Aprovada em 1º lugar em curso pioneiro de IA reforça importância de mulheres na área da tecnologia

Curso de Inteligência Artificial da UFG foi um dos mais disputados do SiSU no país

Em 04/02/2026 14h45 , atualizado em 05/02/2026 14h14

Por Lucas Afonso
Sarah Antunes sorrindo em comemoração à aprovação
Aos 17 anos, Sarah Antunes foi a primeira colocada em um dos cursos mais disputados do Brasil.
Crédito da Imagem: Foto - Arquivo
Imprimir
A+
A-
Facebook
X
WhatsApp
Play
Ouça o texto abaixo!
1x

A primeira colocada do curso de Inteligência Artificial (IA) da Universidade Federal de Goiás (UFG) é Sarah Antunes Vilela de Aguiar, de apenas 17 anos. A jovem goiana que mora em Goiânia (GO) conseguiu a aprovação na graduação que foi uma das mais disputadas desta edição do Sistema de Seleção Unificada (SiSU) que utiliza as notas do Enem.

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

Além do curso de IA, também foi aprovada em Ciências da Computação na Universidade de São Paulo (USP), por meio do vestibular da Fuvest, considerado um dos mais difíceis. E para este mesmo curso, conquistou a vaga para a UFG, pelo vestibular tradicional retomado no ano passado após anos sem ser realizado.

A estudante compartilha que se sente honrada e entende o peso da conquista pelo primeiro lugar neste curso sendo mulher, uma vez que a formação é majoritariamente ocupada por homens. Ao Brasil Escola, ela conta como foi sua trajetória de estudos e dicas para o Enem e vestibulares.

Leia também: Aos 18 anos, estudante é aprovada em Medicina em cinco universidades públicas 

Jornada de estudos

Sarah não teve uma rotina rígida e fixa, alternava entre atividades de resolução de exercícios, estudo aprofundado dos conteúdos e revisões rápidas das matérias ao longo dos dias da semana.

Ela reforça que a qualidade é melhor que a quantidade. Em sua opinião, uma rotina mais leve é mais eficaz do que uma que leva à exaustão. 

Sarah e sua mãe
À esquerda, Sarah e sua mãe Fernanda Antunes, e à direita, Sarah com a medalha da Olimpíada Nacional de História do Brasil (ONHB).
Créditos: Arquivo.

Em sua preparação, fez muitos simulados e questões, que a ajudaram a compreender o que era importante saber de cada conteúdo, como eles costumavam ser cobrados e o peso deles em cada prova.

Ela elogia os professores do ensino médio de sua escola que afastaram ela e seus colegas ao máximo da impessoalidade e das cobranças por desempenho de um cursinho.

Fora da escola, realizou cursos extras para a redação, que considerava sua área de maior dificuldade. Essa capacitação ajudou a goiana a desenvolver não somente a escrita, mas o senso crítico dentro e fora do contexto dos vestibulares.

Para quem está no processo de preparação para os exames de acesso ao ensino superior, Sarah pontua que é muito importante encontrar maneiras de se situar dentro dos estudos de cada matéria.

Ter elaborado uma planilha dos conteúdos estudados ao longo do ano auxiliou Sarah a ter uma sensação maior de controle e perceber como os conteúdos possuem uma certa linearidade. "Estudar sem noção disso pode deixar muitos estudantes sobrecarregados e perdidos, especialmente em meio à quantidade enorme de informação a qual somos apresentados diariamente na preparação pro vestibular."

Além do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), Sarah prestou o vestibular da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest), que oferece vagas para a USP, e o processo seletivo seriado da Universidade de Brasília (UnB).

A jovem foi aprovada também em Ciências da Computação na USP e UFG (pelo vestibular tradicional). Ela decidiu seguir o caminho que estava trilhando de preparação para a Fuvest e optou por mudar para São Paulo e cursar Ciências da Computação.

Acesse: Simulado gratuito para o Enem do Brasil Escola

Desafios

"Lembrar que nós somos indivíduos para além da jornada de estudos". Esse é o maior desafio destacado pela jovem goiana. A estudante enfatizou que as relações de amizade a ajudaram a ter liberdade em ser quem ela é e a não se resumir à vida acadêmica.

"Enquanto vestibulandos nós somos constantemente reduzidos a números, e isso gera uma pressão enorme que gera muita culpa e ansiedade – sentimentos que são muito explorados e até incentivados por toda uma indústria que vende “respostas rápidas” e “resultados certos”."

Para ela, foi necessário reconhecer as exigências irrealistas e compreender coisas que ela não tinha obrigação de saber de tudo. Isso a ajudou a não cair em certas armadilhas. "Ninguém consegue dar conta de tudo e se propor a fazer isso é uma decepção certa".

Sarah e suas amigas
Sarah e suas amigas.
Crédito: Arquivo.

Saiba mais: Como é o curso superior pioneiro de IA do país?

Representatividade feminina

Desde o ensino fundamental, Sarah participou de competições do conhecimento como as olimpíadas de Matemática, e apesar de notar que a maioria dos participantes eram meninos, não perdeu o interesse pela área.

Ela conta que se sente honrada e entende o peso em ser a primeira colocada no curso de Inteligência Artificial, majoritariamente ocupado por homens.

Para ela é muito importante mostrar que garotas são igualmente capazes de ocupar estes espaços, seja em cursos de Ciências Exatas ou em carreiras da área de tecnologia.

"É um fato conhecido que os homens sempre são mais aplaudidos e reconhecidos em suas conquistas, ocupando as posições de destaque mesmo quando essas conquistas são de menor ou igual tamanho que as nossas. O rotineiro é que as expectativas sejam depositadas sobre eles e, apesar de isso ser desanimador para nós mulheres, é sempre muito satisfatório mostrar que essa forma de ver o mundo é muito limitada e tem suas falhas."

Sarah em comemoração da aprovação com amigas
Sarah em comemoração da aprovação com amigas.
Crédito: Arquivo.

Veja também: Professora comenta importância do Dia Internacional das Mulheres na Ciência 

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

Como é o curso superior de Inteligência Artificial na prática?

Fique por dentro de como funciona o curso pioneiro de Inteligência Artificial do país: