Enem 2026: especialistas comentam como utilizar obras literárias como repertório cultural

Especialista comenta formas de criar um repertório cultural relevante para escrever a redação do exame. O texto deve ser produzido no primeiro dia de provas, 8 de novembro.

Em 28/05/2026 11h59 , atualizado em 03/06/2026 08h56

Por Jade Vieira
Foto de estudante lendo no chão de biblioteca
O Enem 2026 acontecerá em 8 e 15 de novembro.
Crédito da Imagem: Foto - Shutterstock
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O Enem 2026 será aplicado em 8 e 15 de novembro. Apesar de as inscrições ainda estarem abertas, até o dia 5 de junho, é importante já se preparar para o exame.

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Parte essencial do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e que deixa os estudantes apreensivos é a redação, que deve ser feita no formato de uma dissertação-argumentativa.

No texto, o estudante deve desenvolver e defender uma tese relacionada ao tema sugerido pela banca elaboradora, bem como apresentar uma solução para o problema indicado na frase temática.

O repertório cultural do estudante compõe o desenvolvimento do texto. Laura Vecchioli do Prado, coordenadora de Literatura e Informativos do Editorial de Educação Básica da SOMOS Educação, reforça que “construir um repertório de qualidade é imprescindível para escrever uma redação competitiva, capaz de mobilizar conhecimentos diversos e sustentar a argumentação apresentada”.

Leia também: veja o passo a passo da inscrição do Enem 2026

Obras literárias como repertório cultural

Pensando no repertório cultural, toda obra literária pode ser explorada, desde que o estudante demonstre capacidade de relacionar a obra com o tema da redação, como destaca a professora de Português, corretora de redações, preparadora e revisora de textos e mediadora do Clube do Livro do Brasil Escola, Lara Beatriz.

A professora acredita que é possível aproveitar diversas obras literárias que fazem parte do conhecimento dos estudantes como repertório cultural. "De modo geral, o que se compreende como repertório cultural da redação do Enem é muito amplo. Em um sentido mais restrito, isso significa que vários aspectos ligados à cultura do estudante podem contribuir nesse sentido", explica.

Para auxiliar na correlação, Lara apresenta dois aspectos a serem seguidos:

  1. Não faça apenas uma menção à obra: na redação do Enem, o repertório precisa ser legitimado, pertinente e produtivo. A única maneira de isso acontecer é se a obra for explicada e contextualizada quanto ao tema. Apenas mencionar a obra não garante sua pertinência nem sua produtividade. Lembre-se de que o seu texto precisa ser completo e coerente, de forma que nenhuma ideia fique implícita, o que significa que toda relação que exista precisa ser evidenciada por escrito.
  2. Não se restrinja apenas aos clássicos: embora os livros clássicos possuam grande destaque nas obras literárias e sejam fortes repertórios culturais da redação do Enem, o que se entende por obra literária nesse contexto é muito mais amplo. Diversos são os livros que podem ser usados, prevalecendo sempre a importância de explicar a relação que possuem com o tema, pois é isso, acima de tudo, que determina a qualidade de um repertório na redação do Enem.

Também é importante destacar a importância de realizar a leitura com atenção, seja de clássicos ou best-sellers, quando se tem a intenção de usá-la como preparação para a prova do Enem. Para utilizar as obras de forma a se relacionarem com o tema proposto, é preciso ter uma leitura atenta e crítica de tudo o que se lê, Lara ainda dá dicas de como fazer isso:

  • Obras específicas: escolher obras intencionais sobre determinados temas a fim de explorar eixos temáticos específicos (educação, pobreza, saúde etc.).

  • Obras do cotidiano: anotar temas e situações semelhantes aos aspectos atuais de nossa sociedade à medida que ocorrem aleatoriamente em leituras rotineiras.

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Laura Vecchioli do Prado e Lara Beatriz
Laura Vecchioli do Prado e Lara Beatriz, respectivamente.
Crédito: Divulgação

Livros para usar como repertório cultural na redação do Enem 2026

A equipe da SOMOS Literatura selecionou cinco títulos que ajudam a ampliar o repertório sociocultural dos estudantes. Confira:

1. Opúsculo humanitário & Conselhos à minha filha, de Nísia Floresta

Em pleno século XIX, quando a educação feminina ainda se restringia, em grande parte, ao preparo para a vida doméstica e familiar, Nísia Floresta já defendia o direito das mulheres à educação e à participação ativa na sociedade. Esta edição reúne duas de suas obras mais emblemáticas: Conselhos à minha filha (1842) e Opúsculo humanitário (1853), nas quais a autora questiona estruturas sociais limitantes e propõe avanços no campo educacional.

Saiba mais sobre Opúsculo humanitário

2. Macário e Noite na taverna, de Álvares de Azevedo

Dividida em dois episódios, a obra Macário não é facilmente classificável em um único gênero literário, empregando aspectos do teatro, da prosa narrativa e da intimidade própria dos diários pessoais. Já Noite na taverna, novela composta por sete contos fantásticos, é um dos mais renomados títulos do Romantismo brasileiro, essencial para entender esta escola literária.

Saiba mais sobre Álvares de Azevedo

3. A escrava Isaura, de Bernardo Guimarães

Atormentada pelo senhor de escravos Leôncio, que tenta seduzi-la, a escrava Isaura foge para lutar por sua liberdade e começar uma nova vida. Com uma nova identidade, Isaura inicia um romance com um rico fazendeiro, mas Leôncio não pretende facilitar as coisas para ela. A obra de Bernardo Guimarães, de 1875, diferencia-se dos primeiros livros românticos produzidos ao colocar em questão o caráter social do problema da escravidão.

Saiba mais sobre A escrava Isaura

4. Helena, de Machado de Assis

A última vontade do conselheiro Vale era que a família acolhesse sua filha ilegítima. Recebida como uma intrusa, Helena aos poucos conquista o coração de D. Úrsula e Estácio. A felicidade parece rodear a família, mas o olhar melancólico da heroína denuncia um sofrimento secreto. Helena esconde uma paixão desiludida e faz passeios misteriosos a um casebre. O que essas visitas matinais escondem? Quem é o amado de Helena e por que ela não luta por ele?

Saiba mais sobre Machado de Assis

5. Auto da barca do Inferno, de Gil Vicente

Autor central do Humanismo Ibérico, considerado o primeiro dramaturgo português, Gil Vicente mescla os registros erudito e popular, forma religiosa e sátira social, em um contexto de transição da Idade Média para o Renascimento. Trata-se de sua obra mais famosa, um marco na história da literatura de língua portuguesa. 

Saiba mais sobre Auto da barca do inferno

Provas do Enem 2026
Estrutura e formato das provas do Enem 2026.

Provas do Enem 2026

As provas do Enem 2026 serão realizadas pela tarde de dois domingos consecutivos, nos dias 8 e 15 de novembro. Ao todo, os candidatos terão de responder a 180 questões objetivas e produzir uma redação.

O exame é composto da seguinte forma:

1º dia | 13h30 às 19h

  • 45 questões objetivas de Linguagens, códigos e suas Tecnologias

  • 45 questões objetivas de Ciências Humanas e suas Tecnologias

  • Redação

2º dia |  13h30 às 18h30

  • 45 questões objetivas de Ciências da Natureza e suas Tecnologias

  • 45 questões objetivas de Matemática e suas Tecnologias

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Datas e cronograma do Enem 2026

Fique por dentro das principais datas do Enem 2026:

  • Inscrições: 25/05 a 05/06

  • Pagamento da taxa de inscrição: 25/05 a 10/06

  • Tratamento pelo nome social: 25/05 a 05/06

  • Atendimento especializado: 25/05 a 05/06

  • Resultado preliminar do atendimento especializado: 19/06 

  • Recursos do atendimento especializado: 22 a 26/06

  • Resultado dos recursos: 03/07

  • Provas: 8 e 15/11

  • Gabaritos: até o 10º dia útil após aplicação do segundo dia

Fique por dentro dicas para chegar mais preparado no dia do Enem 2026!