meus colegas de grupo tinham. Faculdade é agora outro desafio que me faz ter a vontade de enfrentar a violência nas escolas, ou pelo menos apresentar algumas possíveis soluções.
Todos agora só falam de aumentar a segurança. Aumentar os muros, os seguranças, as câmeras, mas acredito que nada disso adianta, pois o perigo está dentro. A mente de cada um dos alunos deve ser bem cuidada, valorizada. Precisa haver dinâmicas de inclusão, respeito às diferenças, cooperação, evitar o isolamento, assistência psicológica e uma equipe extra para auxiliar o trabalho dos professores no ensino de valores. Precisa haver a cobrança do papel dos pais na educação de seus filhos. A mídia também tem sua parcela de culpa no estímulo à falta de valores.
Enfim, seja através de projetos educacionais, cuidados dos pais, religião ou qualquer outro mecanismo, a sociedade, o governo e a mídia devem se unir para incentivar o respeito, a união, a diversidade, o pensamento racional e disponibilizar recursos materiais e humanos para combater o bullying. Os resultados contribuirão significativamente para um futuro melhor e para que a tragédia ocorrida em Realengo não mais ocorra.
Correção tradicional
| Critério | Observações | Nota |
|---|---|---|
| Adequação ao Tema | Avalia se o texto consegue explorar as possibilidades de ideias que o tema favorece. Como no vestibular, a redação que foge ao tema é zerada. | 1.0 |
| Adequação e Leitura Crítica da Coletânea | Avalia se o texto consegue perceber os pressupostos da coletânea, assim como fazer relação entre os pontos de vista apresentados e outras fontes de referência. | 0.5 |
| Adequação ao Gênero Textual | Avalia se o texto emprega de forma adequada as características do gênero textual e se consegue utilizá-las de forma consciente e enriquecedora a serviço do projeto de texto. | 1.5 |
| Adequação à modalidade padrão da língua | Avalia se o texto possui competência na modalidade escrita. Dessa forma, verifica o domínio morfológico, sintético, semântico e ortográfico. | 1.5 |
| Coesão e Coerência | Avalia se o texto possui domínio dos processos de predicação, construção frasal, paragrafação e vocabulário. Além da correta utilização dos sinais de pontuação e dos elementos de articulação textual. | 1.5 |
| Nota final | 6 |
Legenda de competências
| Competência | Descrição |
|---|---|
| 1 | Domínio da modalidade escrita formal |
| 2 | Compreender a proposta e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o texto dissertativo-argumentativo em prosa |
| 3 | Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações em defesa de um ponto de vista |
| 4 | Conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação |
| 5 | Proposta de intervenção com respeito aos direitos humanos |