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Guimarães Rosa

Resumos de Livros

Guimarães Rosa é uma de nossas maiores expressões literárias. Escritor de grande originalidade, reinventou a língua portuguesa e transcendeu os limites da prosa regionalista.
Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo, Minas Gerais, em 27 de junho de 1908. Faleceu no Rio de Janeiro, aos 59 anos, em 19 de novembro de 1967 *
Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo, Minas Gerais, em 27 de junho de 1908. Faleceu no Rio de Janeiro, aos 59 anos, em 19 de novembro de 1967 *
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 "(…) Nós, os homens do sertão, somos fabulistas por natureza. Está no nosso sangue narrar estórias; já no berço recebemos esse dom para toda a vida. Desde pequenos, estamos constantemente escutando as narrativas multicoloridas dos velhos, os contos e lendas, e também nos criamos em um mundo que às vezes pode se assemelhar a uma lenda cruel. Deste modo a gente se habitua, e narra estórias que corre por nossas veias e penetra em nosso corpo, em nossa alma, porque o sertão é a alma de seus homens (...) Eu trazia sempre os ouvidos atentos, escutava todo o que podia e comecei a transformar em lenda o ambiente que me rodeava, porque este, em sua essência, era e continua sendo uma lenda."

(João Guimarães Rosa, em entrevista a Günter Lorenz - "Diálogo com Guimarães Rosa".)

João Guimarães Rosa, ou apenas Guimarães Rosa, é um dos maiores escritores da literatura brasileira e, certamente, um dos mais importantes autores da língua portuguesa; língua que soube como nenhum outro escritor, reinventar. Guimarães Rosa aboliu as fronteiras entre a narrativa e a lírica, inserindo em sua prosa recursos de grande expressão poética. Além de ter inovado as técnicas narrativas, o escritor foi um hábil inventor de palavras, característica que está intrinsecamente relacionada com a sua escrita peculiar: é possível reconhecer imediatamente a escrita roseana entre tantas outras, tamanha sua originalidade. Os neologismos roseanos são fruto de uma extensa e intensa pesquisa linguística, que culminou em uma linguagem que aproveitou ao máximo a coloquialidade da fala do homem sertanejo.

"Sempre que se começa a ter amor a alguém, no ramerrão, o amor pega e cresce é porque, de certo jeito, a gente quer que isso seja, e vai, na idéia, querendo e ajudando, mas quando é destino dado, maior que o miúdo, a gente ama inteiriço fatal, carecendo de querer, e é um só facear com as surpresas. Amor desse, cresce primeiro; brota é depois."

(João Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas.)

Guimarães Rosa, assim como outros escritores da prosa regionalista, viu-se diante de um problema de difícil solução: qual seria a linguagem mais adequada para narrar histórias do homem simples do interior do Brasil? Esse homem rural, ou sertanejo, como os homens retratados em suas obras, cuja realidade é muito diferente daquela vivida pelo homem das grandes metrópoles, não é falante da língua culta. O homem simples do interior é falante de uma língua regional, e tal fato não poderia ser menosprezado por Guimarães Rosa, que, diante do impasse, recriou na literatura a fala do sertanejo não apenas no plano do vocabulário — solução encontrada por seus pares para a dissolução do problema —, mas também no plano da sintaxe e da melodia da frase.

"...o aspecto metafísico da língua, que faz com que minha linguagem antes de tudo seja minha. (...) Meu lema é: a linguagem e a vida são uma coisa só. Quem não fizer do idioma o espelho de sua personalidade não vive; e como a vida é uma corrente contínua, a linguagem também deve evoluir constantemente. Isto significa que, como escritor, devo me prestar contas de cada palavra e considerar cada palavra o tempo necessário até ela ser novamente vida. O idioma é a única porta para o infinito, mas infelizmente está oculto sob montanhas de cinzas."

(João Guimarães Rosa, em entrevista a Günter Lorenz - "Diálogo com Guimarães Rosa".)

Embora tenha tido o cuidado de considerar o dialeto sertanejo, Guimarães Rosa não o fez de maneira realística ou caricata, como procederam outros escritores da literatura regionalista, que se preocuparam apenas com o plano vocabular. Rosa recriou a língua portuguesa em todos os níveis, resgatando termos em desuso, criando neologismos e fazendo uso de empréstimos linguísticos, inserindo esses elementos em estruturas sintáticas inovadoras. Em sua prosa, há um diálogo constante com a poesia, e essa característica é perceptível quando o escritor utiliza recursos tais como o ritmo, as aliterações, as metáforas e as imagens.

"Mire veja: o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou."

(João Guimarães Rosa, em "Grande Sertão: Veredas.)

Engana-se, entretanto, quem acredita que Guimarães Rosa tenha limitado sua prosa ao regionalismo. A intenção do escritor sempre foi a de criar tipos universais, embora inseridos em um contexto tipicamente brasileiro. Esse contexto, contudo, não foi elemento limitador, pois Rosa fez do sertão o mundo, transpondo com maestria os limites do espaço regional. Em Grande Sertão: Veredas, sua obra-prima, temas como o bem e o mal, o amor, a violência, Deus e o diabo, a traição, entre outros de cunho filosófico, realizam plenamente o intento do escritor de fazer de sua narrativa uma narrativa universal, em que todos os homens do mundo pudessem se reconhecer.

"O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem."

(João Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas.)
 

* A imagem que ilustra o artigo é capa do periódico “Cadernos de Literatura Brasileira”, do Instituto Moreira Salles.


Por Luana Castro
Graduada em Letras
 

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