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“Nas grandes cidades de um país tão violento os muros e as grades nos protegem de quase tudo, mas o quase tudo quase sempre é quase nada”. É evidente que esse trecho da música de Gessinger ilustra satisfatoriamente a busca do brasileiro por soluções temporárias (Reveja essa ideia) para os problemas de segurança do país, enquanto a situação se agrava. Assaltos, arrastões, assassinatos, tudo isso deixa a população insegura e tem gerado debates sobre o armamento civil, que diminuiria a sensação de impotência do cidadão. No entanto, esse recurso não se mostra tão eficiente, já que não solucionaria o problema e gerariam outros, ainda mais preocupantes.
Uma lei que autorize o livre porte de armas, sem muitas restrições, poderia diminuir a criminalidade, pois garante ao cidadão o direito de se defender e é capaz de causar medo ao infrator, (Sem vírgula) o fato da vítima estar armada e reagir ao crime. Contudo, as pessoas fatalmente usariam armas em outros contextos além da defesa pessoal, como em brigas domésticas, no trânsito e em discussões. Nos EUA, por exemplo, onde o porte e compra desses artigos não tem grande restrição, são comuns os casos de chacinas promovidas por civis. Exemplifica tal situação o recente assassinato coletivo na Carolina do Sul, em que nove pessoas negras foram vítimas de racismo.
Além disso, o problema da criminalidade é muito mais complexo e está relacionado a questões como a desigualdade social e o baixo nível de qualidade da educação pública. Desse modo, o livre porte de armas não solucionará a causa do crime (Desenvolva mais essa ideia no texto). Ademais, o cidadão não é especialista no manuseio de uma arma e o bandido poderá ser ainda mais implacável perante movimentos bruscos dos assaltados. Estudos de organizações como a “Rand Corporation”, concluem que o indivíduo comum que sai à rua armado tem 60% a 70% mais chances de morrer em caso de conflito.
Fica evidente, portanto, que o armamento de civis não representa uma solução adequada para a violência e é um recurso perigoso para a sociedade. O Governo deveria investir na formulação de políticas públicas que façam com que menos cidadãos tenham motivos para cometer delitos. Isso é possível com maiores investimentos na educação, de forma a preparar melhor o jovem para o mercado de trabalho e preencher seu tempo ocioso com atividades de esporte, cultura e lazer. Outrossim, uma maior atenção do Estado nas áreas mais carentes, com programas sociais de erradicação da pobreza, diminuiria as desigualdades sociais e, consequentemente, a criminalidade.
Correção tradicional
| Critério |
Nota |
Observações |
| Competência 1 |
150 |
Nível 4 - Demonstra bom domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa e de escolha de registro, com poucos desvios gramaticais e de convenções da escrita. |
| Competência 2 |
150 |
Nível 4 - Desenvolve o tema por meio de argumentação consistente e apresenta bom domínio do texto dissertativo-argumentativo, com proposição, argumentação e conclusão. |
| Competência 3 |
150 |
Nível 4 - Apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema, de forma organizada, com indícios de autoria, em defesa de um ponto de vista. |
| Competência 4 |
150 |
Nível 4 - Articula as partes do texto com poucas inadequações e apresenta repertório diversificado de recursos coesivos. |
| Competência 5 |
150 |
Nível 4 - Elabora bem proposta de intervenção relacionada ao tema e articulada à discussão desenvolvida no texto. |
| Nota final |
750
|
A redação está dentro do esperado para o ENEM, com pontos positivos a serem destacados. Há uma boa argumentação e coesão no texto, mas ainda é possível aprimorar a estruturação e a clareza das ideias.
|
Legenda de competências
| Competência |
Descrição |
| 1 |
Domínio da modalidade escrita formal |
| 2 |
Compreender a proposta e aplicar conceitos das várias áreas de
conhecimento para desenvolver o texto dissertativo-argumentativo em prosa |
| 3 |
Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações em defesa
de um ponto de vista |
| 4 |
Conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a
construção da argumentação |
| 5 |
Proposta de intervenção com respeito aos direitos humanos |