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Em 23/06/2009 10h54, atualizado em 23/06/2009 15h24

Jornalismo sem diploma?

Blog do Vestibular

O artigo não representa a opinião do site. A responsabilidade é do autor do texto.

Por Wanessa de Almeida
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Uma decisão lamentável ou não? Isso só o tempo nos dirá. Mas a determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) em derrubar a exigência do diploma para exercer o jornalismo poderá ter consequências sérias. Não unicamente para aqueles que já estão no mercado de trabalho, mas para os que sonham em se tornar emissores de informação.

Segundo o presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, estabelecer que um curso superior seja obrigatório para escrever em jornais, revistas ou então ancorar um telejornal fere o direito de liberdade de expressão, previsto na Constituição de 1988. Pensemos então: um impresso, por exemplo, é feito apenas de opiniões? Quando se abre um jornal, vê-se apenas artigos, colunas e crônicas? Claro que não. E é aí que entra a formação superior.



O presidente do STF é um dos mais favoráveis a não obrigatoriedade do diploma


Apesar da crença do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo e do Ministério Público Federal, que interpuseram recurso no STF contra a obrigatoriedade do diploma, escrever uma notícia não é tão simples assim. Pergunte a quem acaba de entrar na faculdade e quem está saindo dela para perceber que a diferença no nível de técnica é completamente diferente.

Afinal, não é apenas aprender o que é lead de uma notícia. Muito mais profundo do que isso é olhar um acontecimento pelos seus vários ângulos, encontrar as diversas maneiras que ele pode ser noticiado seguindo sempre a regra da imparcialidade, deixando ao leitor a missão de formar sua própria opinião.

Aí vêm aqueles que defendem que bom jornalista é aquele que já sabe escrever, mesmo antes de entrar na faculdade. Isso é óbvio. Mas exercer uma profissão tão necessária para o bom andamento da nossa sociedade implica outras nuances, como conhecimento ético e teórico. Entram em cena então os que defendem que ética se aprende no dia a dia e não nas carteiras da faculdade. Isso também é claro! Faço outra pergunta: você, que está lendo este artigo e está se preparando para o vestibular, que tem uma boa bagagem de leitura, já ouviu falar em ética da responsabilidade, ética utilitária, ou então em ética da alteridade?

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Podem acreditar que elas estão mais ligadas ao seu cotidiano do que você possa imaginar, mas estudá-las a fundo faz com que o futuro jornalista entenda o que cada palavra utilizada no seu texto pode acarretar. E são elas que fazem milhares de jornalistas neste país, mesmo com salários desvalorizados, escreverem diariamente com imparcialidade, olhando os vários lados de um mesmo fato, garantindo assim que a boa informação chegue isenta ao receptor.



Ele faz ou não a diferença na hora de noticiar?


O que sempre se frisa é que a principal função do jornalista é fazer com que a notícia chegue de forma clara e concisa ao leitor, telespectador ou ouvinte. O jornalista econômico, por exemplo, traduz as fórmulas matemáticas e contas de um economista e as coloca em palavras para que se tornem entendíveis. E nem todos são capacitados para isso, ou são? Repetindo o que disse no início: isso só o tempo nos dirá!

A Federação Nacional dos Jornalistas, Fenaj, considera lamentável a decisão do STF. Há anos ela encabeça uma luta justamente contrária a atitude dos ministros. Em entrevista há vários jornais de grande circulação do país, o advogado da instituição, João Roberto Fontes, saiu em defesa do diploma.

"A exigência não impede ninguém de escrever em jornal. Não é exigido diploma para escrever em jornal, mas para exercer em período integral a profissão de jornalista. O jornalismo já foi chamado de quarto Poder da República. Será que não é necessário o conhecimento específico para ter poder desta envergadura? Um artigo escrito por um inepto poderá ter um efeito devastador e transformar leitores em vítimas da má informação", afirmou o advogado, ao frisar que contratar profissional sem formação poderá acarretar na perda de credibilidade dos mass media.



Cartaz da campanha da Fenaj pela obrigatoriedade do diploma


Opiniões, histórias e manifestações contrárias à parte, dê sua opinião! O que acha dessa decisão? Afinal, o fim do diploma pode prejudicar o bom andamento da veiculação da informação do país? Ou será o contrário?

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