Como impressionar os seus professores em uma universidade no exterior

Causar uma boa impressão com o corpo docente auxilia na vida acadêmica e até no mercado de trabalho.

Causar uma boa impressão em seus professores, tanto no Brasil quanto no exterior, pode ter um grande impacto no seu desempenho acadêmico. Calma, não estamos falando de bajular para ganhar nota alta! Impressionar, neste caso, significa ser capaz de chamar a atenção dos docentes pelos motivos certos, com um comportamento positivo e dedicação aos estudos.

No geral, não tem muito segredo: basta ser participativo, respeitoso, disciplinado, fazer suas tarefas em dia e dedicar-se aos estudos para conseguir boas notas. No entanto, como o sistema educacional e a cultura acadêmica mudam de país para país, algumas coisas variam no que se acredita ser um comportamento adequado entre estudantes universitários.

Por que é importante causar uma boa impressão?

Apesar da crise de desvalorização que a profissão passa no Brasil, a figura do professor na maioria dos principais destinos de estudo do mundo ainda instiga muito respeito. Ao escolher estudar em uma universidade internacional, você terá a oportunidade de ser lecionado por importantes profissionais do setor, pesquisadores de renome e docentes especializados, tanto aqueles com anos de carreira e experiência quanto os mais jovens inovadores com potencial para revolucionar a área de estudo.

Há duas razões principais para causar uma boa impressão em seus professores de uma universidade internacional:

1. Ser notado por eles pelo seu comportamento exemplar pode levar a um melhor rendimento em sala de aula e em exames, além de tornar a experiência de aprendizado muito mais prazerosa. Isso pode resultar também em ótimas cartas de recomendação quando você concluir o curso.

2. A boa convivência e a interação saudável com seus professores se desenvolvem em uma genuína amizade universitária e profissional, que irá muito além do curso acadêmico. Os seus docentes são exemplos de sucesso e acabam se tornando conselheiros para a vida toda. Isto significa, por exemplo, ter alguém a quem recorrer quando você tiver que tomar uma importante decisão profissional ou alguém que possa orientá-lo durante a sua carreira.

Diferença entre a cultura ocidental e oriental

Primeiramente, é importante compreender que o comportamento considerado ideal em universidades ocidentais difere amplamente das orientais. Nos Estados Unidos, Canadá, Europa e Austrália, por exemplo, os estudantes são incentivados a participar em sala de aula, fazer perguntas, expor suas opiniões e compartilhar pensamentos. 

Esta atitude ativa e participativa pode ser considerada desrespeitosa na Ásia e no Oriente Médio, em países como Japão, China ou Coreia do Sul, por exemplo. Na cultura oriental, as pessoas são incentivadas a pensar antes de falar, a não provocar confrontos públicos e também a respeitar a hierarquia, no caso, do professor e do aluno. Falar em sala de aula e questionar o docente de qualquer forma em um país oriental pode ser interpretado como falta de respeito e indisciplina.

Além disso, os métodos de ensino também costumam divergir entre as regiões. O mundo ocidental valoriza muito mais a criatividade, a interação, o pensamento crítico e o aprendizado prático, focando sempre no indivíduo; o mundo oriental, por sua vez, valoriza o trabalho árduo, a disciplina, a repetição e a absorção passiva do conhecimento (o que, consequentemente, minimiza a interação entre professor e alunos), com foco no grupo. 

Como causar uma boa impressão nos seus professores no exterior

A seguir, focaremos nos destinos de estudo mais populares entre estudantes brasileiros, como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia. Todos eles têm como características em comum a língua inglesa e fazem parte do mundo ocidental – portanto, possuem alguns costumes semelhantes quando o assunto é desempenho acadêmico.

O bom uso da independência

As instituições de ensino superior destes países mencionados acima dão ampla independência aos estudantes universitários. A intenção é desenvolver a responsabilidade, o pensamento independente e crítico, entre outras habilidades sociais importantes para a vida do estudante. 

Na maioria dos casos, eles são permitidos a montar suas próprias grades curriculares – ou seja, escolher quais matérias cursar –, e a escolher o ritmo em que cursarão as matérias obrigatórias e eletivas – e, consequentemente, decidem em quanto tempo se formarão.

A independência, principalmente para o estudante acostumado com o sistema de ensino brasileiro, é inédita. Quem souber aproveitar dela com responsabilidade e disciplina com certeza será notado pelos professores.

Pontualidade

Esqueça os 15, 20 (às vezes até 30) minutos de atraso para entrar em sala de aula. Em países como o Reino Unido, a pontualidade é coisa muito séria. Chegar atrasado a qualquer compromisso ou horário marcado é uma grande falta de respeito. Em algumas universidades, o atraso significa ser proibido de entrar em sala de aula e, em alguns casos, advertência. Em outras, principalmente aquelas que dão bastante liberdade ao estudante, o atraso significa irresponsabilidade e com certeza vai denegrir sua imagem na universidade.

Leitura prévia

É bem provável que você tenha uma grande quantia de leituras para fazer antes das suas aulas. Isto também é chamado de estudo independente: os professores costumam indicar textos, capítulos, às vezes até mesmo um livro inteiro – e também vídeos e filmes para assistir – que precisam ser lidos antes da próxima aula, independente se for um material impresso ou online. O objetivo é que o estudante venha preparado à próxima aula, já sabendo qual será o conteúdo e os principais tópicos que serão discutidos, e também que já tenha formulado sua própria opinião sobre o assunto.

Nestes países, o professor não quer que o estudante apenas escute o que ele tem para falar e faça anotações (até mesmo porque, hoje em dia, ao invés de anotar, basta tirar uma foto do quadro). Falhar em manter estas leituras prévias em dia significa não aproveitar 100% das suas aulas e também não ser capaz de participar ativamente.

O proveito da oportunidade

Se você está matriculado em uma matéria, principalmente se for uma popular e concorrida na universidade, isto automaticamente quer dizer que outras pessoas ficaram sem vaga para cursá-la. O mínimo que o professor espera de você é que valorize a sua vaga no curso e saiba tirar proveito dela. 

Como? Prestando atenção, evitando conversas paralelas, participando em sala de aula, fazendo as leituras prévias, se preparando para o conteúdo que será discutido em sala, entregando as tarefas no prazo certo, etc., inclusive não ter medo de levantar a mão para compartilhar suas opiniões e tirar suas dúvidas.

Participação em sala de aula

Aqui vão algumas dicas de como participar das aulas de maneira proativa e positiva:

As regras do professor

Cada docente terá suas próprias regras. Por exemplo, alguns podem proibir o uso do celular dentro da sala, pelo menos enquanto ele estiver explicando o conteúdo. Outros podem passar orientações bem específicas sobre como escrever o seu trabalho valendo nota. Saber seguir as regras e orientações são qualidades que te farão ser notado.

A disponibilidade do professor além das salas de aulas

Os professores costumam ter o que em inglês é chamado de out of office hours, ou em português “fora das horas de expediente”. Normalmente, isto significa que eles disponibilizam algumas horas do dia ou em dias específicos da semana para atender aos seus alunos além das salas de aulas. 

Às vezes, a porta fica aberta e os alunos têm permissão para aparecer sem avisar, às vezes é necessário marcar um horário. Independente de como for, aproveite destas oportunidades de falar individualmente com o seu professor para tirar dúvidas, esclarecer tarefas de casa, receber orientação sobre a sua área de estudo e mercado de trabalho, ou simplesmente conhecer mais sobre a carreira e experiência dele.

Se ele oferecer um email de contato no começo do curso, você pode utilizar também este meio de comunicação para manter-se em contato e aproveitar do conhecimento que ele tem para compartilhar.

Multiculturalismo

Uma grande vantagem de se estudar em uma universidade desses países populares entre estudantes internacionais é o multiculturalismo do corpo discente. Muito provavelmente você estudará com gente do mundo inteiro, cada um com uma cultura e costumes diferentes. 

Os professores valorizam essa riqueza intercultural e sabem aproveitá-la em suas aulas pedindo para que os seus alunos falem de suas culturas e compartilhem suas histórias, principalmente se isso ajudar a complementar o conteúdo da matéria lecionada.

É bem possível que, ao saber sua nacionalidade, o professor faça perguntas diretas sobre o país para você. Por isso, esteja sempre aberto a falar sobre o Brasil, a nossa cultura, costumes, cidades, idioma, economia e tudo que faz do país um lugar único e interessante aos olhos dos estrangeiros. 


Fonte: Brasil Escola - https://vestibular.brasilescola.uol.com.br/estudar-no-exterior/como-impressionar-os-seus-professores-uma-universidade-no-exterior.htm