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As mulheres sempre foram e continuam sendo alvos fáceis de crimes perpetrados por homens. Porém, esse fato não deve ser simplesmente associado à ideia de que as mulheres são corpos frágeis e indefesos e, tampouco, reduzido como mera fatalidade inerente aos conflitos comuns nas relações heteroafetivas. Pelo contrário, parte significativa desses assassinatos configuram o que hoje a Lei 13.140, de 2015, precisamente tipifica como feminicídio, pois estão inseridos num quadro de violações sistemáticas à integridade física e moral da mulher, naturalizadas e, portanto, silenciadas pela cultura machista.
De fato, para o pensamento machista e misógino (Desenvolva a ideia desse dois conceitos no texto), a vida da mulher pouco importa fora dos padrões sexuais e de gênero legados pelo patriarcalismo. Na sociedade brasileira, (Sem vírgula) ainda persevera a ideias de que a existência feminina deve estar atrelada à uma vida de recato e subserviente à figura masculina, sobretudo no âmbito das relações familiares, (Ponto final) Nesse sentido, parte da humanidade das mulheres é desprezada e, nas relações afetivas, seus corpos femininos viram posse de pais, namorado e maridos. Assim, ao tentarem exercer sua autonomia, seja rompendo um relacionamento íntimo ou simplesmente usando roupas mais decotadas, por exemplo, as mulheres geralmente são punidas com agressões físicas e psicológicas e, por fim, assassinadas, dependendo da percepção de virilidade ferida e ameaçado por parte de seus algozes. (Discussões pertinentes, mas precisam ser delimitadas)
É também importante ressaltar que, na sociedade, incluindo o próprio judiciário, há uma insidiosa romantização dos casos de mulheres assassinadas por (ex-)companheiros (Como assim?). Nela, o feminicídio é crime passional e, portanto, o que o motiva não é a opressão machista nem a misoginia, mas uma suposta paixão avassaladora, ao estilo da peça teatral do dramaturgo inglês William Shakespeare, na qual o mouro Otelo, por ciúmes infundados, mata sua amada Desdêmona. Todavia (Vírgula) essa tese do amor letal não é só piegas, como naturaliza uma cultura que condiciona a liberdade e a própria vida das mulheres aos desejos e vontades masculinos. (Reestruture)
Diante disso, a Lei do feminicídio é um enorme avanço para o controle e a devida punição de violências letais dirigidas exclusivamente contra as mulheres. Mas punir não basta. É essencial que o feminicídio, enquanto desfecho trágico de uma trajetória de violências sofridas por várias mulheres e ligadas a preconceitos de gênero, seja reconhecido e livremente discutido nos espaços democráticos, incluindo, logicamente, todas as instituições brasileiras de ensino, do nível superior ao básico. Afinal, o machismo mata. (Proposta superficial)
Correção tradicional
| Critério |
Nota |
Observações |
| Competência 1 |
150 |
Nível 4 - Demonstra bom domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa e de escolha de registro, com poucos desvios gramaticais e de convenções da escrita. |
| Competência 2 |
150 |
Nível 4 - Desenvolve o tema por meio de argumentação consistente e apresenta bom domínio do texto dissertativo-argumentativo, com proposição, argumentação e conclusão. |
| Competência 3 |
100 |
Nível 3 - Apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema, limitados aos argumentos dos textos motivadores e pouco organizados, em defesa de um ponto de vista. |
| Competência 4 |
150 |
Nível 4 - Articula as partes do texto com poucas inadequações e apresenta repertório diversificado de recursos coesivos. |
| Competência 5 |
100 |
Nível 3 - Elabora, de forma mediana, proposta de intervenção relacionada ao tema e articulada à discussão desenvolvida no texto. |
| Nota final |
650
|
A redação está dentro do esperado para o ENEM, com pontos positivos a serem destacados. Há uma boa argumentação e coesão no texto, mas ainda é possível aprimorar a estruturação e a clareza das ideias.
|
Legenda de competências
| Competência |
Descrição |
| 1 |
Domínio da modalidade escrita formal |
| 2 |
Compreender a proposta e aplicar conceitos das várias áreas de
conhecimento para desenvolver o texto dissertativo-argumentativo em prosa |
| 3 |
Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações em defesa
de um ponto de vista |
| 4 |
Conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a
construção da argumentação |
| 5 |
Proposta de intervenção com respeito aos direitos humanos |