Eva viu a uva

Tema: Analfabetismo funcional no Brasil: por que esse problema ainda persiste?

[Redação sem título]
Corrigida tradicionalmente Enviado em 11/03/2020
Nota tradicional: 750
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Segundo o pedagogo Paulo Freire, “Não basta saber ler que Eva viu a uva”, mas é necessário significar socialmente tal enunciado (Reelabore essa construção). Embora proferido pelo estudioso em uma conferência de 1975, o excerto continua contemporâneo, haja vista que no Brasil persiste o analfabetismo funcional. Tal cenário ocorre em função de uma Base Nacional Comum Curricular (BNCC) ineficaz e de uma formação precária de docentes alfabetizadores. 

A priori, salienta-se uma estatística alarmante: 29% dos brasileiros, segundo o INAF (Desenvolva a sigla), são analfabetos funcionais, ou seja, não compreendem textos simples nem realizam cálculos básicos. Com isso, constata-se que a BNCC é ineficaz na redução do analfabetismo funcional. Ora (Reveja elementos coesivos), se o problema da formação persiste é porque a Base não se adéqua à diversidade de alunos em processo de letramento. Logo, tende-se a acentuar aquilo que o sociólogo Pierre Bourdieu chamou de “Violência Simbólica”, isto é, a naturalização e a sedimentação de discursos discriminatórios, os quais poderiam ser superados com um modelo escolar mais eficiente. (Delimite a discussão para melhorar a construção de ideias)

Ademais, há que se considerar a formação precária de docentes alfabetizadores. Não por acaso, (Reelabore) muitas licenciaturas descartam métodos didáticos focados em saberes trazidos por alunos de diferentes recortes sociais, o que intensifica a persistência do analfabetismo funcional. Um modelo alternativo a essa didática excludente é a Escola da Ponte, em Portugal. Lá, docentes e discentes participam de um processo colaborativo do conhecimento, cujo objetivo é a autonomia da aprendizagem e a valorização do indivíduo, uma referência internacional de metodologia de ensino. (As discussões precisam ser mais articuladas)

Destarte, é imperativo que o modelo educacional brasileiro seja revisto para que o filão dos analfabetos funcionais não persista. Logo, o Ministério da Educação, em conjunto com comunidades escolares, deve aprimorar o texto e a aplicação da BNCC. Para isso, formar-se-iam grupos de estudos compostos por alunos, pais, mestres e especialistas capazes de diagnosticar deficiências metodológicas e desenvolver abordagens inclusivas para estudantes oriundos de diferentes contextos sociais, respeitando as idiossincrasias de grupos distintos de aprendizes. Tudo isso com finalidade de que as pessoas não saibam apenas ler que “Eva viu uma uva”, mas que sejam capazes de atribuir uma significação aos diferentes discursos que as perpassam no cotidiano.

Correção tradicional

Critério Nota Observações
Competência 1 150 Nível 4 - Demonstra bom domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa e de escolha de registro, com poucos desvios gramaticais e de convenções da escrita.
Competência 2 150 Nível 4 - Desenvolve o tema por meio de argumentação consistente e apresenta bom domínio do texto dissertativo-argumentativo, com proposição, argumentação e conclusão.
Competência 3 150 Nível 4 - Apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema, de forma organizada, com indícios de autoria, em defesa de um ponto de vista.
Competência 4 150 Nível 4 - Articula as partes do texto com poucas inadequações e apresenta repertório diversificado de recursos coesivos.
Competência 5 150 Nível 4 - Elabora bem proposta de intervenção relacionada ao tema e articulada à discussão desenvolvida no texto.
Nota final 750 A redação está dentro do esperado para o ENEM, com pontos positivos a serem destacados. Há uma boa argumentação e coesão no texto, mas ainda é possível aprimorar a estruturação e a clareza das ideias.

Legenda de competências

Competência Descrição
1 Domínio da modalidade escrita formal
2 Compreender a proposta e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o texto dissertativo-argumentativo em prosa
3 Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações em defesa de um ponto de vista
4 Conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação
5 Proposta de intervenção com respeito aos direitos humanos