Relações rasas
Tema: Estamos nos relacionando de forma superficial?
Muito conhecido por sua abordagem critica, o desenho americano South Park retrata com acidez os fatos da sociedade contemporânea. Em um dos episódios mais polêmicos, as relações humanas foram postas em cheque, quando, na trama, o garoto Kyle se viu obrigado a criar um perfil no facebook, pois todos os seus amigos abandonaram as velhas brincadeiras de rua e a rede social tornou-se a nova maneira de ter amigos. Se na ficção houve um distanciamento e individualismo social, na vida real não seria diferente. Assim, surge a questão: estamos nos relacionando de forma superficial?
Historicamente, o ato de manter laços sociais se fez presente. Na idade antiga, após o advento da agricultura, o homem percebeu a importância e a praticidade de manter relações em grupo, formando, assim, as primeiras cidades. Atualmente, mesmo com o crescimento das cidades e a necessidade de conviver em sociedade, a interação do homem com o meio físico e social tem apresentado um visível declínio. A globalização e o advento da internet são os pilares dessa perca perda de zelo para com o outro. Se por um lado elas diminuem barreiras e distâncias geográficas, por outro contribuem com o individualismo. Graças a ambas, pessoas compram novidades a todo instante e criam laços rasos com outros indivíduos aleatoriamente, sem que haja o “calor humano”.
Ademais, o fator cultural também contribui com a sua parcela de superficialidade, quando, muitas vezes por incentivo dos pais, pessoas se relacionam com famosos ou com empresários de elevado poder aquisitivo visando apenas o status financeiro.
Fica clara, portanto, a necessidade de medidas que valorizem as relações entre indivíduos. Segundo Pitágoras, é preciso educar as crianças para não corrigir os adultos. Com base nisso, o Ministério da Educação deve, em parceria com as escolas, promover palestras e disponibilizar aulas de sociedade e cidadania, mostrando aos pequenos a importância de fabricar laços humanos duradouros na infância e na vida adulta. Os pais precisam, por outro lado, ensinar em casa que tanto o amor quanto a amizade não dependem de poder econômico. Dessa forma, as próximas gerações poderão construir agrupamentos mais verdadeiros e menos momentâneos.
Correção tradicional
| Critério | Nota | Observações |
|---|---|---|
| Competência 1 | 100 | Nível 3 - Demonstra domínio mediano da modalidade escrita formal da língua portuguesa e de escolha de registro, com alguns desvios gramaticais e de convenções da escrita. |
| Competência 2 | 150 | Nível 4 - Desenvolve o tema por meio de argumentação consistente e apresenta bom domínio do texto dissertativo-argumentativo, com proposição, argumentação e conclusão. |
| Competência 3 | 100 | Nível 3 - Apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema, limitados aos argumentos dos textos motivadores e pouco organizados, em defesa de um ponto de vista. |
| Competência 4 | 150 | Nível 4 - Articula as partes do texto com poucas inadequações e apresenta repertório diversificado de recursos coesivos. |
| Competência 5 | 200 | Nível 5 - Elabora muito bem proposta de intervenção, detalhada, relacionada ao tema e articulada à discussão desenvolvida no texto. |
| Nota final | 700 | A redação está dentro do esperado para o ENEM, com pontos positivos a serem destacados. Há uma boa argumentação e coesão no texto, mas ainda é possível aprimorar a estruturação e a clareza das ideias. |
Legenda de competências
| Competência | Descrição |
|---|---|
| 1 | Domínio da modalidade escrita formal |
| 2 | Compreender a proposta e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o texto dissertativo-argumentativo em prosa |
| 3 | Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações em defesa de um ponto de vista |
| 4 | Conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação |
| 5 | Proposta de intervenção com respeito aos direitos humanos |