Tornar-se delegada de polícia é um ato de bravura, este é um destino que pertence aquelas pessoas que não convivem com a injustiça e sentem a necessidade de proteger os mais fracos. É, também, uma vida em que se assume riscos e o perigo é real.
Por isso, é uma vida profissional complexa, porém gratificante. A fim de compreender melhor a trajetória destas profissionais, conversamos com Cristine Costa, delegada da polícia civil de São Paulo.
Confira o que descobrimos!
Cristine nos explica que, durante sua graduação em direito, sentiu atração pelo direito penal, mas não se enxergava atuando na área da advocacia. Quando ela descobriu a profissão de delegada, teve certeza que era isso que queria para sua vida.
Ela declarou:
"Então, foquei meus estudos nessa direção. Nunca fui “concurseira”. Nada contra, mas acho que devemos seguir nossa vocação, porque o trabalho é árduo, duro, difícil, mas encontramos prazer naquilo que amamos fazer e sempre conseguimos mais êxito quando fazemos por amor e vocação."
Sobre sua rotina de trabalho, Cristine explica que policiais não tem um horário de trabalho bem estabelecido. Por vezes, é preciso cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão durante a madrugada.
Assim como, é necessário virar noites para executar flagrantes e capturas. Mas, na maior parte do tempo, cumprem turnos de 12 horas.
Ela afirma que o dia a dia é sempre muito corrido para quem trabalha dentro das unidades policiais. Mas, também há a opção de realizar trabalho de escritório se optar por trabalhar dentro dos departamentos.
A principal característica destacada pela Cristine sobre bons profissionais da sua área é o olhar investigativo. Ela declara:
"Sempre desconfiarmos de situações aparentemente simples e esclarecidas. Particularmente na minha área de atuação, que é o enfrentamento a violência doméstica e sexual contra mulheres, crianças e adolescentes, além do olhar aguçado para a atividade policial, acredito ser fundamental preservarmos a empatia pelas vítimas."
Para além, da função punitiva da polícia, Cristine destaca a necessidade de acolhimento que as vítimas têm. Principalmente, quando o assunto é violência doméstica e/ou sexual.
Para jovens que querem trabalhar dentro das delegacias, Cristine recomenda que procurem conhecer a carreira. Ela faz um alerta para quem busca uma atividade 100% segura, sem riscos e com horários estabelecidos:
"Certeza que não vão gostar da carreira policial. Um profissional insatisfeito é péssimo para si próprio e para a corporação."
Mas, para quem tem essa vocação, ela recomenda que se estude muito e faz uma promessa:
"Existe uma frase muita “batida”, mas acreditem, ela é real - só não passa quem desiste! Acreditem!"
Por Tiago Vechi
Jornalista
Fonte: Brasil Escola - https://vestibular.brasilescola.uol.com.br/vida-profissional/delegada.htm