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Em 25/08/2016 16h54, atualizado em 25/08/2016 16h54

Fraudes no Enem

Enem

Desde a sua criação, o Enem se tornou importante e também cobiçado, aumentando as tentativas de fraudes. Por Rafael Batista
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Criado em 1998 para avaliar o desempenho dos estudantes no ensino médio, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) tornou-se o maior teste seletivo do Brasil e, atualmente, é usado para ingresso em todas as universidades e institutos federais, além de algumas estaduais e particulares. Além disso, o exame é critério para participação em programas como o Universidade para Todos (ProUni) e de Financiamento Estudantil (Fies), que oferecem condições para os estudos em instituições privadas.

A partir de 2009 foram realizadas mudanças no exame, justamente para democratizar as oportunidades em instituições federais. Por isso, uma boa no Enem pode mudar a vida de alguns estudantes. Diante desta realidade, algumas quadrilhas tentam fraudar a realização do exame de diversas formas.

Vazamento de questões

Na edição de 2011, um professor de uma escola particular de Fortaleza foi acusado de vazar questões da prova para os alunos, cerca de uma semana antes da aplicação do Enem. A denúncia foi feita depois de um estudante publicar fotos de apostilas contendo as questões. O professor alegou que usou as questões de um pré-teste do Enem organizado pela Fundação Cesgranrio.

O professor foi julgado e condenado em primeira instância, mas recorreu e foi absolvido em 2016. Neste caso não há o crime de fraude em certame público, pois esse tipo de delito só foi incluído no Código Penal em dezembro de 2011, e o crime de estelionato não se aplica porque, segundo a defesa, a divulgação não visaria vantagem material.

Outro suposto caso de vazamento de questões se deu no Piauí em 2014. De acordo com a denúncia, feita à Polícia Federal (PF), um estudante teria enviado uma imagem da prova, por um aplicativo de mensagem, horas antes do início do exame. Meses depois a PF confirmou o vazamento, mas não chegou ao autor das imagens.

Quadrilhas

Uma outra fraude constata na região Nordeste prendeu quatro pessoas, na Paraíba e no Ceará, suspeitos de comandar uma organização que, através de pontos eletrônicos, enviava o gabarito da prova pra os candidatos durante a realização do exame. Foram recolhidos documentos e computadores nas casas dos suspeitos e também de alguns estudantes que teriam se beneficiado pela fraude.

Segundo a PF, cerca de 40 estudantes já matriculados em universidades públicas do Nordeste teriam conseguido as vagas valendo-se do esquema. A quadrilha chegava a cobrar R$ 30 mil pelas respostas das provas.

Hemostase

Em 2013, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela aplicação do Enem, eliminou mais de 1,5 mil candidatos por tentativa de fraude. No mesmo ano, a Polícia Civil de Minas Gerais deflagrou operação Hemostase, que identificou diálogos feitos pelos fraudadores com os estudantes, via ponto eletrônico. Apesar da eliminação de alguns candidatos, ninguém foi preso nessa etapa da operação.

Já em 2014, a Hemostase II, feita também em Guarujá (SP), culminou na prisão de 33 pessoas, sendo 11 ligadas ao grupo criminoso e 22 candidatos. De acordo com a polícia, os interessados no esquema pagavam valores entre R$ 70 e R$ 200 mil, conforme o curso de interesse. Nesse caso, o grupo contava com integrantes que faziam as provas rapidamente e, em seguida, repassava as respostas por meio de um sistema eletrônico de comunicação (micropontos). A quadrilha agia em, pelo menos, cinco estados brasileiros.

Roubo da Prova

Outro caso de grande repercussão aconteceu em 2009 na gráfica onde as provas do Enem eram impressas. As câmeras de segurança flagraram um dos funcionários retirando um caderno questões do exame daquele ano e entregando a terceiros. Após a denúncia, o Inep cancelou a prova e remarcou para dezembro do mesmo ano.

Celulares e redes sociais

Casos isolados e com eliminação de candidatos acontecem todos os anos e não foi diferente em 2015. Naquela edição, foram 740 candidatos eliminados por uso de equipamentos inadequados, na maioria das vezes celular. Além disso, houve três casos em que imagem das provas foram postadas em redes sociais, tiradas dentro do local do exame.

Segurança

Além da revista feita com o detector de metais e embalagens para guardar objetos, o Ministério da Educação (MEC) tem implementado métodos para evitar as fraudes. Uma delas é monitoramento das redes sociais que é realizada durante a aplicação do exame desde 2012.

Em 2016, a grande novidade é a coleta de dados biométricos dos candidatos. A intenção é que, com a coleta da impressão digital, evite-se que outra pessoa faça a prova no lugar do inscrito. A identificação biométrica poderá ser feita no primeiro ou no segundo dia.

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