Carta ao presidente do Ibama
Tema: Usina de Belo Monte: desenvolvimento ou agressão ambiental?
Manaus, 12 de maio de 2010.
Exelentíssimomo Sr. Presidente do Ibama:
Escrevo-lhe esta carta a fim de demonstrar minha frustração com o Ibama, por ter concedido licença ambiental para implantação da Usina de Belo Monte. As manifestações contrárias ao projeto, que partiram de ambientalistas, estudiosos e até de personalidades famosas estrangeiras, têm total fundamento, e devem ser relevadas. Como engenheiro e cidadão brasileiro, sinto-me no dever de também me juntar aos protestos.
Os defensores da obra argumentam que para obter ritmo de crescimento econômico maior é imprescindível gerar mais energia, e que ela seja ser limpa. Quanto a isso, estão totalmente corretos. No entanto, nesse caso, uma fonte energética não emissora de carbono pode causar impacto tão grande quanto uma poluente.
A alteração no regime de escoamento das águas do rio Xingu reduzirá a flora e a fauna da região. Com isso, as comunidades ribeirinhas e indígenas que lá vivem, quando não inundadas, ficarão seriamente comprometidas, já que se sustentam da pesca e do extrativismo vegetal. Além disso, diversas vias de transporte fluvial utilizadas por eles desaparecerão, limitando o acesso dessas populações a serviços básicos. Dessa forma, cidades - como Altamira – poderão se desestabilizar com o aumento repentino de habitantes provenientes de áreas tomadas pela água.
Ainda que seja grande a parcela beneficiada com a construção da hidrelétrica (cerca de 26 milhões de brasileiros, quase 15% da população total do país), sua viabilidade econômica é duvidosa. Estima-se que serão poucos meses do ano que a usina funcionará com seu potencial máximo, devido aos períodos de seca. A obra submeterá, ainda, uma grande dívida ao Estado. O resultado será uma energia de custo alto: grandes perdas financeiras, ambientais e sociais.
Agradeço a atenção e espero que o Ibama mude sua posição.
Um amazonense indignado.
Correção tradicional
| Critério | Observações | Nota |
|---|---|---|
| Adequação ao Tema | Avalia se o texto consegue explorar as possibilidades de ideias que o tema favorece. Como no vestibular, a redação que foge ao tema é zerada. | 1.5 |
| Adequação e Leitura Crítica da Coletânea | Avalia se o texto consegue perceber os pressupostos da coletânea, assim como fazer relação entre os pontos de vista apresentados e outras fontes de referência. | 2.0 |
| Adequação ao Gênero Textual | Avalia se o texto emprega de forma adequada as características do gênero textual e se consegue utilizá-las de forma consciente e enriquecedora a serviço do projeto de texto. | 2.0 |
| Adequação à modalidade padrão da língua | Avalia se o texto possui competência na modalidade escrita. Dessa forma, verifica o domínio morfológico, sintético, semântico e ortográfico. | 1.5 |
| Coesão e Coerência | Avalia se o texto possui domínio dos processos de predicação, construção frasal, paragrafação e vocabulário. Além da correta utilização dos sinais de pontuação e dos elementos de articulação textual. | 2.0 |
| Nota final | 9 |
Legenda de competências
| Competência | Descrição |
|---|---|
| 1 | Domínio da modalidade escrita formal |
| 2 | Compreender a proposta e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o texto dissertativo-argumentativo em prosa |
| 3 | Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações em defesa de um ponto de vista |
| 4 | Conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação |
| 5 | Proposta de intervenção com respeito aos direitos humanos |